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Atenta à fuga de clientes

Atenta à fuga de clientes, Chrysler apresenta conceito para nova geração

Batizado de Portal, carro amplia conceito de conectividade e aprofunda ainda mais relação com design

Não é de hoje que a indústria automobilística anda com o sinal de alerta aceso quando o assunto é o futuro das montadoras. Carros autônomos e serviços como o do Uber aprofundaram o debate em torno da necessidade de ter um carro e, ao que tudo indica, as novas gerações são as mais entusiastas da economia do compartilhamento. Ou seja, em vez de comprar um automóvel, o uso como serviço. Ainda que exista espaço para isso, a indústria quer frear tal filosofia com produtos que encantem e ofereçam uma experiência totalmente diferente da existente até então. No caso da Chrysler, o foco foi pensar um modelo centrado no terceiro espaço, que nada mais é que o intervalo entre a casa e o trabalho, um não-local onde se gasta cada vez mais tempo. E a partir de um trabalho envolvendo engenharia, design de interior e exterior e um especialista em experiência do cliente, nasceu o Portal.

O carro é diferente de tudo o que você viu até o momento. O assoalho é plano, a coluna central das portas não existem, já que elas são corrediças, os bancos são configuráveis de acordo com a necessidade do momento e o painel de interação e informação é totalmente sensível ao toque. Além disso, possui câmeras internas para entretenimento e segurança, sensores e está preparado para condução autônoma. “Nosso desejo era desenvolver um carro que fosse um objeto de desejo da nova geração”, pontuou Ashley M Edgar, gerente de projeto de engenharia avançada na Fiat Chrysler (FCA), reconhecendo a perda de interesse pela propriedade do carro entre os jovens conhecidos como millennials. “Engajamos parceiros de tecnologias, como Samsung, e focamos em flexibilidade, autonomia e conexão, tudo o que esses jovens buscam.”

Para criar essa experiência e dar um novo sentido a esse terceiro espaço, houve um trabalho imenso de design de interior, liderado por Cindy Juette, também da FCA, que, para criar o interior do Portal, recorreu a referências como galerias de arte. “Pensamos em um lugar bonito para estar e tendo tudo o que você precisa dentro do veículo, elevando o conceito de experiência”, comentou. Todo o interior é personalizável, desde as cores à organização, facilitada por bancos que se movimentam ou são retirados de acordo com a demanda. “Trata-se de um espaço contemporâneo e com painéis sensíveis ao toque para facilitar a interação e deixar a experiência similar a de um smartphone.”

E se um dos focos era mudar a experiência de conduzir, o líder de experiência de usuário da FCA, Emilio Feliciano, buscou uma maneira de integrar tudo o que existe em termos de tecnologia de maneira diferente, focando a usabilidade do proprietário. “O veículo precisava estar conectado a vários devices, ter um custo consciente, muito importante para essa nova geração, com tecnologias atualizáveis e ser altamente personalizável”, ressaltou. “O carro reconhece seu rosto, voz e te dá acesso, é configurado à sua maneira de forma que, ao te reconhecer, ajusta a temperatura ao seu estilo e coloca a playlist de músicas preferidas.”

O painel, sensível ao toque, é baseado em imagens e informações gráficas, deixando à frente do condutor tudo o que ele precisa para dirigir com segurança. Além disso, toda a tecnologia embutida faz com que a conexão e o compartilhamento sejam usados à exaustão e a partir de qualquer dispositivo. 

Não menos importante, o exterior do carro também contou com um time de especialistas para desenvolvê-lo, liderado por Matt Dunford, que contou que o modelo foi inspirado em residências contemporâneas. “Pensamos o espaço como algo inspirador, bonito, para criar uma relação harmoniosa com o proprietário. Por isso também as portas rolantes, tirando a coluna central, que facilita acesso e movimentação. Removemos ainda os retrovisores, no protótipo substituídos por câmeras que ampliam a visão do condutor e dão mais segurança.”

O Portal, da Chrysler, ainda não tem data para chegar ao mercado, mas mostra o claro esforço da indústria em reinventar algo que há décadas não muda seu core. Na própria CES 2017, onde o modelo foi apresentado, outras montadoras estão expondo e discutindo o futuro dessa indústria cada vez mais afetada pela tecnologia. No caso da Chrysler, especificamente, é preciso reconhecer o resultado, mas resta saber se um modelo como esse, por mais atrativo que possa ser, provocará uma mudança na maneira de pensar de uma geração que nem habilitação para dirigir tem buscado.

*O IT Forum 365 viajou a Las Vegas a convite da CTA, organizadora da CES


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