COMUNIDADE

Eu, robô?

O robô já concorre no mercado de trabalho. Você está preparado?

A tão falada transformação digital começou, na verdade, em 1946 quando alguns engenheiros e matemáticos da Universidade da Pensilvânia conseguiram colocar para funcionar uma geringonça chamada ENIAC. Eles não imaginavam que estavam criando um dispositivo que iria modificar o mundo como poucos o fizeram nos 300 mil anos de existência do homo sapiens: o computador.

Desta data em diante os hardwares e softwares evoluíram cada vez mais rápido. Esta evolução hoje é tão vertiginosa que não é mais possível para qualquer usuário estar ciente de todas as tecnologias que ele tem a seu dispor. Graças aos sistemas digitais a produtividade média mundial de um trabalhador aumentou dezenas de vezes quando comparada à do trabalhador na época do surgimento do vovô ENIAC. Mas existem consequências preocupantes desta transformação digital.

Estima-se, em 15 anos, que 50% dos empregos atuais em todo o mundo sejam substituídos total ou parcialmente por processos digitais, incluindo robôs. Não se trata de futurologia do desastre, mas uma simples extrapolação do que já acontece hoje.

Robôs para realizar tarefas simples tiveram seu preço inicial reduzido de US$500K em 2007 para US$25K hoje. A Internet das Coisas (IoT) vitaminou a produção de robôs que deve chegar este ano a 250.000 unidades. Um crescimento de 15% ao ano.

No mercado brasileiro o impacto alcançará números estratosféricos. Em números de hoje seriam 60 milhões de empregos que desapareceriam.

Em todo o mundo estudam-se formas de recolocar estas pessoas no mercado de trabalho. A conclusão é de que a capacidade de recolocação de um trabalhador será em função do grau e qualidade de sua instrução.

Pessoas com formação completa no Ensino Médio ou Superior, preparadas para enfrentar mudanças, trabalhar em equipe e comunicarem-se bem têm grandes chances de mudarem de função e de até evoluírem na carreira neste novo mundo.

No Brasil o quadro educacional é desastroso, apesar dos avanços dos últimos anos. Estima-se que 40% da população com mais de 15 anos seja analfabeta absoluta ou funcional. Esses correm grande risco de verem robôs ocuparem seus lugares. Temos 20 anos, no máximo, para reverter este quadro. Será que nossos dirigentes estão pensando nisso?

Sergio Basilio é Diretor Comercial da Westcon Brasil

Comentários
As opiniões dos artigos/colunistas aqui publicados refletem unicamente a posição de seu autor, não caracterizando endosso, recomendação ou favorecimento por parte da IT Mídia ou quaisquer outros envolvidos nessa publicação.

Notícias Relacionadas

Copyright 2017 IT Mídia. Todos os direitos reservados.
É proibida qualquer forma de reutilização, distribuição, reprodução ou publicação parcial ou total deste conteúdo sem prévia autorização da IT Mídia.