Presidente da InternetSul dispara: grandes operadoras são um erro na Internet

Associação dos provedores de Internet aponta erros que forçarão as Teles a reduzir drasticamente sua participação no mercado de Internet

Toda e qualquer tentativa de fazer uma grande rede de Internet é um erro. As mega estruturas das grandes operadoras não têm como dar certo porque vão contra os princípios da Internet, que desde sua origem na década de 60, nos EUA, se fundamenta na interligação de pequenas redes. E se não houver investimento massivo das operadoras na ampliação de sua cobertura, especialmente no interior do Brasil, nos próximos anos não haverá mais espaço para nenhuma delas.

As afirmações são do presidente da InternetSul, Luciano Franz. “Sempre que se tentou fazer uma grande rede com Internet, nada nunca deu certo. O foco da Internet é um conjunto de pequenas redes que são interligadas por meio de cabos, de ondas de rádio, de fibra ótica, etc, e que atuam em microlocalides. Esta é a única forma de prestar um serviço de alta qualidade”, explica o gestor.

Isto porque, segundo Franz, a Internet foi concebida para atuar em redundância – se uma via está com problema, vai por outra. Assim, as grandes estruturas baseadas em pilares únicos estão fadadas a cair, perder qualidade, velocidade e, consequentemente, mercado, já que na outra ponta os pequenos provedores (os chamados ISPs, da sigla em inglês para Internet Service Provider) se expandem cada vez mais, levando Internet a localidades onde as grandes operadoras não têm interesse financeiro e dificuldades técnicas em atingir.

“Os pequenos provedores das cidades, especialmente do interior, tornam desnecessária a presença das operadoras tradicionais, pois eles não dependem mais delas para nada. Já foi o tempo em que o ISP precisava da operadora para fornecer seu link de borda ou para contratar o pacote de dados vindo de São Paulo, de Brasília ou dos EUA. Os ISPs hoje são independentes nesse caminho, não compram mais nada das grandes Telcos”, destaca Franz. “Pequenos provedores conseguem oferecer uma média de até 20 megas de velocidade, enquanto as gigantes não passam de 7 a 8 megas na prática. A verdade é que o ISP entrega até 3 vezes mais velocidade com menor custo do que uma operadora”, dispara.

Tudo isso com o diferencial do atendimento. O presidente lembra que o ISP é muito mais próximo do cliente, já que quase sempre o atende a partir de sua própria cidade ou região. Isso permite um contato empresa – cliente mais humano, longe da automatização geral das grandes teles, esquema no qual o consumidor é atendido por uma URA e invariavelmente transformado em um número de protocolo.

“O ISP manda o técnico à casa do cliente verificar e arrumar o problema. Ele destina tempo e pessoas reais ao atendimento, é próximo e dedicado, e isso só uma empresa pequena ou média consegue fazer com a qualidade que o cidadão exige”, comenta Franz.

Outro fator que evidencia o apocalipse da era das grandes operadoras na Internet, segundo o presidente, é a questão da disponibilidade atrelada a pontos de troca de dados hiper concentrados.

Há poucos meses, por exemplo, um cabo de fibra óptica se rompeu em um ponto de troca em Curitiba e causou queda de sinal de Internet em boa parte do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Para Franz, casos como este são inadmissíveis, já que têm solução.

“No ano passado a Antel (operadora Uruguaia) se conectou ao cabo Monet, que vem de Miami a Punta del Este, passando por Fortaleza e São Paulo. Hoje, ele já está iluminado até Rivera, na fronteira do Rio Grande do Sul com o Uruguai, e logo estará funcionando. Este cabo será uma via alternativa de acesso, porque hoje os caminhos que existem no Brasil passam por baixo de estradas, por postes, e ficam sujeitos a raios, vento, quedas dos postes, gerando uma queda de serviço de longa abrangência. O cabo Monet dará ainda mais independência a provedores. A InternetSul trabalhou para descentralizar o ponto de troca de São Paulo, fazendo um ponto de troca de tráfego em Santa Maria-RS, que hoje está entre os dez maiores pontos de troca de tráfego do Brasil”, salienta o gestor.

O que isso significa? Que conteúdos de serviços como Google, Facebook, Netflix, YouTube e outros virão para o ponto de Santa Maria, sem ficar na dependência de São Paulo. Como no modelo convencional de navegação na Internet todo acesso feito, por exemplo, no Rio Grande do Sul vai ao ponto de São Paulo e retorna com o conteúdo, ganhar esta independência contribuirá para alcançar muito mais disponibilidade e velocidade de Internet.

Trata-se de reduzir o tráfego de uma rede de 2 mil km de distância para uma de 250 km. É quase dez vezes menos espaço geográfico, quase dez vezes menos risco de queda do sinal.

Muito comentada quando o assunto é cobertura de localidades de difícil acesso, a tecnologia de Internet via satélite é uma alternativa, sim, segundo Franz. Entretanto, não são todos os serviços que ela comporta com qualidade.

“A radiofrequência satelital é muito interessante e muito útil. Em uma única situação: se o usuário está em uma localidade onde não é possível chegar com nenhum outro meio – cabo, fibra, rádio. Existem milhares de localidades com este perfil no Brasil, e, para estas, o satélite é a salvação”, comenta Franz. “Porém, esta tecnologia não atende a todos os requisitos da Internet, e o usuário não contará com o serviço em 100% de sua integridade. Ele vai conseguir digitar no Whatsapp, mas jamais vai poder fazer uma ligação pelo aplicativo, por exemplo. Não vai conseguir fazer ligações via VoIP, nem jogar games, tudo porque a latência do pacote satelital é muito lenta. Mas poderá navegar, ver vídeos, olhar o Facebook”, conclui.

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