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Estratégia

Terceirização pode ajudar TI a ser mais estratégica

Autor: Martha Funke | InformationWeek Brasil
Fonte: especial para InformationWeek Brasil Publicado em 04 de Novembro de 2013 às 11h31

Antes um meio de reduzir custos, empresas recorrem a contratos de outsourcing para focar equipe em projetos mais estratégicos e até para reduzir dificuldade com busca de profissionais

Manter em casa a gestão estratégica e colocar nas mãos de parceiros operações consideradas commodities ou com expertise especial é uma alternativa que ganha cada vez mais espaço entre as empresas no Brasil. Segundo a última edição da pesquisa Antes da TI, a Estratégia, 37% das mil maiores empresas do Brasil têm hoje entre 10% e 50% de sua equipe terceirizada ? e uma em cada dez mantém mais da metade de colaboradores da área de TI com este perfil. Uma das questões envolvidas é a redução de custo. Outra, a expansão do número de parceiros aptos a oferecer serviços com qualidade similar. ?Hoje o mercado oferece diferentes opções para áreas como help desk e programação?, registra Antonio Felipe Redondo, superintendente-executivo de TI do Banco Pine, fundado em 1997 e que dez anos depois tornou-se o primeiro banco de seu porte a ter ações negociadas na bolsa, vendendo cerca de 30% de seu capital por R$ 517 milhões. Desde que chegou à empresa em 2010, Redondo adotou a regra de passar para terceiros trabalhos mais repetitivos, onde a dificuldade para retenção é maior, ou que exijam conhecimentos específicos ? um exemplo foi a criação da estrutura de gerenciamento de dispositivos móveis. A equipe interna se encarrega de processos críticos, sigilosos ou que representem diferenciais competitivos. Uma das mudanças foi a segregação do processo de desenvolvimento, antes inteiramente dedicado à prestadora de serviço. ?Trouxemos a especificação para dentro e colocamos mais programação para fora?, descreve. Hoje, dos 48 profissionais da equipe, 18 são terceiros. Embora para Redondo o custo não seja mais um fator decisivo para a terceirização, o ganho de escala é um dos benefícios apontados por empresas de grande porte com parceiros globais. A Mondelez, presente no Brasil desde 1993, quando ainda se chamava Kraft Foods, tem desde 2003 contrato de outsourcing global em áreas como infraestrutura e telecomunicações com a HP. ?Ninguém faz movimento tão grande sem vantagem de custo?, atesta o CIO Carlos Buss, que também conta com parcerias mundiais com empresas como IBM, TCS e Infosys para projetos sazonais como os de BI e automação, que envolverão a companhia ainda pelos próximos dois anos. A contrapartida é equilibrar a satisfação do usuário relacionada a atividades que não agregam valor de TI dentro da empresa. Apesar da vantagem de eliminar a necessidade de formar e reter profissionais distantes do core business, Buss reconhece não ser fácil alinhar a prestadora de serviços aos mesmos objetivos da contratante. O ponto, explica, é manter o mesmo nível de serviço, a qualidade, a rapidez e a flexibilidade na gestão ampliada. Uma das soluções é buscar relação mais estratégica com os parceiros com interfaces mais adequadas ? no caso dele, o vice-presidente da fornecedora. Também estão em avaliação instrumentos para compartilhar benefícios e prejuízos, com inclusão de bônus e penalidades nos SLAs. ?A maior dificuldade é na ponta, com a rotatividade provocada pelo aquecimento do mercado?, avalia o CIO, cuja equipe soma 45 recursos internos, 50 terceiros fixos para a área de infraestrutura e número similar por projeto. Como prestadores de serviços podem se aproveitar das contas para formar profissionais, a descrição acurada é essencial em processos bem-sucedidos, já que a terceirização elimina a possibilidade de gestão direta sobre o recurso ? afinal, você está comprando serviços, não pessoas, e o alinhamento é vital. Para Wellington Coelho, CIO da Teksid, o papel do gestor e sua equipe é gerar confiança entre todos os envolvidos no processo de terceirização, com transparência, planejamento e definição explícita do modelo de governança de TI. A fabricante mundial de autopeças, com capacidade produtiva perto de 720 mil toneladas anuais e duas plantas em Betim (MG) ? a fundição de ferro é a maior do grupo, com 107 mil metros quadrados e 3,7 mil empregos diretos ?, tem contratos globais e locais de outsourcing de serviços de TI, alguns deles transversais às empresas do grupo, como gestão de infraestrutura de ativo de rede de dados e voz, de rede WAN, de LAN, servidores, serviços de internet e de e-mail, help desk e service desk, gestão de segurança da informação e desenvolvimento e manutenção de aplicações web. ?Muito importante é ter processos definidos para tratamento de exceções?, diz o CIO da Teksid. ?O desafio é encontrar o ponto de equilíbrio entre a padronização dos nossos serviços, com ganhos em escala, e a independência, para flexibilidade.? Os serviços terceirizados representam 49,54% dos custos e despesas da área, que tem 86% de sua equipe terceirizada para atender LAN, WAN, servidores, service desk e impressão. Coelho aponta ganhos como redução de custos, principalmente aqueles relacionados à contratação, reposição, benefícios e treinamento de funcionários; melhoria no planejamento financeiro, com visão de longo prazo das saídas de capital e melhor assertividade na elaboração do orçamento; melhoria na qualidade, com acesso mais fácil e rápido a novas tecnologias; e possibilidade de atrair profissionais especializados para atividades que contribuam no processo de inovação e evolução do negócio graças ao foco mais estratégico. ?Os principais benefícios da terceirização são a aquisição de conhecimento específico e a possibilidade de usar melhor o tempo e focar em tópicos estratégicos?, concorda Marcelo Gianotto, gerente da unidade Voith IT Solutions Latin America ? a Voith é um grupo global com mais de 42 mil funcionários que atende mercados como energia, petróleo e gás, papel, matérias-primas e transporte automotivo e atua em mais de dez localidades no Brasil. Segundo ele, dependendo da empresa, tudo pode ser terceirizado, mas geralmente funções mais estratégicas são geridas internamente. ?Onde há risco envolvido, como um projeto SAP, buscamos sempre mesclar equipes internas com consultores para garantir equilíbrio entre os processos de negócio e o lado técnico?, diz. Atualmente a área de TI da empresa soma 33 funcionários internos, além de 17 terceiros fixos. São mais 35 pessoas para service desk, a cargo da Sonda, e 14 para os serviços de impressão, de responsabilidade da Xerox. ?A ideia é que a terceirização não seja percebida por ninguém. CIO e empresa precisam ter em mente o que é importante na parceria e isso inclui escopo claro e SLA de fácil mensuração?, indica. ?É importante buscar o parceiro certo, que entenda a cultura do cliente.?
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