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CTO é peça-chave na evolução do digital

Déborah Oliveira

05/05/2015 às 18h30

CTO é peça-chave na evolução do digital
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Chief Technology Officer (CTO) ganhou notoriedade na era digital. Em meio à avalanche de dados, que pipocam de todo lado, agravada pela internet das coisas (IoT), ele é promessa de agilidade, análise e resgate inteligente de dados estratégicos. Esse profissional, portanto, tem lugar garantido em companhias de TI que desejam tomadas de decisões mais rápidas e alto nível de competitividade. Mas o pulo do gato é estar em linha com o CIO, quando torna-se ainda mais estratégico.

"Acredito que grande parte do trabalho do CTO deve ser evangelizar os clientes e outra olhar cada negócio de forma muito particular, aconselhando o CIO e a empresa sobre o que eles devem fazer”, afirma Sal DeSimone, vice-presidente e CTO da divisão de Software Avançado da EMC. Segundo ele, há uma tensão saudável entre CTO e CIO e se as duas figuras estiverem em linha, poderão juntos obter excelentes resultados de negócios.

Na entrevista que segue, concedida durante o EMC World, que acontece de 4 a 7 de maio em Las Vegas (EUA), DeSimone lista a importância do CTO no desenvolvimento de tecnologias, as características necessárias para obter sucesso nessa posição e como a digitalização está mudando o papel do CTO.

IT Forum 365 - Em algumas empresas, o CIO responde para o CTO. Mas essa configuração é mais comum em empresas de TI. Como é esse modelo na EMC?
DeSimone - Na EMC temos muitos CTOs, mas há um CTO corporativo. Toda divisão na empresa tem seu CTO. Em alguns casos, até mesmo um produto, tem um CTO. Ao todo, são cerca de 20 CTOs. Sou CTO para a divisão de tecnologias emergentes e minhas responsabilidades estão na divisão de software defined storage, elastic cloud e infraestrutura hiperconvergente que estarão disponíveis até o final deste ano, além de produtos para data center, como rede.

ITF 365 - Você trabalha na EMC há cerca de dez anos. O que você aprendeu nessa década que hoje são fundamentais para seu trabalho atualmente?
DeSimone - Podemos dizer que estou há 20 anos na EMC, pois antes trabalhava em uma empresa adquirida pela EMC. Quando cheguei à fabricante, como engenheiro de software, tinha uma forte base em sistemas de rede, não tinha muito conhecimento em storage e dados. Por isso, foi ótimo acumular experiência em storage. Mas hoje, rede e storage estão muito relacionados e conectados, especialmente agora que tudo está se tornando 'definido por software'. É muito difícil ser expert em apenas uma área e fica até difícil de lidar com esse novo mundo apenas olhando um setor. Nos últimos três anos, desde o início da estratégia de hiperconvergência e defined storage, tenho acompanhado de perto o desenvolvimento dessas áreas e esse meu conhecimento prévio me ajuda bastante a desempenhar meu papel hoje.

ITF 365 - Qual sua principal função como CTO?
DeSimone - Todo o meu trabalho envolve focar na tecnologia que estamos construindo. Além de ver o lado da arquitetura, precisamos construir soluções que têm o selo 'estado da arte'. Com software defined, muita inovação está por vir e desenhar soluções no estado da arte é desafiador. Temos de construir tecnologias que são o estado da arte, mas que resolvam problemas de nossos clientes. Em alguns casos, quando foca somente na tecnologia, pode não resolver o problema. Tento buscar esse balanço. Além disso, sou muito próximo do time de produtos. Geralmente, CTOs são muitos focados em clientes, passando 95% do tempo falando com clientes e o restante com a equipe interna. Passo dois terços do meu tempo com a equipe interna.

ITF 365 - Quais características um CTO precisa ter para ser bem-sucedido?
DeSimone - Ele precisa ter influência para liderar o time. Precisa ter capacidade de colaboração e paciência. Tem de ser tecnicamente inteligente para entender um nível muito profundo sobre os princípios tecnológicos, mas também ter a habilidade de falar com clientes sobre negócios. Precisam ainda resolver um problema e explicar como as tecnologias podem solucioná-lo. 

ITF 365 - Qual seu principal desfio como CTO?
DeSimone - Acredito que é conquistar o estado da arte. Mas construir soluções com essas características consome tempo. Por outro lado, o mundo atual não permite que você passe quatro anos, por exemplo, construindo soluções. É preciso encontrar um caminho e assumir riscos. Encontrar esse balanço é vital. É preciso investir em soluções que realmente têm diferencial, que levem valor para os clientes.

ITF 365 - Você comentou sobre assumir riscos. Muitas empresas querem que seus colaboradores assumam riscos, mas quando algo sai errado culpam as pessoas. Por que isso acontece?
DeSimone - Riscos soam bem até que eles dão errado. Muitos dos nossos clientes são focados em storage. Eles estão na lista de pessoas que mais arriscam na empresa, porque eles estão lidam com dados e ao perdê-los pode acabar com tudo. A maioria dos nossos clientes vem uma mudança, uma evolução de empresas tradicionais, para empresas construídas com base na web. Eles também lidam com esse conflito de precisar de tecnologias estáveis e sólidas, mas não podem consumir anos e anos. Da mesma forma que estamos tentando encontrar o balanço para o risco, nossos clientes também. Alguns clientes são muito conservadores e isso está bom para eles, porque é o perfil da empresa, outros estão em setores que precisam ter mais riscos. Nosso objetivo como companhia é dar produtos e serviços para os clientes para lidarem com riscos. Assuma riscos e seja bem-sucedido, porque há empresas como EMC ajudando nessa tarefa.

ITF 365 - Para ser bem-sucedido, é preciso que o CTO tenha um forte alinhamento com o CIO?
DeSimone - Se você tiver CTOs com tecnologias que não podem ser implementadas pelo CIO, então você simplesmente não tem nada. Acredito que um bom CTO entende isso. Tem de haver um entusiasmo com as novas coisas, que ao final do dia não é tecnologia por tecnologia, mas para ajudar os negócios a serem bem-sucedidos. Há uma tensão saudável entre CTO e CIO e é bom ter isso, mas se todos operaram com as prioridades dos negócios e colocar isso na frente, podem usar a situação para obter excelentes resultados de negócios. 

ITF 365 - Como você vê o papel do CTO no futuro, uma vez que estamos vivenciando diversas transformações na indústria de TI?
DeSimone - Em razão da digitalização, negócios estão muito mais dependentes de tecnologia, mais do que antes. De alguma forma, isso torna o papel do CTO mais estratégico e importante, porque é preciso fazer grandes apostas tecnológicas para obter sucesso e ficar em linha com os objetivos de negócios. Por isso, acredito que grande parte do trabalho deve ser evangelizar os clientes e outra olhar cada negócio de forma muito particular, aconselhando o CIO e a empresa sobre o que eles devem fazem, porque há muitas opções, muitos riscos. Ajudar a companhia a construir a fundação que são necessárias é algo que o CTO tem de prover. Com a evolução do digital, o papel do CTO se torna mais crítico. 

ITF 365 - Você acha que o CTO vai roubar o lugar do CIO no futuro próximo?
DeSimone - Não, porque CIOs precisam entregar. Geralmente, o CTO não precisa entregar. Em algumas empresas precisam, mas de forma geral, não. É bom ter alguém focado em tecnologia e outro para entregar as funções do dia a dia. Se você tentar fazer os dois, pode, muitas vezes, ser mais conservador e não evoluir da forma esperada.

*A jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da EMC

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