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Exposição em SP revela personalidade de Steve Jobs

“Steve Jobs, o visionário” traz aspectos interessantes e inéditos do fundador da Apple

Controverso, polêmico, autoritário, inovador. Há muitas visões sobre Steve Jobs, fundador da Apple, mas todas elas entendem a inegável relevância do empreendedor para o mercado de tecnologia, que nunca mais foi o mesmo depois de invenções como o iPhone e o iPod.

Esse é um dos motes da exposição “Steve Jobs, o visionário”, em cartaz no Museu da Imagem e do Som, em São Paulo. Além de apresentar o lado visionário de Jobs, a proposta é revelar a vida de um dos empreendedores mais conhecidos do mundo. São 209 itens entre fotos inéditas, filmes, reportagens e produtos históricos que mostram a forma como ele pensava e criava.

Entre os objetos expostos está o raro Apple 1, fabricado em 1976, que foi adquirido em um leilão por U$ 213,6 mil, em 2010, por Marco Boglione, idealizador da exposição. Atualmente, o computador já triplicou seu valor.

O sócio da Fullbrand, agência realizadora da exposição, Eduardo Sallouti, explica que a inspiração da exposição surgiu a partir de uma mostra sobre produtos da Apple organizada na Itália. O formato no Brasil, contudo, garante ele, é original. “Queríamos mostrar a personalidade de Jobs, para que pudéssemos nos aprofundar sobre sua espiritualidade, por exemplo”, conta. Do momento da ideia até a mostra, o processo consumiu cerca de um ano, diz Sallouti.

Diferentemente de livros e filmes que retrataram a trajetória surpreendente do empreendedor, “Steve Jobs, o visionário” conta com objetos, que promovem uma verdadeira experiência. “Nossa exposição não é focada na história dele, mas em elementos da sua personalidade”, reforça.

Antes de São Paulo, a exposição passou pelo Rio de Janeiro, onde ficou em cartaz no Pier Mauá. Na capital paulista, o sucesso da exposição pode ser visto na visitação. “Em 15 dias, tivemos a audiência de um mês todo no Rio de Janeiro”, comemora, sem revelar números.

Jobs em seis atos
Quem entra na exposição se depara com um percurso trilhado com base em seis células narrativas que se complementam. São elas: Espiritualidade, Inovação, Competição, Fracasso, Negócios e Sonho.
Em Espiritualidade, por exemplo, é possível ver itens ligados à relação de Jobs com o budismo, além de uma videoinstalação que ilustra a escolha pelo nome Apple. Foi em fevereiro de 1976, na Califórnia (EUA), que Jobs teve a ideia do nome durante um passeio por um pomar de macieiras.

Em um dos vídeos da instalação, no entanto, Steve Wozniak, cofundador da gigante de tecnologia, relatou ter conhecido uma pessoa que disse que a ideia teria vindo dele e não de Jobs. “Não há como saber. Eu não perguntava esse tipo de coisa para Steve [Jobs]”, comentou.

Em Inovação, pode-se ver de perto os famosos produtos da empresa, como Apple II, Macintosh, iMac, e a primeira geração do iPod, IPhone e iPad. “O Macintosh vai conquistar o mundo”, disse Jobs em 1984 à época do lançamento do produto.

Essa célula está conectada à de Competição, na qual são destacados os embates com IBM, Bill Gates e Android. “Eu vou destruir o Android, porque é um produto roubado. Estou disposto a encarar uma guerra nuclear por isso”, disse o fundador da Apple sobre o produto do Google. Troca de farpas entre ele e Gates fazia parte do jogo e por diversas vezes o fundador da Microsoft disse acreditar que Jobs não era inovador. Jobs, por outro lado, dizia que Gates tinha mais talento para filantropia do que para os negócios.

Em Fracasso, o público conhece a peça mais rara da exposição: o Apple 1, fabricado em 1976. Na época, a máquina foi definida como amadora, bruta e nada intuitiva. O sucesso veio com o Apple II, líder em vendas e passaporte para a empresa entrar no mercado de ações.

Outro destaque da área de Fracassos é o Lisa, que, lançado em 1983, foi o primeiro computador pessoal a ter um mouse e uma interface gráfica, mas foi considerado como um dos maiores fracassos da Apple. Seu sistema operacional foi considerado pesado e o preço da máquina muito alto.

