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New Fiesta 1.0 Ecoboost – rápido, econômico e tecnológico

Test drive mostra todos os detalhes sobre o modelo da Ford

É incomum ter a oportunidade de fazer test drive duas vezes com o mesmo carro. Mas aconteceu desta vez e fez total sentido. Em 2016 pude testar o Ford New Fiesta 1.0 Ecoboost no autódromo Velo Cittá. Contei esta experiência no texto “Ford New Fiesta 1.0 Ecoboost turbo – test drive – agilidade de sobra!”. Eu o experimentei por algumas horas na estrada indo para o autódromo e na pista por algumas voltas. Agora (fevereiro de 2017) eu tive o carro por uma semana comigo, usando no dia a dia e assim tendo todos os referenciais de comparação com outros carros testados da mesma forma e carros que já possui.


figura 01 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium e seu moderno motor (clique para ampliar)

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Vídeo 01 – Experiência de estrada e principalmente de pista do Ford Fiesta Ecoboost 1.0

É importante logo no começo deste texto eliminar qualquer dúvida. O Fiesta 1.0 Ecoboost não é um carro popular. Esqueça tudo que conhecia de motor 1.0 porque este é extremamente potente, 125 CV, a mesma potência do motor 1.6 também usado neste carro. O desempenho do motor é diferenciado, mesmo quando comparado com outro veículo motorizado com motor 1.0 turbo, o VW UP 1.0 TSi que desenvolve 105 CV, menor e mais leve não concorre com o Fiesta Ecoboost, mas este “confronto” evidencia que o motor 1.0 turbo da Ford rende 20 CV a mais. Mesmo comparando com o bom 1.6 da Ford, a potência e o torque são entregues de forma mais efetiva.


figura 02 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium (clique para ampliar)
O test drive, impressões e constatações

Sabendo que ficaria com o carro por sete dias pude relaxar e desfrutar do New Fiesta com calma. Fiz do carro de teste “o meu carro” no dia a dia e isso faz toda a diferença. Assim me permiti olhar detalhes que que não olhara antes. Gostei muito da posição de dirigir, os bancos “vestem” muito bem o condutor. Estranhei um pouco no início porque meu carro atual tem posição um pouco mais elevada (outra categoria de carro). O painel de instrumentos também muito bem posicionado e intuitivo, todas as informações necessárias estão bem à mão. Seu espaço interno é muito bom, incluindo o banco traseiro que leva 2 adultos com grande conforto.


figura 03 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – interior (clique para ampliar)

Tive que me habituar a sair com o carro a partir da imobilidade exercitando a leveza e suavidade no acelerador porque suas respostas são bastante imediatas e muito ágeis. O câmbio automatizado de segunda geração, com dupla embreagem denominado PowerShift, que andou sendo fruto de comentários e algumas reclamações de clientes (em respeito ao cliente e preventivamente a Ford ampliou a garantia deste componente para 5 anos), portou-se magistralmente bem. A saber, o modelo testado tinha perto de 18 mil quilômetros rodados. As mudanças de marcha são muito suaves, sem trancos (que eram presentes em câmbios automatizados de primeira geração de outras marcas) e a troca de marcha ocorre de forma virtualmente imperceptível.

Quero aqui dar uma sugestão para a Ford. O câmbio tem o modo automático modo “D” (drive), para uso comum no dia a dia e modo “S” (Sport), que privilegia a condução mais esportiva (que usei no autódromo), esticando mais as marchas, tornando o carro ainda mais “esperto” do que já é. Mas mesmo em modo “D” (Drive), sem pisar tão fundo, a primeira e segunda marcha elevam um pouco mais a rotação. A primeira marcha vai até quase 3000 rpm enquanto a segunda marcha é esticada até um pouco mais de 2500 rpm. Isso é normal em nosso mercado, pois o motorista brasileiro aprecia um carro que saia com bastante agilidade e os fabricantes tendem a configurar seus câmbios dessa forma. Mas isso tem um preço. O consumo de combustível na cidade.

