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Cloud Computing

A sua jornada para a nuvem também é uma mudança Cultural

Daniel Rosa Publicado em 07 de Julho de 2016 às 12h05

Fazer as coisas como fazemos hoje em nossos datacenters certamente nos limitará na obtenção de todos os benefícios que a nuvem pode nos proporcionar.


Em um passado não muito distante a resposta que as empresas buscavam era se elas iriam ou não para a nuvem, agora, a reposta a ser dada é quando iremos e como iremos para a nuvem.


A jornada para a nuvem é um caminho longo e único. O que definirá este caminho será o resultado de uma análise do seu ambiente atual, dos seus requisitos para migração e dos seus objetivos com a nuvem.


Para atingir este objetivo você terá que pensar em qual será o seu foco. Estaria ele na busca por inovação ou na redução dos custos? Dependendo da sua escolha o caminho nesta jornada será diferente. Ao pensar em inovação você estará trilhando um caminho baseado na redução da complexidade, no experimental, no crescimento que a nuvem pode lhe proporcionar e principalmente nas possibilidades de diversificação de negócios. Ao se pensar em redução de custo, o caminho a ser trilhado estará mais relacionado em melhorar a qualidade dos serviços que a sua TI já oferece hoje. É possível trilhar os dois caminhos? Sim. Por isto, a recomendação é adequar a sua TI para um conceito de TI Bimodal.


Diversos pontos irão permear a sua jornada para a nuvem, processos deverão ser adaptados, novos processos serão introduzidos e o seu time de desenvolvimento deverá trabalhar mais próximo do time de operações. Outros fatores como pessoas, tecnologias, segurança da informação, e a operação da nuvem também deverão ser avaliados e tratados de maneira particular por cada organização. Porém há um fator em comum está relacionado à mudança cultural no qual a nuvem nos remete. Fazer as coisas como fazemos hoje em nossos datacenters certamente nos limitará na obtenção de todos os benefícios que a nuvem pode nos proporcionar.


A nuvem introduz novas oportunidades e representa uma mudança radical de como as tecnologias são obtidas, utilizadas e gerenciadas, assim como, a maneira na qual as empresas e seus usuários consomem e pagam pelo seu uso. Esta mudança cultural deverá ser disseminada para dentro da TI e para a organização como um todo. Muitas vezes a mudança mais difícil poderá ocorrer até mesmo dentro da própria TI.


É fato que ao longo dos anos a TI se transformou em uma área estratégica nas organizações, tal importância e impacto nos processos organizacionais levaram as equipes de TI a criarem processos e modelos de governanças complexos a fim de blindar a própria TI dos possíveis problemas que certamente impactam a organização e geram prejuízos financeiros e, muitas vezes os impactos são catastróficos e afetam a marca e a reputação das organizações. Obviamente que os processos deverão existir mesmo com o uso da nuvem. Mas será que os processos e os modelos de governança atuais fazem sentido quando falamos em nuvem? Será que os processos e modelos de governança da TI estão alinhados aos processos e modelos de governança da organização? Será que a estratégia de nuvem está em linha com a estratégia da organização? Manter os modelos atuais não irá nos limitar quanto aos benefícios da nuvem?


A jornada para a nuvem certamente irá impactar a estrutura organizacional da sua TI, talvez até a estrutura organizacional da sua empresa. Novas habilidades e competências deverão ser desenvolvidas. Evangelizadores e entusiastas da nuvem terão um papel fundamental para disseminar a cultura dentro da organização. A adoção de métodos ágeis na gestão dos projetos será fundamental para transicionar os workloads desta jornada e os riscos deverão ser compartilhados e não ignorados. Criar estratégias que incluam o planejamento, descoberta, análise, migração e otimização de custo serão fundamentais para esta jornada.


Para muitas organizações os benefícios da nuvem serão percebidos apenas no médio ou longo prazo, por este motivo, é importante que os gestores entendam que durante um tempo haverá uma “bolha de migração”, onde os custos poderão se elevar devido a necessidade de criar ambientes duplicados, investir em treinamentos, contratar consultorias, comprar ferramentas e adequar aplicações e sistemas para as características da nuvem. A cultura de que a nuvem já proporciona redução de custo no momento zero muitas vezes não é verdade. Os usuários serão impactados diretamente na experiência de uso dos serviços, obterão novos benefícios e terão maiores autonomias em relação as ferramentas que utilizam hoje, tudo isto gera um potencial extra na produtividade das equipes, mas novamente, nossos usuários também não poderão continuar trabalhando da mesma maneira que trabalham hoje, a curva de aprendizagem na nova forma de uso dos serviços levará tempo, esforço e necessidade de investimentos em treinamentos.


Independentemente do provedor de Cloud que você definir, estas mudanças culturais deverão ser discutidas e consideradas dentro e fora da TI. A jornada para a nuvem não é algo exclusivo da TI, é necessário o engajamento de diversas áreas da organização. O caminho é longo e único e a mudança não é apenas das tecnologias, a mudança também é cultural, caso contrário sua nuvem continuará sendo igual ao seu datacenter local e os benefícios da nuvem jamais serão conhecidos.



Autor: Daniel Rosa

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Sobre o blog

Consultor de arquitetura e serviços em TI, Daniel Rosa usará este espaço para falar sobre inovações e tendências na área de TI. Esporadicamente, publicará alguns conteúdos relacionados à sua área de conhecimento: arquitetura corporativa.

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