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Startups no mercado de segurança eletrônica

Como se preparar para o protagonismo em um setor que passa por uma profunda transformação

ABESE

06/05/2019 às 17h24

Foto: Shutterstock

Por Edson Pacheco*

O termo 'sectech', usado para designar as startups de segurança eletrônica, merece um olhar atento das empresas tradicionais do mercado e de investidores. O Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) estima que a violência imponha ao Brasil um custo de US$ 91 bilhões por ano (~R$350 bi, em valores atuais), sendo que os custos privados respondem por 36% (R$ 126 Bi), os públicos a 48% (R$ 168 Bi) e os sociais a 16%(R$ 56 Bi). Além de seu tamanho, o mercado de segurança tem sua operação baseada em pessoas colocando procedimentos em prática, justamente o tipo de atividade que será substituída por soluções baseadas em tecnologias emergentes. Um grande mercado em profunda mudança é terreno fértil para a inovação.

 

E as startups?

As grandes transformações tecnológicas criam novos conceitos, mercados e oportunidades, e, por isso, devemos observar as margens do processo. Por exemplo, estamos vivendo mudanças na mobilidade urbana, graças à tecnologia, mas outros setores serão contaminados. Pense nos espaços, hoje destinados a estacionamentos, que serão criados e em como a inovação tratará de transformá-los. O mesmo acontecerá com a segurança privada. As novas tendências farão mais do que uma substituição da mão-de-obra por sistemas autônomos: criarão novas oportunidades e segmentos. Embora as empresas estabelecidas possam se adaptar e criar novos negócios, a história tem mostrado que a elas falta a agilidade, o 'mindset' e o interesse em promover uma disruptura de seu próprio modelo. Assim, as próximas aplicações da área de segurança provavelmente serão criadas por empresas ainda em estágio inicial.

O cenário para as startups 

Levar um produto de tecnologia para o mercado nunca custou tão pouco. Hoje, os empreendedores dispõem de insumos sob demanda, mas não é só isso: as metodologias de desenvolvimento de negócios mudaram, permitindo ciclos curtos de validação e gerando um aprendizado rápido das necessidades dos usuários. Por fim, as startups estão na moda e isso favorece a sua aceitação . Contudo, é preciso investimento para que elas cresçam rápido.

Desde 2013, o investimento de VC (venture capital) no Brasil aumentou quase 10 vezes, superando R$ 2 Bi no ano passado, tornando-o líder da América Latina. Como resultado, nos últimos anos criamos nossos primeiros unicórnios (empresas cujo valor supera US$ 1 Bi): 99, NuBank, PagSeguro. E outros virão em breve.

Cliente anjo: uma proposta para o setor de segurança

Muitas empresas têm apostado em parcerias com aceleradoras, ajudando startups do seu mercado a alavancar os negócios através do emprego de metodologias ágeis e enxutas, de ferramentas de apoio, espaço físico, mentoria e investimento. Em troca, podem ficar com uma parte do negócio. No mercado de segurança, ainda vemos uma grande distância entre as empresas estabelecidas e as startups.

Um primeiro passo para essa aproximação pode ser o modelo de “cliente anjo”. Neste, as empresas adotam uma ou mais soluções de startups, a contratante obtém tecnologia em primeira mão e pode firmar acordos estratégicos sem realizar investimentos de risco. Para as startups, é uma oportunidade de validar e ajustar mais rapidamente seu modelo enquanto gera receitas.

A segurança, como um negócio, sofrerá mudanças profundas nos próximos anos, em decorrência das novas tecnologias. Para sobreviverem, as empresas de hoje precisam se aproximar das de amanhã.

 Edson Pacheco é coordenador do comitê de startups da Abese

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