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Questão de escolha

Você quer deixar de existir no mundo virtual após sua morte?

Jonathan Baskin Publicado em 23 de Fevereiro de 2015 às 14h01
Você quer deixar de existir no mundo virtual após sua morte?

Facebook anunciou na última semana a possibilidade. Mas será que não existe um negócio por trás disso?

O Facebook anunciou na última semana que vai permitir que usuários da rede social designem sucessores para perpetuar suas contas após a morte. Segundo comentou Donna Leinwand Leger, no jornal USA Today, “as famílias há muito lutavam por uma forma de dispor dos bens pessoais digitais de um familiar falecido. Poucos estados nos Estados Unidos têm leis que regem autoridade sobre bens digitais. A Virginia, em 2013, aprovou uma lei que permite que os pais ou responsáveis assumam o controle de contas on-line de uma criança ou adolescentes mortos”.

Donna diz ainda que “Zogby Poll descobriu em janeiro que a maioria dos adultos tem algumas preocupações sobre o que acontece com a sua presença digital depois que morrem. O levantamento ouviu 1.012 adultos e identificou que 71% querem que comunicações on-line mantenham-se privadas, a menos que eles deem consentimento prévio, e 43% querem que suas contas em serviços on-line sejam excluídas a menos que tenham dado o consentimento antes para que alguém possa acessá-las”.

A interpretação do movimento é que o Facebook é uma comunidade na qual os sobreviventes de luto querem continuar a honrar as pessoas que perderam (a empresa informa que recebeu muitos desses pedidos). Como os usuários têm de autorizar o serviço antes, ele também lida com os mesmos sentimentos sinceros que ditam suas lápides, acredito eu.

O Facebook não é um negócio voltado para caridade, ele busca monetizar as pessoas - a cada ação on-line, na verdade - por isso a minha aposta é que há um modelo financeiro subjacente nesse gesto.

E se forem utilizados os dados sobre os visitantes das páginas dos falecidos para mostrar produtos e serviços, já que eles fazem parte de grupos demográficos? Conclusões como coação emocional mais profunda com base em Big Data podem ser feitas a partir das visitas frequentes a página e comentários. 

Além disso, lembre-se de que conexões entre usuários são tão importantes e lucrativas quanto seus comportamentos, de modo que uma página ‘memorial’ poderia revelar profundas ligações históricas entre os usuários que não poderiam ter tido qualquer relação até então.

Não seria surpreendente se o Facebook, de forma pró-ativa, declarasse que os mortos poderiam optar por não participar de seus planos de monetização?
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Sobre o blog

O que está por trás da tecnologia? Como entender os temas atuais sem ficar imerso no famoso tecniquês? Jonathan Baskin do Arcadia Communications Lab, empresa de design de comunicação, responde essas dúvidas em seu blog

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