Home > Xandó: Avaliações e Opiniões

NVIDIA e carros autônomos, o que têm a ver?

Flavio Xandó

03/07/2017 às 19h40

Foto:

FXREVIEW - NVIDIA e carros autônomos, o que têm a ver?

Carro autônomo, você ainda vai ter um!! Parafraseando a citação que precedeu a adoção em massa dos carros movidos a álcool, acho que isso é uma grande verdade! Não pensem vocês que de um dia para o outro um fabricante vai anunciar seu carro que dispensa o motorista. Isso já está em curso, passo a após passo. Vários fabricantes já têm recursos de automatização como “adaptive cruize control” (piloto automático que controla a velocidade de forma dinâmica), assistente para manutenção do carro na faixa, parada de emergência em caso de perigo, assistente para estacionamento (coloca o carro sozinho na vaga), ...

Estas tecnologias todas estão sendo criadas e integradas nos automóveis atuais. Porém para integrar todos estes sistemas e outros que estão em desenvolvimento é necessário um poder computacional bastante avantajado!! São milhares de dados por segundo colhidos de muitos sensores presentes nos veículos, bem como por meio de câmeras que precisam ter suas imagens interpretadas!

Não só a capacidade de processamento precisa ser formidável como a forma deste processamento precisa ser diferente. Em um sistema clássico de computação existem vários núcleos com capacidade “pensante” que se dividem nas tarefas. Um servidor típico com arquitetura x86 pode ter processador com 4, 8, 16, 24 ou eventualmente 32 núcleos. Já seria algo extraordinário um servidor com 2 processadores, resultando em 64 núcleos!! Mas isso custa muito dinheiro e por incrível que pareça não parece ser a melhor arquitetura para lidar com um carro autônomo!! Por que??

A necessidade de um carro autônomo é de dezenas, centenas, talvez milhares de pontos de atenção, um tipo de processamento largamente distribuído, porém com respostas instantâneas às demandas. Sensores e câmeras por todos os lados precisam ser analisados e processados. Depois deste longo introito faço a conexão com as GPUs, ou seja, a arquitetura exata para a tarefa presente nas “placas de vídeo” mais avançadas. Sim porque em uma placa de vídeo a forma de trabalho é exatamente essa. É como se cada pixel merecesse seu próprio processamento e por isso em vez de 16, 32 ou 64 núcleos “pensantes” uma GPU tem capacidade de lidar com milhares pontos de atenção e processamento ao mesmo tempo.

Exemplo de GPU (para PCs) da NVIDIA – GTX 1080 Ti

A fabricante NVIDIA, gigante no mercado de placas de vídeo e GPUs para PCs está nesta arena já faz algum tempo. Eu me lembro de ter visto pouco mais de um ano atrás um sistema desenvolvido para processar imagens de câmeras de automóveis. Com tecnologia NVIDIA. Agora a Volvo Cars e a Autoliv se unem à NVIDIA para desenvolver sistemas e softwares avançados para carros autônomos com AI. No comunicado de imprensa replicado abaixo há mais detalhes específicos desta parceria.

Mas a primeira imagem que me vem à mente quando penso sobre o assunto é o filme “Vida de Inseto” (Bug´s life) feito pela PIXAR anos atrás. Aliás, renderização de filmes animados é algo também muito apropriado para processamento por GPUs. Veja mais em “Pixar Animation Studios Licenses NVIDIA Technology for Accelerating Feature Film Production”. Mas por que faço essa comparação??

Em determinado momento do filme os gafanhotos, insetos grandes, robustos e poderosos se impunham contra as diminutas formigas obrigando-as a trabalhar para elas. De fato, uma dúzia de formigas podem ser esmagadas por um gafanhoto. Mas quando elas perceberam que aos milhares poderiam se unir contra seus algozes, mesmo com força pequena, cada uma delas em conjunto foram capazes de pôr para correr os gafanhotos que as escravizavam. Os gafanhotos na minha metáfora são os processadores tradicionais, grandes, fortes, poderosos, mas que não dão conta de milhares de tarefas que uma colônia de formigas é capaz (a GPU). Claro que os processadores tradicionais não são malévolos como os gafanhotos da história, a partir disso a comparação não se aplica mais. Mas o conceito da GPU é da colônia de formigas, que já são fortes para o seu tamanho, mas dividindo tarefas e agrupando-se convenientemente de acordo com as ações necessárias ao longo do tempo e muitas vezes... isso faz toda a diferença!

