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A transformação digital começa com mudança de comportamento

O processo tem que envolver o capital humano para conseguir ser bem-sucedido e alavancar o crescimento da empresa

David Santos*

26/04/2019 às 18h14

Foto: Shutterstock

A transformação digital é um processo pelo qual as empresas fazem uso da tecnologia para melhorar o desempenho, garantir melhores resultados e melhorar a relação entre sua marca e o consumidor. É uma mudança estrutural, podendo-se quase afirmar de 'mindset' das organizações, dando um papel essencial/fundamental para a tecnologia.

É um processo que se inicia fora delas. Assim, quando alguma nova tecnologia surge e de alguma forma cria-se uma oportunidade que pode gerar uma vantagem competitiva para o negócio, ou algum tipo de ameaça pode colocar em ‘check’ seu negócio, podemos entender que se cria uma oportunidade para falarmos sobre o assunto.

Algumas empresas brasileiras ainda pensam que essa transformação se trata de informatizar alguma coisa. O maior desafio está em ajudar os clientes a repensar o projeto, já que muitas vezes recebemos demandas com definições praticamente prontas. Não vamos automatizar algo no mundo físico, vamos construir um negócio que já nasce com um 'mindset digital', gestão e usuário digital. Quando conseguimos fazer que os clientes enxerguem o método dessa forma, os projetos ficam mais assertivos, mais rápidos e mais baratos.

A transformação digital pode e deve ser interpretada em três camadas

1. Operações

Aqui é o momento que penso em otimização, melhoria nos processos, fluxos, impactos relativos ao dia a dia do seu negócio etc.

2. Experiência do cliente

Quando aplicamos a transformação digital apenas a camada de operação, muitas das melhorias não são visualizadas e percebidas pelo consumidor. Então, a experiencia do cliente na minha opinião é o ponto chave da transformação digital, é onde de fato seu “esforço” em entregar o melhor é percebido pelo consumidor final.

3. Modelo de negócio

É quando olhamos para o negócio existente considerando os pontos citados acima como um novo olhar, levando em conta o aprendizado necessário que originou a transformação.

Transformação digital é só para grandes empresas?

Obviamente não. As startups já nascem com esse olhar digital, se reinventando e reaprendendo constantemente, é uma questão de sobrevivência neste século. Quando falamos de desenvolvimento de software, estamos falando de pessoas que criam sistemas para facilitar, agilizar e melhorar a vida de outras pessoas e delas mesmas. Logo, essa transformação está intrinsecamente envolvida em todo esse processo que é desenvolver um sistema de forma sustentável, utilizando as melhores e mais adequadas ferramentas para cada situação e que no final de tudo isso, faça, de fato, a diferença para os usuários.

Acredito fortemente que a transformação está mais ligada a um pensamento inovador, olhar crítico dentro das três camadas, do que é praticado ou processos a serem seguidos. Sugiro aqui o investimento em pessoas, que possuam essas características. Na minha opinião, a transformação digital não é igual um ERP que você compra, implanta e logo sua empresa melhora. Ela está relacionada a como a empresa encara o mercado e se conecta com os clientes, ou melhor, como o cliente enxerga a empresa.

Se tiver que citar uma fórmula para a transformação digital nas empresas, aqui vai:

• Ingrediente 1: uma nova tecnologia.

• Ingrediente 2: uma oportunidade de melhoria estratégica identificada.

• Ingrediente 3: causar mudanças significativas em um ou mais destes pontos:

o Experiência do usuário;
o Processos e funcionários;
o Modelo de negócio.

Um exemplo legal é o nascimento do Netflix, que se deu por conta de uma transformação que a Blockbuster não conseguiu enxergar a tempo. Ela aplicou à risca as três camadas citadas acima.

Antes de fazer qualquer investimento em tecnologia, certificação, falar que vai colocar todo mundo para correr de maneira “ágil" etc. É preciso saber onde quer chegar, e para saber onde quer chegar minimamente você precisa saber onde está HOJE, e por incrível que pareça muitos não sabem.

Como fazer isso? Sendo consumidor! É preciso pensar como a nova geração pensa, consome, interage e principalmente como ela conduzirá o mundo novo daqui para frente.

*David Santos é diretor executivo e CEO da DB1 T Services, uma empresa Grupo DB1.

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