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CRA-RJ otimiza fiscalizações com plataforma de big data

Guilherme Borini

05/07/2017 às 12h18

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Garantir o exercício legal da profissão de Administrador, tanto os profissionais quanto as empresas, é a principal missão do Conselho Regional de Administração (CRA). No entanto, o processo de certificação sobre a atuação com registros CRA, segundo palavras do diretor de Tecnologia da Informação da unidade do CRA no Rio de Janeiro, Rômulo César, era moroso e a "conta-gotas". Isso porque a instituição recorria a fontes como diário oficial, editais de concursos, informações da Receita Federal e JUCERJA (Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro), além de notícias sobre empresas que tinham novidades sobre Administração. Em busca de agilidade para esse processo, a instituição desenvolveu um projeto com a empresa catarinense de tecnologia Neoway, com uma plataforma de big data e analytics.

"A partir do momento em que descobrimos o big data com a Newoay, conseguimos juntar várias informações, que nos entregaram todas as empresas que abriram naquele determinado local, com características específicas. Ganhamos agilidade no processo. Temos acesso a endereço, capital social, quantidade de sócios, entre outras informações. Isso possibilitou a expedição de ofícios em massa para alcançarmos o maior número de empresas", comenta César, em entrevista ao IT Forum 365.

César afirma que o CRA-RJ registrou aumento de cerca de 300% no número de pessoas jurídicas mapeadas, após a implementação da plataforma. "Tivemos aumento não só no número de registrados, mas na receita do CRA", comemora.

A solução adotada é o SIMM, plataforma desenvolvida pela Neoway, em que os fiscais conseguem de modo integrado aos demais setores, totalmente on-line, acessar todos os CNPJ de pessoas jurídicas e dados cruzados a partir de outros bancos de informações, o que agilizou o processo de busca e permitiu ampliar o mercado de atuação dos fiscais, antes restrito praticamente apenas ao varejo. Trata-se de um recurso de inteligência que permite a construção de estratégias focadas nos objetivos da entidade, otimizando processos e evitando procedimentos ineficientes.

A solução utiliza diversas fontes públicas para reunir mais de 50 bilhões de informações sobre indivíduos, ativos, propriedades e processos jurídicos, para criar uma ferramenta de negócios eficaz para companhias. O objetivo é transformar a enorme massa de dados em informações verdadeiramente úteis para os clientes. São mais de 7 mil variáveis de inteligência e 3 mil fonte de dados.

Com a ferramenta, também foi possível mudar os sistema de atualização de informações dos registrados, facilitando a regularização de cadastros e reduzindo a quantidade de papel utilizada no processo, o que contribui com questões ambientais.

O executivo destaca também a realização de um trabalho de atualização de capital social. "Descobrimos que 800 empresas haviam alterado capital social recentemente. Se todas elas nos pagarem o que precisam, a receita gerada é de R$ 300 mil. Calculamos que estamos deixando de arrecadar R$ 113 mil."

Projeto
Carlos Eduardo Monguilhott, COO da Neoway, diz que o principal diferencial do projeto é a capacidade do cliente de aderir a mudanças, ou seja, conhecer de fato o potencial que o mercado oferece para começar a ter uma atuação mais efetiva junto a seu público-alvo.

"Quando chegamos para os clientes e dizemos que agora ele tem o dobro de mercado para atuar, muitos têm dificuldade para trabalhar o gap. O desafio é menos técnico e mais de aculturamento da execução", afirma.

Com isso, Monguilhott cita outra vantagem, comprovada pelo CRA-RJ em números: a capacidade de analisar a base de dados do CRA e "colar" o perfil na base da entidade.

"A Neoway tem uma base de todas as empresas do Brasil. Mas eu posso errar feio. Esse é o momento crucial do projeto: entender quem é aquela empresa do outro lado da mesa para buscar o mesmo perfil", explica.

Próximos passos
Wagner Siqueira, então presidente do CRA-RJ, foi quem liderou a inovação na instituição com o uso da plataforma de big data. Agora, Siqueira é presidente do CFA (Conselho Federal de Administração), órgão com atuação nacional, e está ampliando o projeto para mais quatro localidades do CRA: Alagoas, Maranhão, Mato Grosso e Paraíba.

"Não somente no Rio de Janeiro, mas nossa intenção é levar para o Brasil inteiro através do presidente Wagner Siqueira. Queremos buscar cada vez mais profissionais que atuem com Administrador para certificar se todos estão no exercício legal da profissão", finaliza César.

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