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Cisco anuncia corte de 6 mil funcionários

Karen Ferraz

14/08/2014 às 16h03

Cisco anuncia corte de 6 mil funcionários
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A Cisco apresentou, na quarta-feira (14), o lucro de seu quarto trimestre fiscal, que superou expectativas dos analistas do mercado. Mas anúncio não continha somente boas notícias, já que o CEO John Chambers comunicou planos de demitir de 6 mil funcionários, ou seja, 8% da força de trabalho global da empresa. Procurada pelo IT Forum 365, a Cisco Brasil comunicou que ainda não tem informações sobre o impacto dessas demissões no País. 

Em uma conversa por telefone com analistas, Chambers disse que a Cisco está impulsionando o crescimento em muitas de suas áreas de produtos promissoras, incluindo ofertas de nuvem, segurança e software. Ele revelou, no entanto, que a empresa continua a enfrentar "um ambiente difícil" em mercados emergentes e advertiu que o negócio não pode piorar ao longo dos próximos trimestres. 
Durante o trimestre, que encerrou em 26 de julho, a Cisco registrou US$ 12,36 bilhões de receita, uma queda ano-sobre-ano, e US$ 2,25 bilhões em lucro líquido, o que é basicamente raso. Esse lucro é traduzido em US$0,55 por ação, enquanto a expectativa dos analistas apontava para UU$0,53 por ação, segundo pesquisa realizada pela Thomson Reuters. A Cisco também superou expectativa de receita dos analistas de US$ 12,14 bilhões. Para todo o ano, a Cisco alcançou US$ 47,14 milhões em receitas, uma queda de 3% em comparação com seu ano fiscal em 2013. O lucro por ação para o ano foi de 2% em uma base não-GAAP, atingindo US$ 2,06. 
O corte de 6 mil funcionários é apena a última das reduções realizadas na Cisco; antes desse anúncio, a companhia já efetuou duas grandes demissões nos últimos anos. Chambers caracterizou as demissões como uma "reestruturação limitada". A empresa não especificou onde seriam feitos os cortes. Ele disse que a economia com os postos de trabalho eliminados será investida em projetos com elevado potencial de crescimento, como segurança, produtos na nuvem produtos e Internet das Coisas. 
 
Chambers disse que devido à reestruturação, a Cisco terá um encargo de impostos de US$700 milhões durante o ano fiscal de 2015, sendo que US$350 milhões já no primeiro trimestre. O CEO também estimou que a receita do primeiro trimestre até pode ser rasa ou modesta, mas que os lucros devem cair. 
 
A Cisco, cujas performances financeiras têm sido consideradas um termômetro para gastos com tecnologia, tem enfrentado uma série de desafios ao longo do último ano. Chambers afirma que as ofertas integradas de hardware-software da Cisco fornecem performance de classe, mas cada vez mais empresas estão adotando redes definidas por software construídas em hardware de "commodity" de baixo custo, por exemplo. A companhia continua a ser um grande player de tecnologia, mas com o crescimento desses concorrentes especializados em software, Chambers tem enfrentado pressão para se adaptar ao mesmo tempo que busca manter margens saudáveis.
De fato, alguns dos grandes clientes da Cisco, incluindo Goldman Sachs, Verizon e Coca-Cola, disseram à agência de notícias Bloomberg no início deste mês que vão reduzir seus negócios com a Cisco se a empresa não melhorar suas ofertas de software. 
A empresa também enfrenta preocupações constantes de que os programas de vigilância da NSA comprometeram sua engrenagem. Quando uma suposta foto de agentes da NSA interceptando os sistemas da Cisco veio à tona no início deste ano, Chambers alegou que sua empresa nunca compartilhou seu código com o governo e não instalou acessos para permitir a espionagem a outras companhias. Pouco depois, em uma carta ao presidente Obama, ele pediu à Casa Branca para conter as atividades de espionagem da NSA. 
Contextos políticos certamente poderiam ajudar a explicar o trimestre áspero para a Cisco na China, onde a receita caiu mais de 20%. As vendas na América do Sul e América Latina também foram fracas. 
Mas nem tudo é só desafio e problemas para a organização. As ações da empresa subiram mais de 14% até agora este ano. Alguns de seus produtos com foco em SDN, como os interruptores Nexus 9000 e controlador APIC, estão gerando um buzz positivo. Além disso, Chambers continua otimista sobre a maioria dos temas discutidos por ele ano passado, incluindo “Internet of Everything”, e, mais recentemente, Intercloud. 
Chambers também enfatizou a mudança do investimento da empresa em software, argumentando que atualmente 85% dos engenheiros da Cisco estão trabalhando em projetos dedicados. 
Ainda assim, se a Cisco for bem sucedida em sua meta de se reinventar, resta saber se Chambers, que completa 65 anos este mês, ainda será CEO quando a empresa chegar lá. Em 2012, ele anunciou que pretendia se aposentar nos próximos dois a quatro anos, e com base em rumores recentes, ele pode fazê-lo mais cedo ou mais tarde – ainda no segundo semestre, segundo algumas reportagens.

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