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Como viver a final da Liga dos Campeões como se estivesse na Espanha

Hoje tecnologias de transmissão de vídeo permitem que fãs do mundo inteiro acompanhem o evento desde qualquer lugar do mundo

Ignacio Velilla*

31/05/2019 às 11h11

Foto: Shutterstock

Você é fã de futebol? Se sim, já deve estar sabendo que, no próximo dia 1º de junho, por volta das 16h, soará o apito inicial da final da Liga dos Campeões, no estádio Wanda Metropolitano, em Madri. O que você provavelmente não sabe é que essa partida, a mais importante do planeta (quando falamos de clubes de futebol e não de seleções), fará com que cerca de 350 milhões de espectadores, de mais de 200 países, reúnam-se na frente de seus televisores. Para entendermos a dimensão desse evento esportivo, é interessante colocar os números na mesa: cerca de 130 comentaristas, 550 jornalistas e 160 fotógrafos estiveram em Kiev, em 2018, para transmitir a final entre Real Madrid e Liverpool. Uma infraestrutura difícil de replicar.

Em todo o mundo, espectadores, fãs e meios de comunicação farão parte de um evento de mídia comparável a poucos ao longo do ano, e todos dependerão completamente de tecnologias e modelos de transmissão de conteúdo audiovisual para ter acesso a tudo o que estiver acontecendo em Madri antes, durante e depois do jogo.

Por essas razões e pela paixão que o futebol desperta globalmente, as principais empresas de mídia do mundo apostam alto na data. O intuito não é colocar mais pressão, mas a experiência do espectador determinará, em grande escala, o sucesso de qualquer rede de televisão ou produtor de conteúdo que transmita ou divulgue a partida.

Um dos maiores problemas para essas empresas é a diferença entre o tempo de transmissão e o tempo real de qualquer evento esportivo. Por exemplo, aqueles que assistem a jogos de futebol na TV a cabo ou via 'streaming' podem notar claramente um atraso na transmissão quando seus vizinhos estão sintonizados na mesma partida via satélite ou pelo rádio e comemoram um gol bem antes deles. Em alguns casos, a diferença pode chegar a 40 segundos: um pequeno atraso na retransmissão que parece uma eternidade e pode arruinar a experiência de qualquer fã.

A principal razão para este atraso é bem conhecida: o caminho do sinal desde a captura da imagem até a recepção pelo espectador é mais longo no caso da televisão a cabo ou do 'streaming' do que da televisão tradicional. A solução pode parecer simples – confiar no modelo conhecido a vida toda – mas a qualidade de imagem oferecida pelas antenas de televisão não chega perto do nível de alternativas baseadas em HD e 4K. Então, apostar em sistemas tradicionais de transmissão não é uma opção em 2019.
Abandonar modelos tradicionais de transmissão

Embora o problema esteja devidamente identificado, as plataformas desses meios de comunicação ainda são costumeiramente projetadas em torno de tecnologias tradicionais e redes centralizadas para a recepção e distribuição de sinais de televisão. Os canais de televisão recebem a transmissão das partidas de outras partes do mundo em seus escritórios centrais (geralmente através de internet pública) e as distribuem para seus assinantes por fibra ou satélite. Este modelo isolado e hipercentralizado de criação, armazenamento e distribuição não suportará o aumento atual no volume de dados, o crescimento global dos negócios e a velocidade de transmissão necessária. Além disso é um modelo ainda muito caro, rígido e restritivo.

Para resolver o problema relacionado à velocidade e distribuição da transmissão de conteúdo, algumas empresas líderes já estão contando com uma tendência tecnológica sem volta: a interconexão, que é a conectividade privada, ultrarrápida e segura entre empresas, organizações e instituições. Essa nova forma de comunicação, que evita a internet pública, está se tornando a maneira pela qual as empresas estão compartilhando dados entre si.

A interconexão permite a troca direta de dados entre provedores de conteúdo e empresas de mídia, sem a necessidade de usar a internet pública. Ao conectar de maneira privada vários data centers em todo o mundo, a interconexão cria um tipo de “rodovia privada” que é aberta exclusivamente a essas empresas nos chamados ecossistemas digitais de negócio – uma rota muito menos congestionada e mais rápida do que a rede atual.

De acordo com o estudo Global Interconnection Index (GXI), é esperado que, em 2021, a largura de banda de interconexão deve atingir 2.200 terabytes por segundo de capacidade ou o equivalente a 33 zettabytes de intercâmbio de dados por ano. Isso representa uma taxa de crescimento anual composta impressionante ao longo de um período de cinco anos, que atingirá 48%, cerca de duas vezes a taxa de crescimento correspondente ao tráfego IP global (26%).

No caso específico da transmissão de conteúdo – não exclusivamente esportivo –, a interconexão dos data centers ajuda a garantir que o 'streaming' de vídeo ocorra sem problemas. No caso de uma final da Liga dos Campeões, por exemplo, a transmissão deve ter a velocidade e o menor tempo de resposta (baixa latência) necessários para assegurar a melhor experiência de visualização possível, com qualidade de imagem superior e sem atrasos.

Graças às plataformas de interconexão, as empresas de conteúdo e mídia podem dimensionar seus projetos de maneira simples globalmente, conectar-se de forma privada com seus parceiros, criar produtos personalizados para cada espectador, produzir novas formas de consumo de conteúdo e gerar maiores benefícios. Em suma, a interconexão permitiria que os quase 350 milhões de espectadores que assistirão à final da Liga dos Campeões em Madrid desfrutassem, em tempo real e com a melhor qualidade de imagem e som, deste espetáculo.

O futuro dos meios de comunicação

Pensando nas futuras finais da Liga dos Campeões, copas do mundo de qualquer esporte ou dos Jogos Olímpicos de Tóquio 2020, as empresas podem implementar uma arquitetura orientada à interconexão que permita transformar sua atividade graças a um modelo distribuído baseado na nuvem. Para dar um exemplo concreto, a Discovery Communications, uma das principais empresas de mídia e entretenimento do mundo, conseguiu consolidar 80% de sua plataforma, otimizando a entrega de conteúdo globalmente e acelerando a entrega de suas transmissões em conexões em tempo real, ao localizar suas infraestruturas de TI nos data centers interconectados  em Ashburn, Londres e Paris.

Na Espanha, onde os torcedores desfrutarão ainda mais de perto da final europeia, a adoção de soluções de interconexão na indústria de entretenimento e na mídia cresce a cada dia e de uma maneira sem volta. As empresas já perceberam a importância de oferecer aos usuários os melhores serviços de transmissão e 'streaming' do mercado e, para isso, devem adotar os melhores modelos de interconexão possíveis. Esse é o momento de as grandes empresas de mídia investirem em tecnologia para serem mais competitivas nos próximos eventos esportivos e se tornarem negócios verdadeiramente globais.

*Ignacio Velilla é diretor- executivo da Equinix na Espanha

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