Segundo o PBEVEICULAR o consumo do New Fiesta 1.0 Ecoboost é de 12.2 Km/l na cidade e 15.3 Km/l na estrada. São valores fantásticos!! Mas lembro que o teste feito pelo Programa Brasileiro de Etiquetagem consiste de ciclos padronizados muito bem definidos que procuram se aproximar da vida real. O New Fiesta 1.0 Ecoboost ganhou classificação A (máxima nota) tanto em sua categoria como na comparação global, bem como conquistou o selo CONPET de eficiência energética (poucos são os carros que têm). Também conquistou nota máxima A para emissões de gases do escapamento (emissões mais baixas)! Isso tudo em um carro que pode acelerar de 0 a 100 Km/h em pouco mais de 9 segundos!!


figura 04 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – teste independente de consumo interior (clique para ampliar)

Isso é fantástico, mas penso que principalmente no uso urbano e em trânsito pesado, poderia ser ainda melhor! Pelo fato da primeira e segunda marcha serem curtas (sobem rotação rapidamente entre 2500 a 2900 rpm), em situação de trânsito “péssimo”, aquele anda e para por longo tempo, isso faz declinar a boa estatística de consumo. Já que nesta situação não é necessário desempenho, será que não se justificaria uma opção de câmbio “E” (economia) além de “D” (drive) e “S” (Sport)? Talvez algo mais simples, um botão para acionar um modo “ECOnômico”… Ou quem sabe se ao perceber este cenário o próprio Fiesta Ecoboost acionasse este modo avisando no painel. São ideias! E por fim, se tivesse o recurso “START-STOP” que interrompe o funcionamento do motor nas paradas, isso tudo poderia fazer do Fiesta Ecoboost ainda mais econômico na cidade do que já é!

Analisando outro lado da história, quando o motor pode ser explorado em velocidades aproximadamente constantes em vias de trânsito médio/rápido, o consumo instantâneo apontado pelo computador de borda oscila entre 25 Km/l até 60 Km/l (e 99 Km/l – quando se move pela inércia, sem acelerar). Após quase 400 Km percorridos em percurso urbano, a média do consumo foi de 10.0 Km/l (sempre com gasolina pois este motor não é flex). Lembro que peguei poucas vezes vias de média velocidade e muito, mas muito trânsito pesado. Achei que nessas condições o consumo foi MUITO BOM, mas se o câmbio tivesse um modo mais “manso” para ser usado no trânsito, seria ainda melhor!


figura 05 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – consumo instantâneo

Falei rapidamente do câmbio, mas preciso reforçar. Pelo fato de ter dirigido predominantemente em tráfego pesado, muitos engarrafamentos, o PowerShift foi fundamental para conforto extremo da condução do veículo, um sossego, um grande conforto e como já citei, sem tranco algum nas trocas de marcha. Só mesmo um câmbio do tipo CVT (que não tem troca de engrenagens para alteração de marchas) pode ser mais suave (embora algumas pessoas considerem o câmbio CVT meio letárgico não privilegiando desempenho).

Nas poucas vezes que tive “pista livre”, algumas ocasiões que dirigi na Marginal Pinheiros (via expressa de São Paulo) mais tarde da noite, experimentei a aceleração de 125 CV do Ecoboost 1.0. Claro, sempre respeitando o limite de velocidade (60 Km/h na pista local e 90 Km/h na pista expressa) e o que mais me impressionou foi a incrível retomada de velocidade, algo que já experimentara no autódromo no ano passado.

Mas chama muito a atenção, principalmente quando se parte de velocidade muito baixa (10 ou 20 Km/h), o ganho de velocidade. É impressionante. Isso é explicado pelo grande torque, praticamente todo disponível entre 1400 e 4500 rpm (curva de torque plana), capaz de proporcionar aquela sensação de “frio na barriga” ao grudar as costas no banco. A grande maioria das pessoas não precisa deste tipo de condução no dia a dia, mas nas situações que uma aceleração mais vigorosa se fizer necessária, o New Fiesta Ecoboost 1.0 responde com grande intensidade e não vai deixar o motorista na mão de jeito nenhum. Seja nas arrancadas e principalmente nas retomadas, também sensivelmente melhores que as do ótimo motor Sigma 1.6.

