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A inspiradora história de duas mulheres que fazem a diferença na TI

Tan Le ou Reshma Saujani detalham suas trajetórias e aconselham mulheres

Você pode nunca ter ouvido falar de Tan Le ou Reshma Saujani, mas as duas empreendedoras fazem, de fato, a diferença no mercado de tecnologia. No último dia do Inforum, realizado nesta semana pela Infor nos Estados Unidos, as duas compartilharam suas histórias em painel do Women Infor Network (Win), inspirando elas a saírem de suas zonas de conforto e fomentar o verdadeiro sentido do ‘girl power’.

Era o ano de 2003 quando a vietnamita Tan se viu diante de uma encruzilhada. Ela tinha uma posição estável e privilegiada em uma empresa tradicional nos Estados Unidos, mas percebeu que nada do que fazia profissionalmente a completava ou a deixava satisfeita. Ela queria um futuro melhor para a sociedade.

“Um dia conversando com amigos começamos a falar sobre o cérebro e todo o seu potencial. Nas semanas seguintes eu voltei ao tema, cativada pelas suas possibilidades e desafios”, contou a hoje fundadora e CEO da EMOTIV, empresa de bioinformática que estuda o cérebro e ensina os computadores a pensar por si só, no melhor estilo inteligência artificial. “Encontrei resiliência e flexibilidade para construir uma empresa e desenvolver soluções em um mundo de incertezas. Para mim a lição foi que se você tiver coragem, não há desafio ou obstáculo que te pare”, sugeriu.

Tan Le, fundadora e CEO da EMOTIV

O fato de o cérebro ser um sistema dinâmico que se reprograma conforme o uso é algo que a instiga a buscar novas possibilidades de reforçá-lo. No palco do evento, Tan mostrou como essa ideia funciona na prática. Um vídeo sobre um brasileiro, que ficou paraplégico aos 18 anos, mostrou que é possível dirigir um carro de Fórmula 1 sem o uso de volante ou pedais, apenas usando um headset que lê ondas cerebrais. “A tecnologia se está tornando melhor, possibilitando um mundo inclusivo, aberto e com mais possibilidades para todos.”

Garotas que sabem programar
Reshma Saujani nasceu nos Estados Unidos, onde seus pais, indianos e refugiados, chegaram em 1973. Aos 33 anos, ela trabalhava no setor financeiro e não sentia que fazia a diferença. Ela queria mais. “Eu não gostava do meu trabalho. Eu sabia o que tinha de fazer e não fazia”, contou.

Foi quando em 2008 ela se sentiu motivada por um discurso de Hillary Clinton, sua mentora, que dizia que falhar não significa que a pessoa não deveria ter tentado. “Então decidi me candidatar a uma posição no Congresso norte-americano. Tinha poucas chances de ganhar, mas mesmo assim tentei”, disse a primeira descendente de indianos a concorrer a uma vaga no Congresso dos EUA.

Reshma Saujani, fundadora do Girls Who Code

Ela lembrou que embora não tivesse saído vitoriosa da campanha, os dez meses desse projeto foram os melhores de sua vida. “Perdi, fiquei devastada e não tinha um plano de contingência. Então comecei a observar que havia mais meninos do que meninas em aulas de computação e pensei: ‘onde elas estão?’ e essa pergunta foi uma obsessão para mim.”

Reshma não sabia programar, mas estudou o tema e fundou o Girls Who Code, que já formou mais de 40 mil meninas em todos os 50 estados dos Estados Unidos. Ela lembrou o fato de que 45% das atividades serão automatizadas nos próximos anos, segundo a McKinsey, gera medo, mas também oportunidades.

O desafio, contudo, segundo ela, é o grande gargalo de talentos. “Mas esse, definitivamente, não é um problema sem solução. A resposta está no ‘girl power’”, incentivou. Ela reconheceu, no entanto, que há uma barreira cultural que deve ser superada para esse chamamento fazer sentido. “Vivemos um mundo de mito que mulheres não são boas em matemática”, disse. Além disso, completou, as meninas são geralmente educadas para serem perfeitas e não corajosas. “Os meninos são educados para serem bravos. Escalar, pular e serem destemidos. As meninas não”, lamentou, incentivando uma mudança imediata nesse comportamento que parte dos pais.

No Girls Who Code ela observa constantemente essa diferença. “As meninas desenham um código e o apagam, pois pensam que está errado. Em vez de mostrar o progresso, elas preferem não mostrar nada. É perfeição ou nada. Precisamos ser imperfeitas”, sentenciou, acrescentando que quando as mulheres aprendem a codificar elas criam coisas incríveis e com um senso de ajuda ao próximo impressionante. “Temos, sim, de ensinar nossas meninas a serem bravas”, finalizou.

*A jornalista viajou a Nova Iorque (EUA) a convite da Infor

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