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Como promover a igualdade de gênero?

Talvez a solução esteja de dentro para fora

Bia Nóbrega*

04/05/2019 às 9h29

Foto: Shutterstock

Uma pesquisa publicada pelo Fórum Econômico Mundial entre 2016 e 2017, mostra que o Brasil levará cerca de 100 anos para alcançar a equidade salarial entre os gêneros. E segundo estudo do Instituto Georgetown divulgado em 2018, o país também é um dos piores lugares do mundo para mulher viver, visto suas condições sociais associadas ao seu gênero.

O movimento de mulheres está cada dia mais forte e alcançando novos e mais espaços para que esses assuntos possam ser debatidos por mais pessoas. Para Ana Fontes, CEO da Rede Mulher Empreendedora e considerada uma das mulheres mais poderosas do Brasil pela revista Forbes em 2019, a melhor forma para isso se faz a partir de políticas afirmativas. "As cotas, por exemplo, servem como um processo transitório a fim de corrigir desigualdades. Essa é uma questão de direitos humanos. Ainda temos poucas mulheres em cargos de liderança, na política e ambiente de poder, no geral. O que precisamos fazer é se movimentar, colocar o tema em evidência", ressalta.

Com ações cotidianas, a mudança vai surgindo. É um trabalho de formiga, que nos faz rever e repensar nossos costumes e hábitos culturais. Cristiana Aché, diretora do programa de Pós-MBA da Saint Paul Escola de Negócios que desenvolve especificamente mulheres para atuação nos conselhos de administração diz que isso não deve ser encarado como uma batalha. "É uma jornada que deve ser feita com serenidade, mostrando o que cada gênero tem a oferecer de positivo para o prol comum. Temos visto um crescimento de redes de apoio entre mulheres e essa é uma verdadeira revolução desse movimento", sinaliza.

Ainda assim, devemos estar atentas e unidas para que juntas possamos fazer a diferença. É o que Neivia Justa, LinkedIn Top Voice 2018 e líder na temática de diversidade de inclusão no Brasil e fundadora da campanha ‘#ondeestãoasmulheres’ acredita. "Costumo dizer que precisamos de cinco características: consciência, intenção, vontade, compromisso e coragem. É necessária muita coragem para mudar comportamentos que você não gosta em você mesmo, comportamentos excludentes e carregados de preconceitos. Só mudando de dentro para fora é possível promover uma mudança a sua volta", destaca.

Não é à toa que o movimento de mulheres tem conquistado cada vez mais seguidoras e representantes. As mulheres estão se unindo e se fortalecendo para alçar novos voos. É importante sempre olharmos tanto para nossas semelhanças, quanto distinções, a fim de analisar não apenas questões de gênero, como também de raça, classe e sexualidade. Assim, espero que possamos agir da forma mais profunda e efetiva na construção de um mundo mais próspero e diverso.

*Bia Nóbrega é coach, mentora, palestrante e atua há mais de 20 anos na área de Recursos Humanos. 

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