Este motor é uma joia de tecnologia e ainda não é fabricado no Brasil, falta escala de vendas. Isso colabora para que o preço deste modelo do New Fiesta seja um pouco acima da expectativa, quase 75 mil reais. Por ser modelo de topo, tem a grande maioria das inovações, facilidades e amenidades como, por exemplo, ar condicionado digital, assistente de partida em rampa, sensor de estacionamento, controle eletrônico de estabilidade, controle de tração, assistente de emergência, direção elétrica, piloto automático, sistema multimídia com sincronização com smartphone, acendimento automático de faróis, bancos rebatíveis, etc. Todos estes atributos eu os observei e utilizei de forma objetiva e explícita.


figura 06 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium (clique para ampliar)

Destaco a suspensão do New Fiesta 1.0 Ecoboost porque são poucos os carros que conseguem o equilíbrio certo entre conforto e estabilidade. Tê-lo usado nas ruas de São Paulo, que não são exatamente bem pavimentadas (com poucas exceções), com diversas valetas, obstáculos, lombadas, etc., permitiu-me perceber como as imperfeições do piso são bem absorvidas e filtradas da percepção do motorista. Por outro lado, o carro não é “molenga”, como costumam ser aqueles que privilegiam o conforto. Nas oportunidades que tive para desenvolver um pouco mais de velocidade senti o carro firme, transmitindo segurança, tanto na suspensão como na direção, que é elétrica, muito macia, firme e agradável na condução no dia a dia (manobras e em maior velocidade).

Sugestões para aprimoramento
Foram 7 dias que passaram muito rapidamente. Como disse, tive grande concentração de uso em trânsito urbano pesado e percebi claramente a sensação de bem-estar e conforto dentro do New Fiesta Ecoboost Titanium. Não me refiro apenas à boa experiência com o câmbio automático, mas eu me refiro ao conjunto amplo de experiências a bordo. Porém uma semana é tempo para também perceber um detalhe aqui e outro ali que poderiam ser mais desenvolvidos. São minúcias, elementos até que prosaicos, mas dentro de um conjunto harmonioso e bem construído, faz por merecer citá-los para que o conjunto possa um dia vir a ser o mais perfeito possível.

O sistema de ar condicionado digital é incrivelmente eficiente, fluxo de ar bem forte e temperatura bem baixa. Ótimo. Mas as aletas que direcionam o ar no painel central não permitem desviar o ar bem para cima. Elas estão limitadas à direção do volante aproximadamente, por isso quando o ar está muito frio gera algum incômodo ao motorista o fluxo direto em sua direção. Se também pudesse direcionar o fluxo bem para cima seria melhor.


figura 07 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – aletas do ar condicionado poderiam subir mais

O sistema de multimídia é bastante funcional. O pareamento do smartphone é feito de forma simples e a funcionalidade de viva-voz, reprodução de músicas, etc. funcionam bem. Mas não achei os comandos muito intuitivos. Há no painel quatro botões que se parecem com detalhes estéticos e que demorei um pouco para perceber como utilizá-los, que eram elementos para serem usados nas seleções dos menus (confesso que não li o manual). Uma tela sensível ao toque também seria muito bom e eliminaria a necessidade destes botões.


figura 08 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – sistema multimídia, botões do painel

O sistema de alerta de obstáculos é ótimo e ajuda muito em manobras de estacionamento. Sinais sonoros de intensidade progressiva transmitem a percepção de quão perto se está de um obstáculo. A sugestão aqui é que também exista para manobras na parte dianteira do carro, já que apenas na traseira existe o sistema.


figura 09 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – sistema alerta a obstáculos/sensor de estacionamento (só traseiro)
O já citado câmbio PowerShift, automatizado de segunda geração, com dupla embreagem mostrou-se muito suave e transmite grande conforto para o motorista. Mas se existisse um modo “E” (economia) que não elevasse tanto a rotação em 1ª e 2ª marcha, faria do New Fiesta um carro ainda mais econômico do que ele já é na cidade em situação de trânsito muito intenso (aquele anda e para). Também seria agradável ter a troca de marcha manual em botões (ou borboletas) no volante e não na lateral da alavanca. Há notícias de que a Ford poderá deixar de adotar a caixa de câmbio PowerShift. Pela minha experiência com este câmbio em testes com Focus, Ecosport e New Fiesta, sempre tive uma ótima experiência e usabilidade.

