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Como combater o avanço implacável das fake news?

Esse trem desgovernado é capaz de destruir empresas, mercados e até governos. Executivos debatem o tema

Solange Calvo

19/10/2018 às 9h01

Fake news
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As fake news viraram uma febre global. Volta e meia celebridades, pessoas, governos, negócios, políticos são vítimas de notícias falsas, que se propagam como um tsunami nas redes sociais. Elas podem provocar prejuízos irreparáveis à imagem de empresas e de pessoas.

Levantamento recente da Pew Research indica que o ecossistema de notícias falsas ataca alguns dos instintos humanos mais profundos: a busca pelo sucesso e poder. A estimativa da pesquisa é alarmante: a proliferação de fake news continuará a degradar o ambiente de informações on-line na próxima década. Então, como combatê-las?

Esta foi a questão discutida ontem (18/10) no painel Fake News. Tecnologias podem combatê-las? no último dia do IT Forum Expo 2018, com o objetivo de mostrar caminhos para estancar o avanço dessa propagação destruidora que a cada dia ganha mais força e escala, colocando em risco toda a sociedade.

Márcio Vasconcelos, diretor-presidente do IT&E (Instituto Tecnologia & Equidade), trouxe um dado ainda mais assustador. Ele disse que, segundo estimativas do instituto de pesquisas global Gartner, em 2022, mais de 50% das informações consumidas na web serão falsas. “ É por essa razão que precisamos com urgência de uma alfabetização digital. Entender o que é informação, os caminhos que percorre, sua origem e construirmos estratégias para combater as fake news”, argumentou.

O executivo acrescentou que não existe uma “bala de prata” para a solução do problema. “Acredito na necessidade de se criar regras nas plataformas de comunicação, de informação. A tecnologia certamente é o caminho, tem de ser uma aliada. A Inteligência Artificial (IA) tem de estar a serviço dessa causa.”

Para Rodrigo Flores, jornalista, diretor de Conteúdo do UOL, as fake news se propagam com facilidade e velocidade porque se tratam de conteúdos simples e instigantes. “Sem contar que trafegam em um meio abrangente como as redes sociais. Elas são como viés de confirmação. E a cada dia se sofisticam, em formato de memes – simples, diretos e objetivos.”

Flores apontou como agravante o fato de que hoje a sociedade, desestruturada, vive o momento de pior crise de credibilidade. “A forma como a sociedade se comunica mudou, exigindo também uma mudança educacional.”

O jornalista disse ser contra uma legislação que coloque em risco a liberdade de expressão. “Precisamos estar atentos a essa movimentação para que não mergulhemos em um mar de notificações, muitas vezes sem fundamento, para retirar conteúdo do ar”, alertou.

Daniel Nascimento, fundador e CEO da DNPONTOCOM, destacou que as fake news existem há muito tempo. “O que mudou foi a forma como ela se propaga, a sua velocidade e escala por meio das redes sociais, hoje mais amplas.”

Segundo Nascimento, é muito fácil criar opinião com gatilhos emocionais e as fake news são construídas nessa base. “A geração Z  (pessoas nascidas no fim da década de 1990 até 2010) é muito propensa a formar opinião por meio desses gatilhos. É fato que por meio das fake news há manipulação da opinião pública.”

“A base para o combate é a educação e não propriamente a legislação. A tecnologia e os jornalistas poderão ajudar muito nesse processo. É preciso até um envolvimento muito maior dos jornalistas, muito além da tecnologia”, destacou.

Flores fez um alerta importante: “Está provado que quando combatemos as fake news com notícia verdadeira estancamos o processo. É preciso encontrar uma forma de fazer isso na mesma velocidade e escala das notícias falsas”.

Vasconcelos acredita que a tecnologia irá evoluir para frear essa propagação hoje incontrolável, mesmo tecnologicamente, em sua avaliação. “A linguagem natural, por exemplo, vai evoluir e conseguir detectar com mais facilidade o que é falso. Mas ainda estamos no estágio artesanal desse combate, o que dificulta o trabalho. E, assim, os dados são usados para manipular nossas emoções.”

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