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“Vada a bordo, Schettino!”

Sergio Basilio Publicado em 28 de Outubro de 2014 às 17h06

Sergio Basilio é diretor-geral da Westcon Brasil.

“Vá para o seu navio!”. Foi a famosa ordem dada pelo Capitão dos Portos da Toscana, Itália, ao Capitão Francesco Schettino do navio Costa Concordia que havia naufragado algumas horas antes na costa oeste da Itália, deixando dezenas de mortos. Ele havia abandonado o navio, ainda com muitas pessoas a bordo, presas nos camarotes e porões, e ligou para o Capitão dos Portos para comunicar o episódio. Era fevereiro de 2012. O capitão do navio tem que estar a bordo num momento como esse, bradava o Capitão dos Portos.

Observamos um aumento significativo do número de funcionários que trabalham fora do escritório, normalmente em casa, nas grandes cidades. O precioso tempo desperdiçado nos trajetos casa/trabalho/casa nas metrópoles é a grande causa do fenômeno. A tecnologia da informação permitiu essa integração. Essa política é muito eficiente, mas é também eficaz? Há controvérsias. Inúmeros pontos contra e a favor do home office podem ser citados. Vamos explorar somente um deles: a formação de times com elementos remotos e a gestão dos mesmos.

Times de alto desempenho formados por funcionários em cidades e até países diferentes, que nunca se encontram pessoalmente, são muito comuns nos EUA e na Europa Ocidental. É possível fazê-lo também aqui no Brasil, mas respeitando-se a nossa origem latina que preza muito as relações cara a cara.

A maior força de um time é a sinergia que dele emana. Objetivos comuns, complementariedade de competências e afinidades pessoais sempre resultam em 1+1 ser maior de que 2. Conseguir isso estando longe fisicamente é um desafio, embora possível. Aí aparece a figura do Capitão, quero dizer, do Gestor.

Um elogio do gerente em público, uma conversa olho no olho após um erro ou um happy hour descontraído com o time não podem ser substituídos por e-mails, conferências por voz ou mesmo videoconferências. É possível montar equipes remotas no Brasil, mas em alguns momentos estarem todos juntos fisicamente é muito importante. Quanto mais jovem o time, mais a proximidade com o Gestor é relevante. Em tempos de crise, esse contato é vital. 

Dessa forma sugerimos que os gerentes, diretores e outros gestores esqueçam um pouco o smartphone e o notebook e estejam presentes junto a seus times. Não repitam o papelão do Capitão Schettino!


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