O computador de bordo é bastante completo, com todas as informações necessárias, quilometragem total e parcial, consumo médio e instantâneo (em Km/l e l/h para quando o carro está parado), autonomia, temperatura, velocidade média, modo de uso do câmbio (PRNDS e o número da marcha se usada em modo manual). Eu particularmente não achei que a luz na cor azul muito interessante. Percebi que há um compromisso estético com detalhes do velocímetro e cor de vários ponteiros. Será que um mostrador em LCD não teria um efeito estético melhor?


figura 10 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium – detalhe do painel e computador de bordo (na cor azul)

Conclusões

Quem acompanha meus textos sobre tecnologia automotiva já sabe que o tipo de carro que mais me agrada. O que mais combina com meu gosto e estilo são carros pequenos. Gostei muito de ter testado recentemente a valente Ranger e o ótimo Fusion Hybrid, mas é o New Fiesta o tipo de carro que mais me apraz, ainda mais esta versão tão avançada em termos de motorização e recursos. Citando carros da Ford, já tive o velho ESCORT, a primeira versão do KA (bolinha) e mesmo um FIESTA 1.6 (da geração antiga). Atualmente dirijo um New FIT, todos carros pequenos.

De um tempo para cá a Ford veio remodelando sua linha de produtos de tal forma que não existe mais veículo “básico”. O novo KA por exemplo, seu carro mais barato, já sai de fábrica com diversas “amenidades” e úteis recursos que antes seriam relativos a modelos mais avançados ou opcionais. O New Fiesta Ecoboost Titanium leva isso ao extremo, até porque é a versão de topo do modelo. O que mais me chamou a atenção foi a forte sensação de “vestir bem” experimentada. Sobra potência de motor, grande agilidade nas acelerações e retomadas, como disse, suas respostas são mais vigorosas que as proporcionadas pelo bom e  competente motor Sigma 1.6.

Não há vibrações perceptíveis, geralmente associadas a motores de 3 cilindros. Da mesma forma não se percebe “turbo lag”, uma demora nas respostas que eram anteriormente experimentadas em motores turbo. Seu nível de ruído, bem baixo e nível de consumo superam as expectativas, ressalva feita ao uso em trânsito muito intenso cuja programação das trocas de marcha elevam um pouco mais as rotações (poderia ser mais econômico do que já é). Seu sofisticado motor não é FLEX neste momento, por isso recomendo atenção. Quase fiz a bobagem de completar  seu tanque com etanol quando o recebi e só na última hora me lembrei (e vi o alerta na tampa de combustível).

O tipo de carro que está no coração dos brasileiros neste momento são os SUVs, que aliás nada têm a ver com a proposta deste New Fiesta 1.0 Ecoboost versão Titanium. Mas se ao mesmo tempo julgo elevado o montante para ser desembolsado para a compra deste modelo, um SUV de qualquer fabricante o preço parte de valores parecidos com este em versões apenas básicas! Assim se a vontade de adquirir um SUV não for apenas pelo “modismo”, se o tamanho do New Fiesta Ecoboost não for limitador (ele leva 4 adultos muito confortavelmente), é sem dúvida, apesar do montante elevado de investimento, mais recompensador que qualquer modelo de entrada de SUV!! Não estou comparando o Fiesta Ecoboost com um SUV, apenas pensando sob uma outra perspectiva.

Divagações do parágrafo anterior à parte, eu me permiti ser um pouco mais rigoroso na minha avaliação também por causa do preço do carro. Mas olhando as sugestões e recomendações que fiz, são todas bem “superficiais”. Da cor do mostrador do painel ao ângulo de abertura das aletas do ar condicionado, mostram que o New Fiesta Ecoboot 1.0 Titanium é um carro fantástico, cheio de virtudes e qualidades. Certamente é um carro que eu teria para mim! Compacto, rápido, ágil e bem tecnológico!! Se custasse um pouco menos…


figura 11 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium (clique para ampliar)


figura 12 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium (clique para ampliar)


figura 13 – Ford Fiesta Ecoboost 1.0 Titanium (clique para ampliar)

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