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Cresce economia global, mas euforia excessiva é prejudicial

Especialistas concordam que superaquecimento da economia ainda não é um motivo de preocupação

Redação

16/03/2018 às 18h12

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Economistas presentes no World Economic Forum on Latin America concordam que, embora a economia esteja crescendo em ritmo desigual, o superaquecimento e o retorno às taxas de crescimento de décadas anteriores não é provável ou desejável.

Em janeiro, o Fundo Monetário Internacional elevou as previsões de crescimento global para 3,9% em 2018-19.
"O crescimento atual das economias avançadas, de 1% ou 2%, parece fraco comparado com os números do início do século, mas esse crescimento não era representativo e teve uma ligação direta com a crise financeira mundial", diz Hans-Paul Bürkner, presidente do Boston Consulting Group, Alemanha.

"Sempre usamos o período entre 2006-2009 como parâmetro, então todos os números parecem inferiores", diz Bürkner. "Vamos ser claros, isto foi instigado pelo crédito, pela fraude e pela ganância".

"Estamos em uma situação diferente, estamos reerguendo os índices de emprego, consumo, comércio e investimento. Acredito que estamos voltando para uma realidade mais realista e a comparação dos números de hoje com uma época que não deve se repetir seria um erro. Os fundamentos aparentemente são positivos se deixarmos florescer."

Andrés Velasco, professor de Práticas Internacionais em Desenvolvimento Internacional da Universidade de Columbia, Chile, diz que o superaquecimento não é o risco que enfrentamos hoje. Mesmo se fosse uma preocupação, os banqueiros centrais contam com ferramentas para lidar com este tipo de problema, ele afirmou. Por outro lado, o ex-ministro de Finanças revelou que: "Preocupo-me com uma perda de confiança repentina".

"É verdade que as crises anteriores eram crises de dívida privada", acrescentou Velasco. "O que mudou é que agora temos muita dívida pública. A América Latina sempre teve muitas dívidas, mas agora o Brasil tem 60% de dívida pública, o Chile tem 20% e a Alemanha tem 90% bruto. Se os banqueiros centrais adotarem uma postura mais rigorosa, aumentando a taxa real de juros, podemos enfrentar um problema com dívidas novamente".

Henrique Meirelles, Ministro da Fazenda do Brasil, concordou que o superaquecimento ainda não é uma preocupação, mas ressaltou que os agentes de mercado devem ser vigilantes. "Devemos monitorar o mercado para detectar os sinais de uma nova bolha", diz Meirelles. "Além disso, a recuperação não é rápida demais; em alguns casos, ela é devagar e isto é normal".

Meirelles também alertou que os governos e os banqueiros centrais devem monitorar o "crescimento repentino da inflação".

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