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O executivo analógico Vs. O nativo digital

Publicado por: Editorial IT Forum 365Jornalista Publicado em 21 de Setembro de 2012 às 16h08

Novas - e mais estratégicas - posturas dos CIOs, social business, computação cognitiva e todo o arsenal de argumentos e visões do evangelista técnico e diretor de novas tecnologias aplicadas da IBM, Cezar Taurion

Estamos em guerra. Se não for uma guerra, podemos chamar de conflito ou qualquer coisa que se incline para o lado de debates de gerações. Aliás, se existe algo que sempre se repete, é a história, pois por várias vezes o ?novo? e o ?velho? se degladiaram. Hoje, no mundo da tecnologia, a batalha está armada principalmente dentro das companhias.

Uma das coisas mais loucas que eu já me propus a fazer foi exatamente, aos 23 anos, escrever sobre a guerra entre o executivo do mundo analógico e o nativo digital, pois eu, honestamente, não compreendo tantas burocracias. Como profissional que cobre a área de TI, entendo questões de segurança, disponibilidade, gerenciamento... Mas é chato, assumo.

Essa definição entre o bem e o mal, seja lá quem representar qual lado, foi apresentada a mim durante uma conversa com uma figura mais que conhecida do mercado de TI: Cezar Taurion, diretor de novas tecnologias aplicadas e evangelista técnico da IBM Brasil.

Vamos ao cenário proposto por ele: de um lado do ringue estão os tablets e smartphones que permitem fazer inúmeras coisas, dando autonomia ao usuário. Quando acopladas a mais funcionalidades externas e outros devices, as oportunidades aumentam ainda mais. Esse aparelho está na mão dos nativos digitais ? a geração Y, Z ? e dos naturalizados, ?pessoas que não nasceram com a internet e os devices, mas que se infiltraram neste cenário.? ?Eu sou um deles, pois entendo, compartilho e incentivo, mas tenho sotaque?, brincou Taurion.

No outro corner, temos a imensidão de volumes de dados, carinhosamente chamado de Big Data, computação em nuvem, virtualização em todas as suas proporções e a causa/ consequência de muitos problemas/desafios para CIOs, CMOs e tantos outros C-levels: o social business e a consumerização. ?É o momento de convergir os dois lados e dar um passo que vai além da tecnologia?, pontua.

Antes de começar a conceituar e dar desfecho, vale lembrar que, no começo deste ano, eu explorei com ele a exaustão de conversas e notícias sobre computação em nuvem, consumerização, big data e evolução do prestador de serviços. O ponto agora é acompanhar essa evolução e ver quanto caminhamos. ?Toda a tecnologia de que você não fala mais é porque se tornou comum, útil, aplicável e está integrada ao cotidiano das pessoas. E, no caso da consumerização e da computação na nuvem, já passamos do momento da curiosidade e estamos entrando no da aplicabilidade?, afirmou, na época o evangelizador da IBM. ?Temos que falar do próximo passo.?

Social Business: um grande passo

O maior problema das empresas quanto às redes sociais é entender que estar presente nessas mídias não está ligado a vender da forma convencional. Não se faz ofertas nas redes sociais assim como se faz nas vitrines e promoções em sites de ecommerce. ?O social business é mais como eu trato os dados captados e que pretendo liberar, socializando a empresa.?

Forma de fazer, aprendendo com o caso do eBay: ?Digamos que eu queira presentear um amigo e quero ser o mais certeiro possível. Eu entro no eBay, adiciono o perfil do meu amigo lá e uma ferramenta deles faz a análise do tipo dele, colhe as informações e sugere presentes. Com isso, eu escolho o que considero ideal e tenho a opção de abrir uma espécie de ?vaquinha? com amigos em comum deste mesmo aniversariante, e cada um dos participantes assinam um cartão de felicidades, chegam até o valor do produto, compram e o eBay entrega o presente. O eBay descobriu que um terço das pessoas que participam disso, replicam para os amigos. Isso é monetizar nas mídias sociais, pois eu não fui agressivo na oferta, mas sim intuitivo?, explicou Taurion.

Novamente, fazer negócios sociais exige uma nova leitura de oferta, seja no Facebook, Twitter ou qualquer outra rede.

