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Flagrantes da vida digital

Ninguém mais está a salvo

Sergio Basilio

11/07/2019 às 18h50

Foto: Shutterstock

A principal notícia de capa de um dos mais importantes jornais do país, algumas semanas atrás, dizia que os celulares de pelo menos dez autoridades em quatro estados foram alvo de tentativa de invasão por hackers, entre eles um ex-Procurador Geral da República e uma Juíza Federal. Não foi um fato isolado. Multiplica-se o número de fraudes bancárias e comerciais devidas à invasão e clonagem de smartphones de famosos e não-famosos.

Ameaças digitais existem desde o início do uso massivo da Internet, em meados da década de 1990. Desde então a cada neutralização de ataque digital surgem outras novas ameaças, mais criativas e complexas. É a eterna luta do bem contra o mal.

De alguns anos para cá, entretanto, o vetor dos ataques deixou de ser os notebooks e desktops e passou a ser os dispositivos móveis, principalmente os celulares. O motivo é simples. Cinco bilhões de pessoas usam smartphones hoje, ou seja, 65% da população da Terra. Embora os celulares sejam mais valiosos do que nossas carteiras, ainda não temos o devido cuidado com eles.

Além do intensivo uso pela população de todos os países, outros fatos tornam os celulares extremamente atrativos para o cibercrime. O alto valor dos dados dentro desses é a principal atratividade deles. Dados bancários, pessoais, listas de contatos, senhas, fotos, vídeos e trocas de mensagens por aplicativos são mais valiosos do que dinheiro, cheques ou cartões de crédito para um bandido qualificado. Os índices de roubo e furto de celulares dispararam nas estatísticas policiais nos últimos anos, por esse motivo. A alta rotatividade de aparelhos traz também um desafio. Troca-se de telefone móvel, em média, a cada três anos. Os cuidados para o apagamento dos dados do aparelho a ser substituído são normalmente insuficientes. A enorme quantidade de aplicativos disponíveis confunde os usuários e mistura aplicativos muito úteis com os muito maliciosos.

Algumas ações podem minimizar os riscos de invasão, clonagem e uso criminoso dos dados dos celulares. O uso de softwares de segurança para dispositivos móveis de fabricantes consagrados é muito importante. Mas mantê-los atualizados é tão importante quanto tê-los. Fazer backup. Criar senhas “fortes” e não as já conhecidas (aniversários, CPFs, telefones, ...). Evitar usar wi-fi grátis de locais públicos. Nunca baixar apps fora dos sites consagrados como AppleStore ou Apps Android ou nos Market Places de fabricantes importantes. Manter wi-fi e bluetooth desabilitados quando em locais públicos. Entrar com muito cuidado em links recebidos por e-mails e redes sociais, mesmo de conhecidos. Usar aplicativos que permitem o bloqueio total do celular quando ele for extraviado ou roubado. Ao fazer o descarte de celulares ou smartphones antigos, ter certeza do completo reset dos dados.

A Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais está assinada e entrará em vigor em agosto de 2020. Empresas que coletam e tratam dados de pessoas físicas têm responsabilidade sobre eles. A lei é muito boa para nos proteger, mas de nada serve se nós mesmos não o fizermos. Não podemos esquecer do nosso papel na luta para tornar o uso da tecnologia seguro. Somos soldados do bem nessa missão. A Terceira Guerra Mundial já começou. E ela é digital e  móvel!

 

*Por Sergio Basilio, diretor comercial da Westcon Brasil

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