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Black Friday na TI! Compre um software e leve grátis o hardware!

Sergio Basilio

07/12/2017 às 11h12

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O mantra do final dos anos 1990 era que, num futuro próximo, compraríamos um software e ganharíamos o hardware para rodá-lo de presente. Afirmava-se isso em função do crescente poder computacional dos equipamentos, e de seu tamanho e preço decrescentes.

O Linux e outras linguagens e plataformas de software livre mudaram essa história. Continuamos pagando pelo hardware. Mas agora, 20 anos depois, o discurso voltou. O motivo é a concentração da inteligência das soluções no software e na migração dos servidores para a nuvem pública. As tecnologias mais disruptivas disponíveis no mercado hoje são, quase todas, exclusivamente software. E custam caro. Justificavelmente, pois trazem benefícios enormes para empresas e pessoas.

Tecnologias como inteligência artificial, computação cognitiva, Big Data, Business Intelligence, Analytics, IOT, SDN, SDWAN e outras, são puro software. Rodam em plataformas de hardware cada vez mais velozes, mas não são nada além do que poderosos e complexos programas.

Vamos ganhar, então, computadores grátis muito em breve? Vamos esquecer o hardware e só considerarmos o software? Não será bem assim. Surgiu um estraga-prazeres, como o Linux no longínquo início do século 21.

Esses novos programas poderosos, como os de Inteligência Artificial, para serem eficazes e acessíveis a todos, exigem uma capacidade computacional ainda não atingida pelos computadores atuais, mesmo pelos supercomputadores. A lei de Moore, criada por um dos fundadores da Intel nos anos 1960, que diz que a capacidade dos computadores dobra a cada 18 meses, manteve-se verdadeira até agora. Mas já dá sinais de exaustão. Discute-se até se o próprio conceito do computador de Von Neumann, o mesmo utilizado desde o projeto do ENIAC de 1947 até os mais modernos computadores de hoje, atenderá a necessidade de processamento desses maravilhosos softwares.

A resposta da ciência começou a ser dada, por incrível que pareça, na década de 1950 com a chamada teoria da computação quântica. A teoria conseguiu materializar algo como um computador quântico somente em 2007, mais de 50 anos depois. Estão acontecendo avanços, inclusive graças a um físico brasileiro chamado Guilherme Tosi, que faz pesquisas sobre a computação quântica na Austrália, mas ainda estamos longe de uma tecnologia produzível em escala. Em 2010 foi lançado pela empresa D-Wave o primeiro computador quântico comercializável. Agora em 2017 foi lançado, pela mesma empresa, o modelo 2000Q, que custa a bagatela de US$15M. A máquina está sendo testada pela NASA e pelo Google.

A teoria por trás do computador quântico é complexa. Em poucas palavras, o computador digital baseia-se numa unidade chamada bit, que toma valores “0” ou “1”. A unidade da computação quântica é o bit quântico, ou qubit, que pode ter valor “0” ou “1”, ou “0” e “1” ao mesmo tempo! Confuso, sem dúvida.

Se pensarmos, entretanto, que um computador quântico terá no mínimo uma capacidade de processamento 100 milhões de vezes maior do que seu irmão digital, compreenderemos o impacto que esta tecnologia trará ao mundo. Dizem os cientistas que o caminho da computação quântica é longo, mas é o mais provável para o próximo passo da tecnologia da informação.

Então, quer ganhar computador grátis? Ainda não será desta vez. Mas, quem disse que a vida é fácil?

 

Sergio Basilio é Diretor Comercial da Westcon Brasil

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