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5 respostas vazias que os recrutadores estão cansados de ouvir

Page Talent analisa os argumentos que devem ser evitados por candidatos a programas de estágio e trainee de todo o Brasil

Redação

24/04/2018 às 8h31

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É possível um jovem ser ao mesmo tempo perfeccionista, superproativo, amar trabalhar em equipe e gostar de qualquer tarefa no trabalho? “Possível é, porém, como seres humanos, sabemos que é natural a ansiedade dos jovens ao tentar responder tudo de modo impecável em processos seletivos. A preocupação deles é saudável, mas o problema começa quando as suas respostas perdem conexão com a realidade objetiva. E isso não apenas dos fatos, mas da própria vida dos candidatos", afirma Juliana França, coordenadora de projetos da Page Talent, consultoria especializada no recrutamento de estagiários e trainees, unidade de negócios da Page Personnel e parte do PageGroup.

Segundo ela, no entanto, exageros nos relatos de virtudes e possíveis pontos de aprendizado, clichês de comportamento e falta de transparência podem eliminar até mesmo um talento em potencial. "As empresas buscam habilidades, mas cada vez mais apostam no perfil humano, no potencial de crescimento dos jovens, e por isso não é aceitável tentar enrolar os recrutadores com argumentos que claramente não são verdadeiros, inclusive, pelo horizonte de crescimento normal de qualquer jovem. Definitivamente não existem respostas mágicas e fórmulas prontas para conseguir o primeiro emprego”, conta.

Confira análise da consultora Juliana sobre as respostas vazias mais comuns em processos seletivos no Brasil e como os jovens devem fugir desse padrão:

1. Meu maior defeito é ser (muito) perfeccionista

“É possível que todas as pessoas já tenham pensado nessa resposta alguma vez na vida, mas sabemos que esse jamais será o maior defeito – ou melhor – ponto de aprendizado de uma pessoa. A própria ideia de relatar um defeito está perdendo relevância. As grandes companhias querem saber o nível de informação, cultura, engajamento, senso crítico e potencial de liderança dos jovens.

Perfeccionismo é algo muito distante dos primeiros anos de vida profissional. Ao ser perguntado sobre as suas dificuldades, o jovem deve responder de modo claro e verdadeiro e explicar o porquê de cada aspecto. É fundamental demonstrar autoconhecimento e vocação para reflexão e aprendizado”, comenta a especialista em recrutamento de jovens da Page Talent.

2. Eu sou (muito) proativo

“Isso é ótimo, mas a questão aqui é: como ilustrar essa virtude? Melhor do que apenas falar, é fundamental na verdade que o jovem saiba dar exemplos reais de seu nível de proatividade, paixão ou interesse pela área escolhida e pela empresa na qual está sendo avaliado. É preciso demonstrar para os recrutadores o que é ser proativo na visão do jovem que evidenciou essa qualidade. Proatividade é uma qualidade muito aberta. Proativo especificamente em que? Falar com pessoas? Estudar sistemas? Analisar dados? Convencer colegas? É preciso ir além da obviedade contida no termo”, explica Juliana França.

3. Eu não sei...

“O jovem não precisa ter medo de pedir um tempo para pensar. Uma entrevista de emprego não é game de YouTube ou programa de televisão. É importante se empenhar em compreender as perguntas e elaborar minimamente as respostas. Falar simplesmente eu não sei é péssimo. Por mais que haja nervosismo envolvido, não é saudável ser tão breve, e demonstrar incapacidade de improvisar ou de simplesmente olhar a pergunta por outro aspecto. Tentar é muito melhor do que desistir. Grandes empresas não fazem pegadinhas e perguntas sem propósito, pois investem dinheiro e tempo para criar avaliações consistentes sobre os futuros contratados. Portanto, é fundamental que o jovem compreenda o valor de sua presença naquele momento”, diz a coordenadora de projetos da Page Talent.

4. Sou muito ansioso

“A gente brinca que no mundo de hoje, anormal seria se alguém dissesse não ter nenhum grau ou experiência de ansiedade. Isso é óbvio. Porém, é chato quando o recrutador tenta compreender algum ponto de melhoria do jovem candidato e ele se limita a dizer que é ansioso. Não é legal. O correto é explicar o que lhe causa ansiedade: relatório, falar ao telefone, se apresentar em público, enfim, é preciso de generosidade para se apresentar de modo mais completo e profissional. Todos nós somos ansiosos, o mais importante é trabalharmos os motivos”, confirma a coordenadora de projetos.

5. Não tive tempo de olhar

“Essa é uma resposta banal e indesculpável. É claro, o jovem candidato não precisa passar a noite em claro em um processo seletivo para decorar dados etc. Não, não é o ponto. Porém, simplesmente dizer que não teve tempo de buscar alguma informação, é realmente indesejado. É importante se dedicar a compreender a empresa e o setor para o qual irá trabalhar. Não há problema algum em dizer que buscou algo, mas não conseguiu encontrar, é até uma oportunidade para tirar dúvida. O duro é demonstrar pouca disposição, tédio ou o pior de todos, falta de cultura geral sobre o tema em questão”, finaliza Juliana França.

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