Outra coisa muito pontuada por Taurion, com que concordo em grau, gênero e número, é que criar redes sociais corporativas soa mais como uma intranet reformulada, e que o ideal é manter o colaborador online em seus ambientes favoritos e gerenciar o uso. ?O Foursquare, por exemplo, pode ser pessoal, mas se eu acoplo ele ao meu CRM, consigo saber onde estão os meus empregados e clientes, consigo ajudá-los e obtenho controle de situações diversas?, pondera o executivo.

?Não existe mais isso de usuário final. Dispositivo, computação em nuvem, big data e mobilidade causaram a ruptura da TI e hoje todos somos usuários, multimeios e multiambientes?

O social business é uma discussão sobre análise e predição de comportamento do usuário, com claras vertentes para diversas tecnologias, mas sempre focando no indivíduo, ressalta ele.

Computação Cognitiva

O futuro da computação está na semântica. Acredite: essa discussão, por mais que se fale da internet 3.0, ainda nem começou, de acordo com Taurion. ?A evolução da tecnologia é muito mais rápida do que a capacidade de uso. O Watson é um exemplo disso, mas ele ainda é muito grande, é um conceito aplicado. Certamente, logo, em 2020, estaremos fervorosos quanto à questão da cognição computacional?, pontua.

Por partes: a computação cognitiva é a que lê, entende, processa e responde ao impulso, pesquisa as atitudes do usuário. As tecnologias analíticas e a evolução dos comandos por voz, como o Siri, da Apple, são exemplos do começo desta caminhada, que, além de gerar futuras conversas sobre melhores práticas de utilização, vai fomentar mais e mais a estruturação de dados não estruturados. É como se fosse o filho do Big Data, só que ainda mais voraz.

?Se mantivermos as discussões em torno do mesmo, sempre, não poderemos pensar em como absorver coisas como esta. Como eu disse naquela nossa conversa do começo do ano, estamos na era da aplicação de tudo o que foi discutido nos últimos três anos. É hora de olhar e cuidar do que está chegando?, avisa Taurion.

A reinvenção dos CIOs

Apesar da forte dependência da tecnologia para atingir os resultados estratégicos e da consequente previsão de aumento nos gastos de TI, a maioria dos 200 CEOs de corporações com receita anual acima de 500 milhões de dólares, em 25 países, ouvidos em pesquisa realizada pelo Gartner, ainda considera os seus CIOs como "especialistas itinerantes". Poucos acreditam que seu CIO seria capaz de assumir um papel de liderança empresarial.

E aí está o ponto: como reagir ao fato de que um, a cada 200 CEOs não colocam o CIO na cadeira de comando? Para Taurion, esse é o resultado de anos de comando e regras incabíveis, que tornaram os diretores de TI meros ?garotos? de tecnologia, em vez de reais fatores determinantes nos direcionamentos de investimentos e estratégias de negócios. ?O CIO como é visto hoje está morrendo. Já sabemos e é muito repetido: o profissional de TI de hoje tem que ter visão atrelada ao negócio, e que consiga entender especializações maiores do que simplesmente falar de TI.?

Na visão dele, os fornecedores de tecnologia de hoje prestam o mesmo serviço que o CIO de ontem, e este é um papel de evolução do canal e de declínio do diretor de TI, que observou o movimento do mercado, mas simplesmente ignorou a possibilidade de evoluir seu discurso. ?Ele deveria se tornar um consultor de negócios com viés de tecnologia, e não um técnico. Essa não é mais a necessidade e realidade das empresas?, explica.

A previsão do Gartner é de que os gastos globais de TI cheguem a 3,7 trilhões de dólares ainda este ano, aumento modesto de 2,5% em relação a 2011, mas mesmo assim, com toda essa expectativa, o CIO analógico ainda está tentando centralizar o processo de investimento em tecnologia. ?Obviamente, as substituições vão acontecer, pois o cara da informação tem que trazer inovação e não preocupação?, disse, rimando, Taurion.  ?Essa zona de conforto do CIO está acabando. É o momento dos grandes fornecedores assumirem esse papel de vez?.

Para Taurion, além da pegada consultiva e focada no negócio, os novos gestores de tecnologia deverão estudar e contar com formações sociológicas, para captar o melhor do comportamento humano e transferir para as capacidades de TI.

O balanço da conversa quanto a consumerização, cloud computing, big data e futuro da TI, é, novamente, óbvio, como o próprio Taurion pontua, e, novamente, reforça a ideia de que deve-se aproveitar as grandes expectativas com o mercado para ?ousar mais? e aproveitar melhor as possibilidades que todas essas tendências estão trazendo.

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