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Brasil cai em ranking de competitividade e inovação global

Global Competitiveness Index 4.0, apresentado no IT Forum Expo, mostra país perdendo relevância e ficando para trás no cenário mundial de inovação

Marcelo Gimenes Vieira

17/10/2018 às 15h26

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“O desafio que temos como nação é transformar nossa capacidade de resolver os problemas do passado, o que não dá mais para adiar, mas também resolver os problemas do futuro.” O alerta foi feito por Carlos Arruda, professor de inovação e competitividade e gerente do Núcleo de Inovação e Empreendedorismo da Fundação Dom Cabral (FDC). Ele abriu os debates do palco Nação Digital, que tomarão corpo durante os dois dias do IT Forum Expo 2018.

O professor apresentou o Global Competitiveness Index 4.0, estudo do Fórum Econômico Mundial divulgado mundialmente nesta quarta-feira (17) que mostra o Brasil em queda no ranking global de competitividade. Do ano passado para cá o País perdeu três colocações, saindo da posição 69 para a 72, atrás não só de nações em desenvolvimento como Rússia e Índia, mas também de latino-americanos como Chile, México, Uruguai, Costa Rica, Colômbia e Peru.

“No mundo digital estamos nos posicionando analogicamente. Vamos ser sempre consumidores de tecnologia, não produtores”, ponderou Arruda. “Vamos ter que mudar muita coisa. Nossa educação é contrária à transformação digital. Não temos infraestrutura. O esforço que teremos com esse movimento [Brasil Digital] vai ser maior do que o de qualquer outro país.”

Os EUA lideram o ranking, com Singapura aparecendo em segundo lugar, Alemanha em terceiro e Suíça em quarto. Este ano a metodologia sofreu uma alteração para privilegiar países que investem em inovação, o que colocou EUA, Alemanha e Japão em posições mais elevadas, se comparadas às que ocuparam em 2017.

O Brasil, por esse critério, ainda obtém alguma vantagem pelos esforços e tendências inovadoras, embora parcela considerável seja dependente de estímulo governamental. Do 1,2% do PIB que o País investe em inovação, metade (0,6%) vem do setor público. Enquanto isso países como a China chegam a investir 4% do produto interno bruto em inovação.

“Embora o governo seja importante, o País não pode ser dependente do setor público”, reitera o professor. “É preocupante que o Brasil esteja entre os menos competitivos, e não está avançando.”

Segundo Arruda, apesar do avanço que o Brasil obteve no ranking durante os anos de crescimento econômico recentes, a ausência de reformas como a tributária, trabalhista e de infraestrutura geral trava a transformação digital no País.

Faltam não só portos e estradas, mas também infraestrutura de banda larga. Para o estudioso, essa combinação mostra que o país precisa de ações urgentes. A distância do Brasil para países mais competitivos só aumenta, o que é um problema considerando que a competitividade de um país está diretamente associada a redução de pobreza, entre outros indicadores sociais, segundo o próprio Fórum Econômico Mundial.

“O problema de qualquer novo governo é tomar uma decisão sobre o que priorizar, e provavelmente será itens do passado, como a infraestrutura básica. É necessário? Sim, mas são itens do passado. O sistema tributário brasileiro é inibidor do crescimento. Essa dualidade de cuidar do passado ou do futuro é um problema para qualquer presidente que assuma”, disse Arruda.

Brasil Digital

É nesse contexto e diante desta urgência que surge o Movimento Brasil Digital, que lançou em 2017 um estudo, em parceria com a FDC, que mapeou políticas públicas e ações desenvolvidas em oito países (Alemanha, Austrália, Canadá, Espanha, Índia, México, Reino Unido e Suécia) que podem servir de norte para políticas e iniciativas privadas desenvolvidas no País. São exemplos que podem influenciar o grau de digitalização e competitividade do Brasil.

O objetivo do Movimento é influenciar e promover a inovação, estabelecendo diálogo entre setores público, privado e outros interessados – como universidades – na construção de propostas que tragam a tecnologia para o centro da estratégia do País. A iniciativa reúne cerca de 30 empresas comprometidas a tornar o Brasil mais competitivo digitalmente. Reunidas em grupos de trabalho, elas buscam gerar atitudes e compromissos de longo prazo em cinco pilares: Governo, Infraestrutura, Educação e Empreendedorismo.

“Temos que ter um país mais equilibrado e previsível, com estratégias mais de longo prazo”, diz Arruda.

Segundo Adelson de Souza, presidente-executivo da IT Mídia, organizadora do IT Forum Expo, o evento serve de palco para discutir a tecnologia como diferencial para a evolução do Brasil.

“Temos nesse momento 250 mil posições em aberto ligadas à tecnologia. Com as lideranças do setor nos apoiando”, disse. “Para transformar o Brasil pela educação e empreendedorismo precisamos de infraestrutura digital.”

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