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Linguagem de Arquitetura Empresarial: ArchiMate

Fernando Zaidan

14/08/2013 às 9h51

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Olá Pessoal, tudo bem?

Nos posts anteriores foram mostrados um pouco do mundo da Arquitetura Empresarial. Agora, cabe introduzir o conceito de uma linguagem de Arquitetura Empresarial chamada ArchiMate.

Cada uma das ?partes interessadas? das organizações, os stakeholders, possuem visões especializadas, voltadas para a natureza de sua atuação e responsabilidades específicas. Mesmo fazendo parte da mesma organização, essas pessoas têm, em geral, modelos mentais claramente diferentes. Eles falam línguas específicas e entendem conceitos de forma modulada pelo conjunto de suas preocupações, diretivas e objetivos próprios. Para atender a estas necessidades, a Arquitetura Empresarial conta com uma linguagem que irá comunicar a arquitetura.

O arquiteto desenvolverá visões específicas sobre a arquitetura. Essas visões explicitam e comunicam como as preocupações e os requisitos são considerados e que compromissos ou acordos (trade-offs) são necessários para conciliar interesses possivelmente conflitantes. Sem a arquitetura é improvável que todas as preocupações e requisitos das diferentes partes interessadas possam ser considerados e atendidos pela infraestrutura organizacional.

No campo da modelagem conceitual de organizações, inúmeras evoluções ocorreram. Os diagramas, que eram meros desenhos, passaram a constituir artefatos formais que, exatamente por serem formais, permitem o desenvolvimento de aplicativos que apoiam e orientam o trabalho do arquiteto na sua concepção. Um problema, contudo, era a falta de uniformização desses diagramas, pois cada um deles fora desenvolvido com uma linguagem especializada.

Diante disto, surge um novo padrão, visando, sobretudo, fornecer uma representação uniforme dos diagramas que descrevem arquiteturas corporativas. A linguagem de modelagem de Arquitetura Empresarial, ArchiMate, foi desenvolvida no contexto de um projeto Europeu[1] (LANKHORST, 2012). Ela oferece abordagem conceitual integrada que descreve e permite visualizar os diferentes domínios da arquitetura, bem como as relações e dependências que subjazem entre seus componentes.

O arcabouço ou framework ArchiMate dispõe de uma linguagem gráfica de representação das arquiteturas, capaz de incorporar os conceitos do paradigma de orientação a serviço. O arcabouço predefine conceitos e relações que permitem modelar a empresa, bem como sua evolução ao longo do tempo, incluindo planos de alteração e migração. É simples, mas abrangente o suficiente para proporcionar um bom mecanismo de estruturação da arquitetura.

ArchiMate visa descrever, analisar e visualizar arquiteturas de informação em diferentes domínios de negócios (ARCHIMATE, 2013). É um padrão do The Open Group baseado nos conceitos da norma IEEE 1471 (nos posts anteriores esta norma foi explicada). ArchiMate se distingue de outras linguagens como Unified Modeling Language (UML) e Business Process Modeling Notation (BPMN) pelo seu metamodelo bem definido e de escopo mais amplo, apropriado para a modelagem da arquitetura da organização como um todo.

A evolução conceitual do ArchiMate acompanha aquela de outro padrão anterior denominado TOGAF[2], desenvolvido pelo The Open Group[3]. Como o TOGAF não dispõe de uma linguagem própria para representação dos modelos, decidiu-se por promover a integração entre os dois arcabouços, ficando o TOGAF focado no método de construção de arquiteturas - o Architecture Development Method (ADM) - e o ArchiMate, focado na representação diagramática das arquiteturas, ou seja, na linguagem de construção dos modelos.

No próximo post falaremos da estrutura da linguagem ArchiMate.

Referências

ARCHIMATE. What is ArchiMate? Disponível em: < http://www. archimate.nl/en/ about_archimate/what_is_archimate.html>. Acesso em 16 jun. 2013.

LANKHORST, M. Enterprise architecture at work: modelling, communication, and analysis. Berlin: Springer-Verlag, 2012.

 


[1] http://www.archimate.nl/

[2] TOGAF - The Open Group Architecture Framework. Embora denominado um framework, seria melhor definido como um processo de construção de arquiteturas.

[3] http://www.opengroup.org

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