Notícias   ››   Gestão TI   ››   Na prática
Novas gerações, velhos problemas

Geração Y expõe desafio do CIO na gestão de equipe

Autor: Karen Ferraz
Fonte: Karen Ferraz Publicado em 01 de Novembro de 2013 às 11h27

Além do estilo comportamental típico da nova leva de profissionais, as empresas precisam lidar com desafios na formação de base e com um mercado inflacionado que eleva salários e expectativas

A combinação alta demanda e oferta insuficiente de mão de obra por si só representa a dimensão dos desafios de um CIO para contratar e manter bons profissionais em suas empresas. Mas a questão é ainda mais complicada quando olhamos para o perfil desses jovens: como liderar a Geração Y e conduzir suas expectativas e anseios profissionais? O crescimento acelerado do mercado de tecnologia no Brasil e a rápida adoção de serviços de TI pelas empresas e iniciativa pública escancarou um problema de formação evidente no setor e levou à disputa por profissionais que estão até mesmo no início da graduação. Hoje esses estudantes recebem altas propostas de salário sem possuir diploma ou experiência profissional ? e a tendência é que essa verdadeira caça por talentos se torne mais acirrada pela frente. O mercado profissional de tecnologia da informação atualmente enfrenta um déficit de 40 mil profissionais e a estimativa é que até 2015 o número de vagas abertas sem profissionais para preenchê-las salte para 117 mil, segundo a IDC. O desequilíbrio entre oferta e demanda gera um mercado inflacionado no qual impera a lei do ?quem dá mais? e os reflexos já são evidentes. ?O turnover de profissionais dentro da empresa é muito grande, além disso, esses jovens geralmente saem dos programas de treinamento com uma expectativa de assumir altos cargos, mas ao mesmo tempo não possuem maturidade o suficiente?, comentou Carlos Buss, CIO da Mondelez Brasil, empresa do ramo alimentício, durante o IT Mídia Debate que reuniu representantes de cada área para discutir o papel da academia, indústria e empresas na formação em TI. Hoje os gestores ? não só de TI ? enfrentam dificuldade para lidar com diversas questões, sobretudo, as comportamentais na tentativa de construir e manter uma equipe estratégica e multidisciplinar. Formados na era da mobilidade, do empreendorismo, da colaboração e da cultura das startups, a Geração Y tem como referência e aspiração as empresas que representam essa nova dinâmica organizacional, como Google, Facebook e Apple ? perfil completamente distinto do processo de gestão da maior parte das companhias. Eis que duas realidades se esbarram: funcionários do século XXI e empresas e gestores do século XX. Na visão do CIO da Mondelez Brasil, esse encontro tem promovido um ?choque de realidade? na forma como trabalhamos. A Geração Y trouxe muita criatividade e outro conceito produtividade, por meio movimentos como traga seu próprio dispositivo (BYOD, da sigla em inglês) e ambientes colaborativos. ?Mas a questão chave é como balancear criatividade e maturidade em uma equipe. E em TI é mais difícil de achar isso devido à escassez do mercado que não permite esse tempo de maturação.? Formação Antes mesmo de chegar ao mercado corporativo, esse desafio surge dentro das salas de aula. A tradicional figura do professor detentor do conhecimento já não faz sentido para alunos conectados 24 horas e imersos simultaneamente em diversas atividades através de múltiplos dispositivos. ?A própria forma de transmissão de conhecimento é diferente. O ensino ?analógico? baseado em giz, lousa e saliva não funciona mais. Hoje o conhecimento é just in time e está em todo lugar e, nesse contexto, o professor deve atuar como um facilitador?, pontua o diretor acadêmico da Fiap, Wagner Sanchez. A Fiap oferece formação acadêmica especializada em tecnologia para níveis técnicos e bacharelado e, para tanto, adota métodos de aprendizado com base em projetos (Project Base Learning) e em jogos (Game Base Learning) com intuito de motivar o interesse e estabelecer uma conexão com seus alunos. Para formar profissionais com o perfil exigido no mercado, a instituição de ensino busca oferecer conteúdo específico e certificações subsidiadas por meio de parcerias com players estratégicos, como IBM, Oracle, Apple e Cisco. ?Existe a preocupação com essa formação específica, mas temos que entregar também o programa exigido pelo