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Formação e treinamento para a transformação digital

Como promover a formação de pessoas para a transformação digital?

Em meu artigo anterior discuti como a tecnologia está alterando radicalmente a natureza do trabalho dos executivos de negócios, pelo fato da questão da transformação digital confundir as fronteiras entre a gestão de negócios tradicionais e a tecnologia. Num futuro não muito distante, todos os executivos de negócios serão líderes tecnológicos.

“Um novo tipo de executivo é necessário para ajudar as grandes organizações a progredir com facilidade e sucesso através da transformação digital“, diz o Dr. Jim Hamill.

Para adequar-se a essa nova realidade as empresas mais maduras já estão revendo suas práticas de formação e treinamento de suas lideranças de hoje e amanhã.  A época em que os altos executivos podiam delegar questões de tecnologia para o pessoal técnico da área de TI já se foi, e a capacidade do executivo se posicionar como uma liderança digital confiável é fundamental para ser bem-sucedido.

As empresas já estão começando a levar mais à sério e com urgência a formação e treinamento de seus líderes e gestores como um instrumento fundamental para a jornada da transformação digital. Mas todas as vezes que converso sobre o tema sinto que existem muitas dúvidas sobre quais caminhos tomar. E essa pergunta sempre surge:

Como promover a formação de pessoas para a transformação digital?

1)Gestores

A demanda por educação executiva voltada para a questão da transformação digital nunca esteve tão alta. As principais escolas de negócios do mundo já têm pelo menos um programa voltado para esse público. Esses cursos de formação executiva englobam tanto competências “hard skills” como “soft skills” -Hard skills digitais tem foco na ciência de dados, analytics, tecnologias emergentes, etc., e por outro lado soft skills que se concentram na capacidade de liderança, comunicação e criatividade. Em questão de formatos, existem cursos à distância e presencial que podem variar de um encontro de um dia até um programa mais longo de 1 mês. A prática tem revelando que cursos com intervalos onde o executivo pode voltar para o seu ambiente de trabalho e se confrontar com a realidade são mais efetivos. Quando se trata de educação de transformação digital a formação deve migrar de modelos de aprendizagem tradicionais (transacionais) para um modelo de aprendizagem consistente e contínua.

 2)Analistas

Também é fundamental que a empresa prepare os seus analistas que serão envolvidos no desenvolvimento de novos produtos, serviços e unidades de negócios digitais. Esses profissionais devem ser treinados para a co-criação. Eles devem aprender sobre métodos como Design Thinking, Google Design Sprint e o MVP (Minimum Viable Product). Eles devem se sentir confortáveis e confiantes com uma cultura de cooperação, para assegurar um ambiente propício à criatividade e colaboração.

3)Talentos Digitais

Certa vez, um aluno que havia se graduado em administração de empresas estava em dúvida se havia feito a escolha certa ao fazer um MBA em Big Data e que se havia espaço para esse perfil de profissional no mercado. No mesmo momento respondi um incisivo SIM. Ao recrutar novas talentos digitais as empresas devem priorizar buscar profissionais com formação não “analógica”, ou seja, cursos como Programação ao invés de Ciência da Computação, Digital Business ao invés de Administração de empresas, Big Data ao invés de Supply Chain. Ou seja, devem preferir profissionais com formações digitais.

4)Coach Digital

A formação de um Coach Digital deve ser sem dúvida o principal foco de atenção e onde os esforços de educação e treinamento devem se concentrar. Trata-se de um agente que atuará como catalisador e facilitador de mudanças dentro da organização. Ele é um pré-requisito para um programa de transformação digital bem-sucedido.

Pode ser apenas uma pessoa ou um grupo, podendo chegar facilmente a 100 pessoas dentro de um contexto de uma grande organização. Esses agentes impulsionam a operacionalização da mudança digital, fornecendo suporte técnico e principalmente construindo redes internas e apoio na gestão da mudança. Eles são uma ponte entre o nível operacional executivo e a estratégia digital, e não permitem que as iniciativas fiquem paralisadas diante dos olhos céticos dos funcionários da organização.

A escolha desses profissionais deve ser feita com muito critério, pois além de terem conhecimento de tecnologia e gestão de negócios na era digital (eles devem ser treinados para isso) precisam também ter fortes habilidades de comunicação. É assim que eles podem inspirar e motivar as pessoas para vencer as resistências internas.

O investimento em formação e treinamento dos quatro grupos combinados é a chave de sucesso que torna a transformação digital uma realidade.

Paulo Santanaatua como consultor e professor de pós-graduação da FIAP.

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