Lisa, lançado em 1983

 

A zona de Negócios dá espaço aos sucessos de vendas criados por Steve Jobs, como o MacBook, diversas gerações do iPod, o MacBook Pró e a Apple TV. O iPhone é outro notável exemplo dessa área. Ali confere-se um vídeo de junho de 2007, em Nova York, quando uma fila gigantesca de pessoas esperava a abertura da loja para comprar o smartphone. Estava cravado ali o sucesso do telefone.

Primeiro iPhone, lançado em 2007

 

Na última célula, a do Sonho, é possível acompanhar parte do trabalho da Pixar (comprada por Jobs em 1986) com a exibição de 20 curtas desenvolvidos pelo estúdio, além de trechos de longas-metragens e peças de acervo. Jobs apostou na indústria de entretenimento de forma prematura, mas já olhando para o futuro, que apontava a digitalização dos filmes.

Lado B
O mundo todo conhece a história de Jobs. Nascido em 1955 em São Francisco, na Califórnia (EUA), Jobs foi adotado. Desde jovem, demonstrou interesse e habilidade para inovar e, em 1976, fundou a Apple. Ele revolucionou o universo da tecnologia ao lançar produtos como o Macintosh, o iPod, o iPhone e o iPad. Em 1984, demitiu-se da Apple e fundou a NeXT, companhia especializada em desenvolvimento de softwares.

Anos mais tarde, em 1996, a Apple comprou a NeXT e Jobs assumiu o cargo de CEO da gigante da tecnologia, onde permaneceu até 2011, quando renunciou ao cargo em função de um câncer. Morreu em 2011, aos 56 anos, em decorrência da doença.

O que poucos conhecem é o lado pessoal dele, algo que o mais recente filme sobre sua história tentou retratar, com poucas pinceladas para o tema. Na exposição, no entanto, diversas fotos, cedidas pela esposa de Jobs, Laurene Jobs, mostram um lado pouco conhecido do visionário. “Ela abriu as portas para nós e autorizou a divulgação de um conteúdo inédito, que são as fotos de sua intimidade”, revela Eduardo Sallouti, sócio da Fullbrand.

É em uma sala dedicada às imagens de autoria de Jean Pigozzi, fotógrafo de confiança de Jobs, francês radicado em Nova York, que sua vida pessoal ganha contornos. Por mais de trinta anos, ele acompanhou Jobs em seus momentos mais íntimos e conseguiu captar sua essência. Há, por exemplo, o retrato em que ele arruma os cabelos de sua esposa, outro em frente à IBM em uma imagem borrada e Jobs usando suas famosas sandálias.

Jobs em frente da IBM

Tecnologias
Como é de se esperar em uma exposição sobre Jobs, a tecnologia está por todos os lados da mostra. Telões interativos, vídeos, realidade aumentada e realidade virtual compõe o ambiente. Em um dos espaços, um sistema de realidade virtual reproduz fielmente a garagem de Jobs, onde a Apple começou a dar seus primeiros passos. Lá, os participantes podem interagir com o ambiente, ser Jobs por alguns minutos e construir parte de um PC.

Realidade virtual com garagem de Jobs

 

Há em outro ambiente uma torre de números onde é possível fazer perguntas e obter respostas sobre produtos da Apple. Em uma delas, por exemplo, há o valor da primeira nota fiscal da Apple. Em outra, o telão mostra quantas músicas cabiam no primeiro iPod.

O aplicativo meCult, desenvolvido pela Fullbrand, permeia toda a exposição. Na entrada da exposição, o público pode fazer o download do app que usa beacons e funciona como portal para acessar os conteúdos extras da mostra, e também como áudio guia e mapa das atrações. O app pode ser usado pelo público no início da exposição, na Linha do Tempo. Nela, as datas ativam conteúdos exclusivos de cada período permitindo ter uma visão completa da vida do Jobs e também do contexto histórico da época em que Steve Jobs viveu.

Linha do tempo com visão completa da vida de Jobs

 

A mostra permanece no MIS até o dia 20 de agosto, com apresentação do Ministério da Cultura e Bradesco e patrocínio da Cielo. A realização é da agência ítalo-brasileira FullBrand, a corealização é do Museu da Imagem e do Som e a concepção foi feita pelo escritório Migliore + Servetto Architects. Os ingressos estão à venda por R$ 10 (inteira) e R$ 5 (meia).

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