Cena do filme na qual as formigas aos milhares derrotam os gafanhotos
Por isso a importância do anúncio replicado abaixo. A série NVIDIA DRIVE PX é uma tecnologia de supercomputador, baseado em arquitetura de GPUs que vai ajudar a viabilizar o recurso necessário para a demanda do carro autônomo!! E por que a VOLVO? Meu palpite é que como a Volvo é muito conhecida por ter os carros mais seguros do mundo, para ter seus modelos autônomos ou semiautônomos, demanda com total precisão e eficácia é fundamental. Por isso a parceria com uma empresa que  pode prover este tipo de tecnologia como a NVIDIA.

 

 

 


Volvo Cars e Autoliv escolhem a plataforma NVIDIA DRIVE PX para o desenvolvimento de carros autônomos


A colaboração deve lançar no mercado veículos autônomos com AI  em 2021

A Volvo Cars e a Autoliv se unem à NVIDIA para desenvolver sistemas e softwares avançados para carros autônomos com AI.

As três empresas trabalharão juntas com a Zenuity, uma joint venture recém-criada pela Volvo Cars e pela Autoliv, voltada ao desenvolvimento de softwares automotivos e da próxima geração de tecnologias para carros autônomos. Os veículos produzidos em série com a plataforma de computação para carros NVIDIA DRIVE™ PX devem chegar ao mercado em 2021.

“A inteligência artificial é a ferramenta essencial para solucionar o desafio incrivelmente complexo da condução autônoma”, afirma Jensen Huang, fundador e CEO da NVIDIA, que conversou sobre a iniciativa durante palestra no Automobil Elektronik Kongress. “Estamos ampliando nossa colaboração anterior com a Volvo para criar veículos que aumentem a segurança da condução, tornem as cidades mais ecológicas e reduzam os congestionamentos em nossas ruas”.

A Volvo Cars, a Autoliv e a Zenuity usarão a plataforma de computação de AI para carros da NVIDIA como o alicerce para o seu próprio desenvolvimento de softwares. Segundo Hakan Samuelsson, presidente e diretor executivo da Volvo Cars, "nossa cooperação com a NVIDIA posiciona a Volvo Cars, a Autoliv e a Zenuity na vanguarda desse mercado dinâmico para desenvolver a próxima geração de recursos de condução autônoma. A parceria também acelerará o desenvolvimento e o lançamento comercial dos carros autônomos próprios da Volvo”.

Jan Carlson, diretor executivo da Autoliv, ressalta que, “com a NVIDIA, nós agora temos acesso total à principal plataforma de computação de AI para condução autônoma. A Autoliv, a Volvo Cars e a NVIDIA compartilham a mesma visão de uma condução segura e autônoma. Essa cooperação promoverá ainda mais nossas principais ofertas de sistemas avançados de assistência ao motorista (ADAS, Advanced Driver Assistance Systems) e condução autônoma no mercado”.

As companhias trabalharão em conjunto para criar sistemas que possam usar o deep learning, uma forma de inteligência artificial, para reconhecer objetos no ambiente, antecipar possíveis perigos e navegar com segurança.

O sistema NVIDIA DRIVE PX permite uma compreensão total em 360 graus e em tempo real, bem como usa um mapa em alta definição conhecido para planejar com segurança e dirigir com precisão, ajustando-se às circunstâncias em constante mudança. O sistema também realiza outras funções cruciais, como reunir as informações das câmeras para criar uma visão completa do ambiente do carro.

A Zenuity fornecerá à Volvo o software de condução autônoma. A empresa também venderá esse software à OEMs usando sua ampla e já estabelecida rede de vendas, marketing e distribuição.

Junte-se a nós e receba nossas melhores histórias de tecnologia. Newsletter Newsletter por e-mail