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2025: a vez da Sociedade Inteligente

Na Smart Society variadas tecnologias irão interagir e se beneficiar uma da outra

Renato Botto*

19/03/2019 às 12h30

Foto: Shutterstock

A sociedade está em um desses momentos em que muitas inovações se apresentam numa curva ascendente de consolidação e uso, que muito provavelmente ainda não chegaram ao seu hype. Essas várias tecnologias detêm muitas análises que as detalham de toda forma, interpretando como serão usadas na sociedade. O que é certo é que elas irão interagir e se beneficiar uma da outra quando aplicadas.

Com esse fim, criamos uma tabela com esses assuntos muito discutidos, ou o melhor, projetamos via um desenho de frameworks típicos de arquiteturas de referência. A ideia é pensar não só em cada uma das tecnologias, mas aprofundar suas inter-relações, já que num futuro não tão distante, elas comporão o que estamos chamando de “Smart Society 2025”.

Por essa razão, é realmente interessante observar o crescimento dessas tecnologias inovadoras para estruturar e propor o que seria a base de uma nova sociedade. Para esta sociedade inteligente, num futuro próximo, nós dividiremos a análise em dois tipos de usos, ou tópicos. O primeiro será com aplicativos inteligentes e dados; e o segundo, com processos autônomos. Também, dois aspectos atingirão essa sociedade – um volume sem precedentes e uma grande riqueza de informações.

Novas aplicações em um conjunto de dados heterogêneos, bem classificados e de grande volume, darão uma característica muito transformadora para a sociedade moderna. A forma como consumimos informações hoje e confiamos nas aplicações do dia a dia será muito mais intensa e transparente. Isso já faz parte em boa medida na vida cotidiana e temos nos adaptado a isso de maneira natural. O uso de tecnologia se reflete de forma disruptiva no comportamento. As novas aplicações baseadas em dados muito mais ricos se integrarão de maneira mais suave e mais acoplada na nossa rotina.

Para isso, contamos com o desenvolvimento de muitos fundamentos tecnológicos. Destacamos neste Framework, no segmento de aplicações e dados, três deles, comuns em toda discussão de inovação: Internet das Coisas, Cloud Computing e 5G.

A internet das coisas, com um volume diversificado de dados, será um grande facilitador desta integração do dia a dia com o comportamento humano, uma vez que carros, casas, wearables e muitas outras “coisas” conectadas nos ajudarão a viver nesta nova sociedade.

Os dispositivos que comumente usamos hoje – os tablets e smartphones – obviamente não deixarão de existir. No entanto, eles serão bem complementados por esses aplicativos que afetam a vida cotidiana de maneira mais transparente. Isso trará um comportamento menos intrusivo, via devices na sociedade. Ou seja, haverá outras formas de conexão e integração na rede que não são por meio de um uso ativado fisicamente por dispositivos móveis.

Podemos sempre pensar que o desenvolvimento econômico é necessário em paralelo. E sim, um desenvolvimento diferente para cada região, para cada nação. Mas, ao mesmo tempo, podemos ver que a onda da tecnologia sempre atinge todas as sociedades cedo ou tarde.

Outro elemento importante é a cloud computing que suporta esses aplicativos inteligentes. Ou melhor, aplicativos mais inteligentes. Mais dados estarão disponíveis de forma segura, de preferência, fora do ambiente de armazenamento local. Ou seja, fora da infraestrutura pessoal em si, mas na nuvem. Ainda há muito para discutir o que é considerado anônimo, o que é considerado “correto” em armazenar, para cada pessoa ou empresa. Mas certamente, a partir de benefícios recíprocos, esses dados serão cada vez mais utilizados, necessariamente acompanhados por regulatórios que também precisarão evoluir, para que tudo ocorra como cada sociedade a seu tempo exige.

A computação em nuvem já está causando uma mudança nas empresas de tecnologia dominantes no mercado. Toda grande onda tecnológica pode causar isso e geralmente causa. Apostar antecipadamente em novas tecnologias aumenta muito essa chance de desempenhar um papel fundamental entre fornecedores de software, de aplicações gerais ou de processos na futura sociedade inteligente.

O que irá então se desenvolver não serão apenas as tecnologias de computação em nuvem, no foco do acesso e da troca de informações, mas também os processos cruzados entre os detentores de informações qualificadas na nuvem.

Também vemos uma revolução das telecomunicações se aproximando, que é o advento da nova geração 5G. De fato, muito importante permitir que esta sociedade obtenha uma infraestrutura viável, compatível com o desempenho e a largura de banda exigidos para este novo Framework. Também transformadora para o mundo das telecomunicações, para os fornecedores e para as CSPs, o 5G se aprofunda neste mundo regido por OTTs, de empresas de software e da nuvem. Pelo menos isso permitirá essa possibilidade. Ou, para uma ótica mais aguda, isso será exigido para a própria sobrevivência.

