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Até onde o propósito pode nos levar?

Uma viagem impactante ao interior da Floresta Amazônica

Volker Reinert*

24/05/2019 às 7h25

Foto: Shutterstock

Em uma recente viagem ao Brasil, conheci Roberto, que é da região amazônica e, por mais de 20 anos, cortou madeira para sobreviver na comunidade de Tumbira. Ele não era o único - outras pessoas de sua aldeia simplesmente não sabiam fazer algo melhor até conhecerem a equipe da Fundação Amazônia Sustentável (FAS).

A FAS é uma organização não governamental brasileira cujo objetivo é promover uma melhor qualidade de vida para comunidades no Amazonas com base em práticas de sustentabilidade, preservação ambiental, treinamentos de qualificação profissional e outras iniciativas. Depois de ser treinado pela FAS, incluindo capacitação tecnológica, Roberto se tornou um empreendedor com um modo de vida completamente diferente. A ONG visa melhorar a vida das pessoas em todas as comunidades em torno da floresta, incluindo a de Roberto. Cumprir essa missão é uma grande façanha, quando se considera que a bacia amazônica abrange cerca de 6 milhões de quilômetros quadrados e que as comunidades estão espalhadas por toda a extensa floresta.

Para dar uma noção dessa grandeza, devo começar explicando que Tumbira é uma vila ribeirinha bastante remota na região amazônica, não visitada regularmente por muitas pessoas. Para chegar até lá, depois que desembarquei em São Paulo, peguei um voo de três horas para Manaus e, em seguida, duas horas e meia de lancha rápida em uma viagem pela Floresta Amazônica, que abriga 40 mil espécies de plantas e árvores e aproximadamente 20% da fauna do planeta.

Do ponto de vista logístico, chegar até Tumbira foi um tanto desafiador. Levando em conta essa experiência, determinamos que uma área importante do trabalho da FAS seria ajudar essas comunidades ribeirinhas a superar os obstáculos de logística que podem afetar seus negócios. Convidamos especialistas em gestão e ‘design thinking’- não só nossa, mas também de outras empresas, startups e da própria FAS - a participar desse esforço.

Essa primeira visita à FAS nos deu grande riqueza de conhecimento sobre como ajudá-los a promover o empreendedorismo e apoiar o desenvolvimento de projetos de negócio nessas comunidades. Posteriormente, vimos como os ribeirinhos estão desenvolvendo novas habilidades digitais, explorando uma nova visão de negócio e descobrindo outros usos para os itens que produzem, como os óleos de semente.

E tenho o prazer de informar que Roberto não derruba árvores há mais de 10 anos! Ele é um empresário bem-sucedido, dono de pousada desde 2012. Ganha mais dinheiro do que antes, vive do turismo em sua comunidade, levando uma vida melhor e oferecendo a outras pessoas oportunidade para também ter. Nesse processo, tornou-se um defensor convicto da sustentabilidade e é um ativista ambiental muito conhecido na região, focado na criação de um futuro melhor e mais sustentável para sua comunidade.

É uma experiência incrível ver como os moradores de comunidades ribeirinhas isoladas têm aprendido a valorizar as riquezas da região e como eles vivem com um profundo sentimento de propósito. Quando entrei na lancha que me levou até à comunidade de Roberto, não sabia o que viria pela frente. A história deles abriu meus olhos para mostrar como podemos impactar e transformar verdadeiramente a vida das pessoas e tornar o mundo um lugar melhor. Simplesmente, não existem limites para o que podemos fazer, nem mesmo nos lugares mais afastados da Floresta Amazônica!

*Volker Reinert é COO Latin America & Caribbean da SAP

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