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Cidades inteligentes: a chave para uma urbanização sustentável

Junto ao avanço da transformação digital, temos assistido a um rápido crescimento das populações urbanas.

Klecios Souza

12/07/2019 às 16h00

Foto: Shutterstock

Junto ao avanço da transformação digital, temos assistido a um rápido crescimento das populações urbanas. Só nos últimos 10 anos, entre 2008 e 2018, essas populações sofreram aumento de cerca de 800 milhões, passando de 3,4 bilhões para 4,2 bilhões. E, até 2050, a previsão é de que o número cresça mais 2,5 bilhões, segundo projeção do Departamento de Assuntos Econômicos e Sociais das Nações Unidas (DESA). O que por um lado é bom para a evolução global, por outro é motivo de alerta por causa da antecipação do esgotamento dos recursos naturais. Mas é também nesse cenário que uma tecnologia desponta: a das cidades inteligentes!

Cidades inteligentes são aquelas construídas em cima das novas tecnologias de conectividade, informação e comunicação. De modo geral, elas abrangem oito parâmetros: cidadão inteligente, governo e educação inteligentes, cuidados de saúde inteligentes, edifícios inteligentes, mobilidade inteligente, infraestrutura inteligente, tecnologia inteligente e energia inteligente, a fim de promover habitabilidade, eficiência e sustentabilidade. E diante de tamanha urbanização em todo o mundo, as cidades estão cada vez mais pressionadas a tornarem-se não só mais inteligentes, como também mais eficientes.

Há expectativa de que esse crescimento coloque uma pressão nos prestadores de serviços urbanos, como energia, água e gestão de resíduos, e também nos governos municipais, para garantir ambientes seguros, limpos, inclusivos e resilientes. Por meio da integração de tecnologias inteligentes, essas instituições poderão, portanto, atuar com maior eficiência, previsão e planejamento – fatores que demandam uma mudança de infraestrutura e de abastecimento de recursos para gerenciar congestionamento, reduzir poluição e melhorar a habitabilidade.

Implicações das cidades inteligentes no panorama urbano

A infraestrutura urbana e seus sistemas subjacentes formam os blocos de construção de qualquer cidade. Melhorar esses elementos por meio de soluções inteligentes pode oferecer um valor enorme para a cidade e seus cidadãos, além de ajudar a definir novas formas de operação e interação com seus stakeholders: pessoas, empresas e setor público, por meio de tomadas de decisão mais inteligentes.

Para a administração pública, as iniciativas de cidades inteligentes promovem visibilidade em tempo real de muitos aspectos da cidade e seus sistemas. A plataforma de gerenciamento integrado da Schneider Electric, por exemplo, pode integrar esses dados de múltiplas fontes, equipando os servidores com a possibilidade de monitorar instantaneamente as linhas de transporte, o que consequentemente promove melhor eficiência do trabalho e acelera a tomada de decisões.

Já para o mundo dos negócios, as dimensões das cidades inteligentes também influenciam na questão do poder de decisão. Um bom exemplo são as tecnologias de edifícios conectados que, por meio de data driven, permitem otimização da eficiência energética e operacional, execução da manutenção preditiva e até mesmo ajustes automáticos, com base em informações como preço da eletricidade e previsão do tempo. E para a população, essa dinâmica provê menos tempo de deslocamento, redução de congestionamento e menor poluição como alguns dos principais benefícios de uma iniciativa inteligente.

Com as cidades exigindo taxas de resposta cada vez mais rápidas, as autoridades precisam ser capacitadas para tomar decisões embasadas em uma melhor percepção geral da situação. Isso só é possível tendo dados oportunos e precisos dos bilhões de sensores, dispositivos e outros ativos conectados. Mais importante ainda, são necessárias uma plataforma e uma rede de conectividade que vinculem e integrem o domínio de gerenciamento de informações ao domínio operacional desses dispositivos, como o EcoStruxure da Schneider Electric – plataforma de IoT da companhia.

A questão da conectividade 

Postos os principais tópicos que fazem parte de uma cidade inteligente e seus benefícios, é importante falar sobre o que a confere esse status, e isso é a conectividade. Antes que uma cidade se torne inteligente, primeiro ela precisa ser uma cidade conectada. A conectividade é a espinha dorsal da maioria das iniciativas e dos dispositivos inteligentes, permitindo com que diferentes componentes, como sensores, redes de banda larga, data centers e plataformas, comuniquem-se continuamente entre si e com sua infraestrutura de agregação e análise de dados. A disponibilidade de redes de conectividade é necessária para garantir que os ativos da IoT possam funcionar com todo seu potencial, considerando o quanto eles dependem da infraestrutura de rede subjacente para fornecer dados em tempo real e executar solicitações em tempo hábil. Ou seja, uma não existe sem a outra.

Atualmente, em todo o mundo, já existem diversas cidades que carregam o título de inteligente. O Ranking de Smart Cities 2019, montado pelo Future Today Institute (FTI), listou, em sua segunda edição, 50 de 100 cidades consideradas inteligentes por seus 16 indicadores de performance. Tópicos como tecnologias acessíveis a todos e abundância de conectividade 4G estão entre os principais itens. E, excepcionalmente nesta edição, há uma cidade brasileira: o Rio de Janeiro, que entrou no ranking em 44º lugar. No topo da lista, estão Copenhague (Dinamarca), Gotemburgo (Suécia), Oslo (Noruega), Bergen (Noruega) e Odense (Dinamarca).

Enquanto nem todas as cidades do mundo figuram em listas como a do FTI, cabe a nós, do ramo de tecnologia, pensar e viabilizar formas para que cada vez mais pessoas tenham acesso a esse tipo de infraestrutura, de cidade, de vida. Na Schneider Electric, acreditamos que o acesso à energia limpa e segura é um direito básico de vida e o acesso à tecnologia de ponta também.

 

*Por Klecios Souza, vice-presidente de Building da Schneider Electric Brasil.

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