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Big data precisa ser abraçado pelas áreas de negócios

Vitor Cavalcanti

03/05/2016 às 14h08

Big data precisa ser abraçado pelas áreas de negócios
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São poucas as empresas que realmente contam com um projeto de big data, extraindo desse investimento todo o benefício prometido pela indústria de tecnologia, principalmente no que diz respeito à tomada de decisões e às previsões mais acertadas sobre os mais diversos cenários de negócios. Mas se o investimento é feito, o que acontece para que essas iniciativas não gerem os resultados esperados? E mais, porque em muitos casos o projeto nem avança?

A resposta, na visão de Bill Schmarzo, CTO para a prática de Global Services em big data da EMC, é bastante simples: a discussão precisa deixar de ser apenas de TI para ser um debate de negócios. As demais áreas da empresa devem abraçar o tema, assim como o CIO o faz, mas nas questões relativas ao negócio e não à TI. 

"Muitas organizações ainda enfrentam dificuldades em estratégias de big data porque não colocam isso na estratégia corporativa”, comentou Schmarzo, em entrevista ao IT Forum 365 durante o EMC World, em Las Vegas. Mas mais que isso, as empresas, antes de investirem em projetos dessa natureza, precisam ter clareza da decisão a ser tomada.


Lembra daquela velha frase de que para um projeto de BI ou analytics deslanchar você precisa fazer as perguntas corretas? Isso não mudou. Se você não sabe o que precisa ser resolvido, a tecnologia não irá te ajudar, você terá apenas um amontoado de dados mais organizado e disponível para consulta, mas que, no final do dia, não diz muita coisa. “E isso acontece porque as conversas começam na tecnologia, quando deveriam começar com o negócio”, completa.

Durante a conversa, questionamos se em empresas onde a figura do CDO já existe é mais fácil esse diálogo acontecer, mas Schmarzo frisou que isso não é regra. Muito pelo contrário. Na visão do especialista, em muitas empresas, o CDO é apenas uma versão atualizada do CIO, quando deveria ser um Chief Digital Monetization Officer (CDMO), ou seja, uma pessoa que realmente enxergue valor financeiro nesse tipo de solução para melhor vender e engajar internamente.

"Precisamos ter pessoas de negócio adotando analytics, temos muito a fazer ainda em se tratando de levar a mensagem para empresas. Mas, em resumo, é isso. Se você não sabe a decisão que precisa tomar, o dado não vai te ajudar”, provocou, dizendo que as companhias de pequeno e médio porte tendem a ter mais sucesso nos projetos de big data porque as decisões são mais conjuntas e os orçamentos ainda mais apertados. 


Da parte da EMC, ele diz que aos poucos a empresa consegue chegar aos líderes das áreas de negócio para uma discussão mais estratégica. Centros de pesquisa no tema, como o que a fabricante mantém no Rio de Janeiro, também ajudam, principalmente no processo educacional.

Visão de negócio

Como se não bastasse o desafio de o negócio se engajar nessa empreitada, as companhias ainda têm outra questão a ser trabalhada: o profissional adequado. E aqui falamos dos cientistas de dados, essenciais em iniciativas de big data e fundamentais em empresas que vivenciam isso em suas rotinas. Lembra do desafio passado de que o CIO deveria deixar o perfil técnico para se assumir mais como executivo de negócio até para transitar melhor entre as áreas? Essa cena se repete hoje com o cientista de dados, mas, no caso atual, o desafio de fazer a virada é ainda maior.

“Como os profissionais das áreas de negócio não querem olhar para isso, o cientista de dados precisa pensar como uma pessoa de negócio, para gerar análises e saber fazer leitura dos dados”, avaliou Schmarzo. “E trata-se de um processo complicado porque eles são focados no que precisam fazer. São orgulhosos de suas capacidades analíticas, mas não colocam no contexto correto de negócios”, completou. 

Os dados estão ali para te ajudar a saber se um cliente vai te deixar e que tipo de ação pode ser tomada para evitar essa perda, assim como para avaliar produto a produto como está o desempenho e o que pode ser feito quando está abaixo da média, entre diversas outras aplicações. Mas, para isso, ou a área de negócio se envolve na formulação da problemática e na análise final, ou o cientista de dados terá de desenvolver essa capacidade extra que, como deixou claro o especialista, é tarefa ainda mais árdua do que foi aquela com CIOs no passado.


*O jornalista viajou a Las Vegas a convite da EMC

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