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Carros Autônomos: assassinos ou heróis?

Sergio Basilio

05/04/2018 às 11h07

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Dentre as novidades tecnológicas mais disruptivas que estarão disponíveis nos próximos anos está, sem dúvida, o carro autônomo. Entrar num veículo, próprio ou não, informar pela voz ou por aplicativo o destino e conseguir trabalhar ou relaxar aguardando confortável e seguramente a chegada ao destino é um sonho da maioria dos 3,6 bilhões de habitantes urbanos do planeta Terra. Isto deve tornar-se realidade nos próximos 2 anos, no máximo, do ponto de vista técnico. Para serem comercializados em larga escala, entretanto, serão necessárias uma série de regulamentações de órgãos controladores governamentais e privados. Isso pode consumir mais alguns anos.

O desenvolvimento destas maravilhas tem sido atrasado por poucos, porém de larga repercussão, acidentes. Alguns fatais. O último foi no mês de março deste ano de 2018 no Arizona, nos EUA. Uma mulher conduzindo a pé uma bicicleta, entrou subitamente na frente de um carro autônomo da Uber em teste, vindo a falecer. Um acidente lamentável, porém absolutamente inevitável, mesmo se o carro fosse dirigido por um bom e atento piloto e que o veículo possuísse eficazes freios com ABS.

Recomeçam então os questionamentos sobre a viabilidade do carro “sem motorista”. Os carros autônomos possuem sim motoristas. Que não bebem, não sentem sono, não desrespeitam velocidades máximas, não fazem ultrapassagens proibidas e não cometem nenhum outro tipo de infração de trânsito. O motorista do carro autônomo é um software que chamamos de cognitivo. A computação cognitiva gera conhecimento a partir da interpretação e extração de significado de dados não estruturados. Resumindo, o software cognitivo aprende com especialistas de qualquer parte do mundo e nunca para de aprender. Nos carros autônomos o software piloto virá já com conhecimentos que um motorista alcançaria com dezenas de anos de experiência. E continuará aprendendo todos os dias.

Os olhos e ouvidos do carro autônomo são dezenas de sensores e de câmaras de vídeo 360 graus de alta definição, com visão noturna. Computadores pequenos, mas de alta capacidade de processamento, recebem estes milhões de informações por segundo e o software cognitivo toma ações a partir deles com uma velocidade e precisão muito superior ao de um ser humano.

Estes programas-motoristas ficam cada dia mais inteligentes. A Waymo, divisão de carro autônomo da Google, por exemplo, revelou em um relatório que seus veículos autônomos já percorreram 5 milhões de milhas em testes no mundo real e bilhões de milhas a mais em simulações de computador. A GM, através da sua unidade Cruise Automation, “ensina” seus sistemas de direção a navegar nas ruas congestionadas de São Francisco.

Elon Musk, CEO da Tesla, fará o seu carro autônomo, o Falcon, empreender uma viagem autônoma de costa a costa nos Estados Unidos, ainda em 2018.

Estima-se que o carro autônomo cause 1.000 vezes menos acidentes do que os carros tradicionais. De acordo com dados da Organização Mundial da Saúde (OMS), todos os anos aproximadamente 1,3 milhões de pessoas morrem vítimas da imprudência ao volante. Dos sobreviventes, cerca de 50 milhões vivem com sequelas. No Brasil registram-se cerca de 47 mil mortes no trânsito por ano e 400 mil pessoas ficam com algum tipo de sequela. Caso todos os carros do mundo fossem autônomos seriam salvos mais de 1,25 milhões de vidas por ano em todo o mundo. Outros 49 milhões de pessoas não sofreriam com ferimentos e sequelas.

Além de salvar vidas o carro autônomo salva tempo. O brasileiro perde, em média, 40 dias por ano no trânsito! Horas desperdiçadas de trabalho e lazer, poluindo o meio ambiente e gerando stress. Nada mais! No resto do mundo a realidade não deve ser muito diferente.

Os desafios para se chegar a um software-piloto altamente seguro ainda são grandes, mas os benefícios do carro autônomo são tão grandes que eventuais perdas de vidas durante os testes devem ser lastimadas, visto que cada vida humana é insubstituível, mas não devem jamais interromper o desenvolvimento desta inovação fantástica.

 

Sergio Basilio é Diretor Comercial da Westcon Brasil

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