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Portal monitora volume de água no semiárido

Portal monitora volume de água no semiárido

Lançado pelo Insa, Olho N'Água acompanha níveis de 452 reservatórios da região

O Instituto Nacional do Semiárido (Insa), unidade de pesquisa do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), lançou uma plataforma digital de monitoramento e comparação histórica do volume de água dos reservatórios localizados no semiárido brasileiro. Desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o Olho N'Água começou a funcionar na última semana.

Salomão Medeiros, diretor do Insa, diz que a plataforma aproxima o cidadão de sua realidade por meio das informações. “A gente fica mais empoderado quando sabe de fato a situação e o histórico do reservatório que abastece a cidade onde mora, porque consegue pensar suas condições hídricas, se elas se repetem e para onde estamos indo, a partir de dados, não apenas com histórias que nos contam”, afirma.

A plataforma Olho N'Água integra o Sistema de Gestão da Informação e do Conhecimento do Semiárido Brasileiro (Sigsab), que reúne e disponibiliza dados econômicos, sociais, ambientais e da infraestrutura da região. O sistema se baseia no monitoramento hídrico mensal da Agência Nacional de Águas (ANA), Departamento Nacional de Obras Contra a Seca (Dnocs), Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (Aesa), Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos do Ceará (Cogerh), Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme), Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema) e Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos do Rio Grande do Norte (Semarh-RN).

“Isso contribui para o controle social, para que a população discuta com o gestor responsável acerca do manejo da água, do planejamento e da preocupação com a provisão. A proposta da ferramenta é envolver a sociedade nesse debate”, acrescenta o diretor.

A portal acompanha e compartilha informações em mapas atualizados sobre a disponibilidade de água em 452 reservatórios distribuídos na porção semiárida de nove estados brasileiros: Alagoas, Bahia, Ceará, Minas Gerais, Paraíba, Pernambuco, Piauí, Rio Grande do Norte e Sergipe. Os açudes abastecem cerca de 24 milhões de habitantes e totalizam uma capacidade máxima de armazenamento de 40.256 hectômetros cúbicos (hm³).

O Insa iniciou, ainda no primeiro semestre de 2016, um trabalho de acompanhamento da situação hídrica da região. “Nesses últimos três meses, surgiu essa versão do projeto, na qual a gente continua trabalhando, em parceria com a UFCG, para estender nessa direção de pegar o que o instituto já fazia e transformar em um projeto mais acessível ao público leigo, para todo habitante da região que conviva com a falta d'água”, relata Medeiros. “A gente uniu a expertise técnica sobre hidrologia do Insa com a tradução dos dados da UFCG, para que a população entenda, acompanhe, compare.”

Agravante da seca

De acordo com a última medição, 243 reservatórios operam com menos de 10% da capacidade, e somente 32 dos 452 monitorados têm mais de 50% de armazenamento. O sistema ainda não dispõe de informações sobre outros 92 açudes da região.

“A situação, no geral, é bastante crítica”, avalia o diretor do Insa. “Estou em Campina Grande e esta é a pior crise hídrica dos últimos 20 anos. A gente convive com racionamento d'água, assim como em Pernambuco. Então, a disponibilidade está bastante baixa e essa é uma das razões pelas quais o sistema é necessário, urgente.”

A plataforma traz recortes estaduais e dados específicos de cada reservatório, como a capacidade de armazenamento, o volume atual, a tendência dos últimos seis meses e o histórico de anos anteriores. “Você pode ver onde estão as piores situações, pensar por região, procurar os reservatórios próximos de seu município, saber onde estão os maiores açudes”, explica.

Medeiros cita o caso do açude Boqueirão, que abastece Campina Grande (PB), hoje com falta d'água. “Muito se discute como se fosse uma situação anormal, mas, quando a gente olha o histórico do reservatório, vê que, há uma década, o mesmo problema aconteceu”, destaca.

“É possível ver, pelo sistema, como os ciclos de seca extrema acontecem a cada 10 ou 15 anos. E eu acho que o entendimento disso é importante para a população, porque a gente convive com o problema, mas às vezes não tem essa informação sistematizada para entender, para colocar o problema em perspectiva e discuti-lo. Um dos objetivos é envolver a população no acompanhamento e no controle social, por meio do aumento da transparência e da facilitação do acesso aos dados.”

*Com informações do MCTIC

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