MEC?, destaca. A velocidade com que as tecnologias evoluem provoca inevitavelmente uma defasagem profissional que, por sua vez, contribui para a dificuldade das companhias encontrarem profissionais com habilidades específicas. No Brasil, temos diversas iniciativas da indústria, como a criação de centros de pesquisa e desenvolvimento e parcerias com universidades, que visam a diminuir a distância entre formação e realidade do mercado. Nesse caminho, a EMC há dois anos fechou uma parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) para a criação de centro de pesquisa com foco em Big Data para a área de óleo e gás. Diante do crescimento exponencial da demanda por profissionais, Eduardo Lima, gerente de programas acadêmicos da EMC para a América do Sul, considera que o papel da indústria é ajudar na formação de alunos e levar conteúdo específico às faculdades. ?O intuito do programa é gerar conhecimento para ser compartilhado com o mundo acadêmico de maneira geral e com os estudantes que tenham interesse voltado para Big Data. Assim, além da formação tradicional, esses profissionais poderão trabalhar não só na EMC, mas em parceiros, concorrentes e outras empresas e, ao longo do tempo, desenvolver habilidades estratégicas?, afirma. A fabricante busca seus talentos dentro desses polos de educação, mesmo assim, apesar da afinidade com área de atuação, a missão não é fácil. ?Estamos vendo uma queda de interesse por desenvolvimento de sistemas, pois muitos estudantes de tecnologia têm a ideia de que podem ficar milionários desenvolvendo um aplicativo. O salário do profissional júnior é alto, imagina o do sênior ? mesmo assim não há muita oferta de sênior?, comenta. Wagner Sanchez, da Fiap, explica que a faculdade realiza um processo de gestão de carreira, na qual alunos são indicados para vagas de trabalho a partir da análise do perfil acadêmico, mas conta que tem poucos alunos que não estão empregados para serem indicados, pois a demanda é grande. Por outro lado, o especialista ressalta um movimento de pessoas de outras áreas para cursos de especialização e MBA em TI, de forma que profissionais como administradores têm procurado cursos em BI ou desenvolvimento de aplicativos. O CIO da Mondelez comenta que buscar profissionais que não são da área tem sido uma alternativa para montar equipes. Além da dificuldade de encontrar perfis mais estratégicos e de gestão, algo que não tem vindo  a formação universitária, o executivo explica que muitas vezes as pessoas com essas habilidades acabam sendo absorvidas por áreas de negócio. Segundo ele, os jovens de TI bem preparados já estão empregados e são bem pagos, e nem sempre há recursos para trazê-los. ?Por um lado temos dificuldades, mas por outro temos oportunidades. O Brasil é um celeiro de talentos e vemos diversos profissionais sendo escolhidos para liderar projetos globais. Como líderes e executivos de companhias temos a responsabilidade de participar desse processo de formação.? Ponto de equilíbrio Se voltarmos um pouco no tempo, veremos que as próprias competências do CIO passaram por grandes transformações. Desde quando ainda ficavam nos CPDs e não tinham uma cadeira no conselho das companhias, os gestores de TI precisaram adquirir novas habilidades e hoje, com o mundo dos negócios cada vez mais dependente das tecnologias, os CIOs são peças-chave na tomada de decisões. Tudo isso aconteceu muito rápido e exigiu uma mudança de perspectiva, seja por parte das empresas como dos profissionais de TI. Assim como a tecnologia se tornou parte indispensável dessa engrenagem, encontrar um ponto de equilíbrio entre a gestão e os reflexos comportamentais da dinâmica social promovida pela tecnologia nas gerações mais novas será inevitável, sobretudo nas organizações de TI. Dar responsabilidades junto a projetos, liberdade para criar, flexibilidade de horários e tecnologias, diminuir fronteiras entre trabalho e hobbies, implantar uma gestão participativa e colaborativa tem sido a estratégia aplicada principalmente pelas novas empresas para engajar e motivar os mais jovens.Com o crescimento exponencial da área, ainda levará um tempo para solucionar a equação oferta x demanda no mercado. Diante disso, qual será a estratégia adotada pela sua empresa?  
Tags
Nenhuma tag cadastrada
Comente e compartilhe sua opinião com nossa comunidade!

Últimas notícias