Redes definidas por software (Software-Defined Networks), fragmentação de funções, uso de aprendizado de máquina, análise preditiva... todos esses itens estarão presentes para suportar a camada de aplicação e dados inteligentes e assim interagir com todas essas tecnologias mencionadas.

Por outro lado, segundo na parte direita do nosso framework, os processos autônomosserão comuns em toda a sociedade. A necessidade de interação low-level, como é feita hoje, está se tornando cada vez menos necessária. Processos que terão uma “garantia” ou certificação de cada fornecedor para cada item transacionado irão mais e mais governar o comportamento das pessoas.

A credibilidade e reputação desses novos processos estão relacionadas às empresas que estarão presentes em cada um dos setores industriais e de serviços verticais. Por exemplo, a área de saúde terá players consolidados que apostam na nova tecnologia, mas também mantêm sua reputação de serviços e responsabilidade de qualidade, uma vez que combinados esses fatores, certamente trará uma grande adesão para essa nova sociedade.

Podemos imaginar o mesmo para as áreas financeira, telecomunicações, transporte etc. Processos com inteligência, abundância de dados e transações seguras serão essenciais para que esta roda funcione de maneira engrenada.

Blockchain, big data analytics e inteligência artificial

Assim, também citamos aqui três tecnologias importantes para apoiar esses processos autônomos: blockchain, big data analytics e inteligência artificial.

Blockchain, que já suporta em seu nascimento, operações com as célebres criptomoedas, tem o ponto de vista comum entre os analistas de mercado por sua segurança, facilidade de acesso e descentralização. O blockchain já é utilizado por variados setores e diversos inovadores na construção de processos e software.

As características do blockchain combinam muito bem com este mundo mais descentralizado, menos acoplado a dispositivos físicos. Ou seja, um usuário pode estar caminhando e, ao mesmo tempo, participar de transações seguras, certificadas por uma camada especializada. Mas, ao mesmo tempo, descentralizada, dissociando-se (a si mesma) dos detentores típicos do processo final, como vemos hoje.

Não há escassez de exposições que apostam fortemente no blockchain hoje e há aqueles que o defendem como uma grande revolução em termos de processos. Mas queremos acrescentar aqui como o blockchain irá interagir muito bem com todas as tecnologias que suportam a sociedade inteligente. E como cada uma dessas tecnologias de apoio, por sua vez, impulsiona as outras.

Por exemplo, a inteligência artificial beneficia e suporta o blockchain para evolução de transações e análise de registros, com partes inteligentes de software e processos que permearão essas transações seguras. Quando o processo aprende a partir de seu próprio uso, o gerenciamento aprimorado é fornecido. E então, os próprios processos se tornam melhores. E no caso, também se tornam mais autônomos.

Além disso, o big data analytics é uma tecnologia já bem estabelecida. Mas será estabelecida de forma expandida, mais integrada do que hoje na nuvem, com informações de “Coisas Conectadas” de maneira mais eficaz.

Poderíamos imaginar o big data analytics como uma classificação inteligente de dados, mas achamos ainda mais importante vinculá-lo ao processo autônomo ou explorar sua parte analítica. É justamente aí que precisaremos de uma grande capacidade para digerir toda a informação e a resposta será um Big Data em pleno funcionamento na nuvem, utilizando as coisas conectadas de forma extensa e com Inteligência Artificial acoplada em seus relatórios, análises e inferências.

Naturalmente, todas essas interações merecem uma análise dedicada e é interessante pensar em como cada bloco atua entre si. Algo que será feito em todos os lugares, mas ao mesmo tempo precisamos pensar em como nossa sociedade irá se comportar com tantas inovações. Para isso, precisamos olhar não um por um, mas todas essas inovações trabalhando juntas, para entender o comportamento futuro e as interações sociais.

Mudanças no perfil técnico dos colaboradores em todos os setores, mudanças nas interações sociais em momentos dentro ou fora do trabalho, mudanças no uso de todos os dispositivos materiais que nos cercam, desde os da casa inteligente, os carros conectados, wearables, e até mesmo a indústria nascente de robôs.

Ainda não podemos dizer se a sociedade se parecerá com alguma visão de filme de ficção ou ensaio futurista. Bem, isso vai aparecer em breve. Mas precisamos estar preparados para essa Smart Society que virá nos próximos anos.

*Renato Botto é consultor de pré-vendas na Open Labs SA

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