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Liderar em tempos de mudança: como mobilizar os colaboradores

Independente do perfil, nos tempos de crise torna-se necessária uma qualidade unica, a de lidar com turbulências

João Roncati

02/05/2019 às 17h15

Foto: Divulgação

Líderes podem ter muitas classificações e perfis. Mas se quisermos olhar uma das possíveis, simples e direta, podemos olhá-los como: encorajadores ou amedrontadores. E essas faces se revelam muito claramente em tempos de mudança. Como o gerente responde aos seus colaboradores quando a empresa vai mal, o mercado desaquece e o empresário está recalculando rotas para evitar grandes perdas diz muito sobre a capacidade que o negócio terá de se recuperar.

Diz a sabedoria popular que “o aperto une”. Isso significa que quando há uma situação de dificuldade a se enfrentar é que devemos contar com aqueles que estão ao nosso lado. Não seria diferente dentro do mundo corporativo, em que o líder 360º é cada vez mais valorizado.

Liderar em tempos turbulentos é exercer autoridade sem deixar de se adaptar às mudanças (que podem ser muitas durante uma tormenta nos negócios) e ser a pessoa de confiança frente a novos desafios da equipe. A introdução da tecnologia na rotina dos colaboradores pode ser um exemplo. Quantos não podem se sentir “desencaixados” nas funções que sempre tiveram por essa razão?

Pontuar as vantagens nas mudanças propostas pela empresa e ser um guia para as adaptações são algumas das posturas que definem um bom líder nessas horas. É manter uma visão periférica de tudo o que engloba as necessidades e potencialidades do time que se comanda. Mas, mais do que tudo, é saber se comunicar com os liderados.

Não à toa, ao olhar o dicionário Aulete, encontramos que o sinônimo de líder é a “pessoa com autoridade e carisma para comandar outras”. Apenas com essas características, que traduzem muito o tipo líder incentivador, é que as organizações podem passar com determinação e entusiasmo por uma conjuntura problemática.

O CEO que assume para seus funcionários a situação exata pela qual a empresa passa tem mais confiança deles. Sair da sala fechada e tirar dúvidas, explicar mudanças, demissões, qualquer consequência que a crise traga é uma atitude imprescindível nesse panorama.

Talvez seja curioso nos atentar, para além da força do líder, à valiosa necessidade de o funcionário também estar comprometido com a superação dos desafios. No livro “Por que fazemos o que fazemos?”, Mario Sergio Cortella fala do trabalho com significação. Despertar esse sentimento – já que estamos falando das pessoas que fazem a empresa e que, por suas razões, podem se sentir “mecanizadas” ou “ameaçadas” pelas novidades que a empresa apresenta– é um desafio e tanto. E cabe ao líder essa tarefa.

Outro ponto a se destacar: a crise pode vir de dentro e de fora, como uma sequência de peças de dominó que caem aos poucos. Atualmente, as decisões políticas têm abalado consideravelmente a estabilidade do mercado e a estimativa de alta do PIB brasileiro para abaixo de 2% neste ano já revela que o voo até o final de 2019 não será sem turbulências.

Em um artigo do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (IBRE FVG), o economista Marcel Balassiano chegou a cravar que, se o PIB não crescer, em termos reais, 5,7% neste ano e o mesmo índice em 2020,o período de 2011 a 2020 já será reconhecido como a pior década dos últimos 120 anos, em termos de crescimento econômico brasileiro. Pior do que os anos 80, chamados de “década perdida”.

O que fazer quando, ainda assim, são buscados resultados, metas, entregas? Penso que deixar a função de “chefe” e ouvir os colaboradores para criar uma visão estratégica é um dos caminhos válidos. Manter o foco na gestão humanizada, se apoiar e transmitir valores como motivação, força e consciência das capacidades de cada um também se traduz como uma forma de o líder ser um multiplicador do princípio de “busca por soluções”.

Ninguém se sente confiante para trabalhar com um líder que coloque medo ou que titubeie diante de inovações. Ao contrário, é preciso alguém na linha de frente que promova ambiente de equilíbrio, em vez de estresse, estabilidade, no lugar de insegurança.

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