COMUNIDADE

A sustentabilidade das coisas: inovando com segurança

Grande onda da inovação tem nome e sobrenome: internet das coisas

Na história da humanidade, as inovações das diversas tecnologias sempre trouxeram melhorias e ganhos de eficiência às organizações e à sociedade em geral. Porém, as grandes evoluções sempre vieram acompanhadas de grandes desafios proporcionais às suas vantagens e benefícios; apenas para citar como exemplo, o acesso a smartphones por parte dos presos em penitenciárias, quando estes deveriam estar literalmente desconectados da sociedade.

Hoje em dia, a grande onda da inovação tem nome e sobrenome: Internet das Coisas. Cidades inteligentes, com melhoria da engenharia de transito em tempo real, bem como a gestão dinâmica de vagas de estacionamentos são apenas alguns exemplos. Nas organizações, principalmente na Indústria, existe um conceito oriundo da escola Alemã que apelidou a quarta onda de evolução de “Indústria 4.0” que faz uso da alta conectividade das máquinas, do conceito de comunicação “machine to machine” e da autonomia que as máquinas podem ter diante das decisões a serem tomadas.

Não é para menos; são diversos os estudos de órgãos, empresas e universidades que apontam para uma Internet multiconectada, com a expectativa de termos entre 30 a 50 bilhões de dispositivos conectados em 2020. Não são poucos os desafios a serem enfrentados, mas a proliferação de dispositivos em escala exponencial, com a certeza das diversas vulnerabilidades existentes, traz uma preocupação imensa e inédita do risco da segurança da informação para o avanço das tecnologias.

Estas vulnerabilidades hoje se dão em alguns campos já altamente dominados na estrutura e nas camadas de redes corporativas. Porém, ainda incipientes na estrutura de redes de IoT. Os dispositivos ou “coisas” atuais não possuem capacidade de processamento suficiente para estabelecer uma comunicação criptografada ou até mesmo a capacidade de armazenamento de trilhas de auditoria e relatórios de acessos, sem contar o desafio no descarte destes dispositivos e possíveis usos indevidos. Ainda no campo das vulnerabilidades, além da grande expansão aliada à enorme exposição, temos ainda um gigantesco desafio que é o da privacidade dos dados pessoais atrelados aos dispositivos.

De fato, a segurança da informação tem se tornado cada vez mais importante e um tema com cada vez mais relevância em diversos ambientes, haja vista a última reunião de Líderes Globais do “World Economic Forum”, em Davos na Suíça, no qual foi destacado que Cibersegurança é um tema de grande risco para todas as organizações e não somente para instituições financeiras.  Também foi ressaltado em Davos que ninguém esperava tamanha evolução no tema IoT (Internet of Things) ao longo do ano de 2016, tema este que já era uma preocupação no ano anterior.

Eu tive uma experiência pessoal que costumo abordar, pois exemplifica na prática a utilização de um dispositivo conectado ao “mundo virtual ¨agindo no “mundo real”. No final de 2014, em São Francisco, nos EUA, fui alugar um carro por um aplicativo chamado “Get Around” no qual os donos oferecem seus carros nas horas ociosas para serem alugados dentro do conceito de compartilhamento e uso mais sustentável. A surpresa foi que, quando cheguei no carro estacionado na rua, achei que teria uma pessoa para me entregar a chave, porém, quando olhei para o aplicativo novamente encontrei a foto da chave com o ícone “Unlock” e, ao clicar neste, a porta do automóvel se abriu.  Naquele momento, tive a certeza de que a segurança da informação seria fator crítico de sucesso para as inovações dos próximos anos, sendo que tal experiência exemplifica muito bem o assunto abordado neste artigo. Muitos amigos me perguntaram como liguei o carro… não foi pelo aplicativo, mas pelo botão de “start/stop”.

Sabemos, então, que a grande inovação da tecnologia nos próximos anos será a exploração de dispositivos que, ao estarem conectados diretamente à Internet e aos demais dispositivos, terão a capacidade de trazer automatizações espetaculares e aumentar significativamente a produtividade no dia a dia. Contudo, hoje temos a certeza de que a inovação e a segurança precisam andar juntas para criarem um mundo de inovações sustentáveis e de grande valor para a evolução da humanidade.


*Cesar Oliveira – Vale | Global Security Strategist e Membro GT de Segurança da ABINC.

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