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Brasileiros usam mais a internet do que dormem

A média de sono do brasileiro é de 7 horas por noite, e a média de uso de internet é de mais de 9 horas por dia.

Wellington Arruda

12/08/2019 às 20h06

Foto: Shutterstock

A retórica de como usamos a internet é discutida há anos. Desde que "ganhamos" vários dispositivos, até o modo como interagimos passou por grandes mudanças.

Uma série de cruzamentos de dados pode ser feita para explicar o comportamento humano nestes casos. Como informa o National Sleep Foundation, um adulto precisa de 7 a 9 horas de sono por noite para não se prejudicar. E nem quem está ao seu redor.

Agora, como manter uma regularidade destas no sono? Esta é a grande questão. O Sleep Cycle informa que o brasileiro, por exemplo, fica na casa das 7 horas de sono por noite.

Como usamos a internet?

O que isso tem a ver com o uso de internet ou redes sociais? Bem, o relatório We Are Social aponta que nós somos um dos países que mais usa a internet ao redor do mundo:

  • 2019: 9h29;
  • 2018: 9h14;
  • 2017: 8h56.

Estes números são relativos ao uso de internet por qualquer dispositivo – smartphone, notebook, tablet. Para termos uma ideia, as Filipinas estão na frente do ranking com uso médio/diário de 10h02.

A pesquisa indica que 100% dos entrevistados acessaram algum app de mensagem no último mês. Por aqui, o WhatsApp "reina" com cerca de 120 milhões de usuários ativos por mês.

De todo esse tempo que passamos na internet, por exemplo, a média do brasileiro é de 3h24 em redes sociais. Inclusive, em 2019, nós somos cerca de 149.1 milhões de usuários de internet, de forma geral. Em 2018 e 2017, o número era de 139.1 milhões.

Em relação ao número dos que acessam a internet via dispositivos móveis, o Brasil tem cerca de 139.4 milhões usuários. Em 2018, o volume era de 129.1 milhões contra 131.6 milhões em 2017.

Desse total, 91% dos brasileiros usam apps de mensagem, 92% curtem assistir vídeos online e 62% jogam algum game.

E a gente até entende...

Hoje em dia, tudo é muito mais fácil com um smartphone nas mãos e um pacote de dados. Se você precisava, literalmente, ir ao banco, hoje já tem apps específicos para isto. Se também não consegue chegar a tempo de fazer uma janta ou ir ao mercado, também têm apps para isso. Até para (ajudar a) dormir tem app!

Tratando-se de mídias sociais, sempre vamos ter “alguma novidade”, ou pelos menos é o que elas nos induzem a acreditar.

A expectativa de sempre termos uma nova notificação ou publicação no feed aumenta cada vez que rolamos as páginas. E isso já não é nem mais novidade.

Assim, as famosas curtidas e comentários disseminam um tipo de dopamina para que o nosso corpo corresponda com uma sensação de alívio, bem-estar.

Neurocientistas alertam que esses estímulos podem funcionar como a cabeça de quem usa drogas. E isso claramente não é um bom sinal.

Nem por um dia

De acordo com o IBOPE Conecta, numa pesquisa com dois mil internautas das classes A, B, C e D de todas as regiões do país, 52% afirmaram que não passam um dia sem usar o celular.

No outro lado da moeda, 18% afirmam conseguir ficar um dia sem o smartphone. 30% dos entrevistados indicam que podem, sim, passar mais de um dia com ele bem longe.

Mas, ainda falando dos 52% que sentem a necessidade de ter o smartphone por perto, a pesquisa revela que 15% não podem mesmo perdê-lo de vista.

smartphones

Agora, quando perguntados se o uso do smartphone afeta negativamente sua vida, 31% afirmaram que não. Ainda assim, 27% sentem que o celular é nocivo na hora de dormir e 23% afirmam que ele afeta o relacionamento com as pessoas.

Sabe aquele brother que tá com o celular enfiado na cara até mesmo na mesa do bar? Então, ele provavelmente se encaixa nesse número.

Os ricos existem, e não são poucos

Devemos ter em mente que os avanços tecnológicos meio que nos levam a esse uso constante do smartphone. Duas outras pesquisas do mesmo instituto revelam dados curiosos sobre o uso de dispositivos móveis pelos brasileiros:

  • Bancos digitais: feita com 2.000 pessoas, a pesquisa indica que 40% possui uma conta em banco digital;
  • Apps de desconto: 26% afirmaram ter ao menos um app de desconto instalado, e 71% destes possuem um app de supermercado.

Sabe o que esses números também indicam? Que há índice de crescimento. E não que isso seja extremamente prejudicial, afinal de contas estamos lidando com comodidades. Mas há riscos, e não podemos negar.

Um exemplo é a pesquisa do Ministério da Saúde, que aponta que um em cada cinco brasileiros admite usar o celular enquanto dirige. Só de janeiro a março deste ano foram 372,3 mil multas no Brasil, um aumento de 24% em relação ao mesmo período do ano passado, segundo o Denatran.

Numa conversa que eu tive outro dia com um executivo de uma empresa de smartphone, o grande problema não está no tempo que usamos os nossos aparelhos. Mas, sim, está em como nós estamos aplicando esse tempo.

Tanto que as próprias fabricantes vêm aplicando métodos para nos dar parâmetros de uso. Se você acredita que está fazendo um uso excessivo, talvez seja a hora de olhar um pouquinho mais para o mundo real.

Fontes: The Economist, Sleep Advisor, DataReportal 2019, 2018, 2017, Ibope Conecta.

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