Eduardo Carvalho - Equinix

Mapa da transformação digital: como se adaptar à nova era

Como ficam as empresas criadas no século passado? Não tem outra saída: a opção é se transformar

Não é segredo que a tecnologia tem mudado e avançado todos os dias, exigindo das empresas um novo modelo de TI e negócios mais ágil, inovador e com alta capacidade de adaptação. As organizações que surgiram nessa era, como é o caso das startups e companhias como Uber, Netflix e Airbnb, já saíram na frente nessa corrida. Como ficam, então, as empresas criadas no século passado, que contam com um modelo mais fixo e isolado? Não tem outra saída: a única opção é se transformar (transformação digital).

 As corporações já têm começado a agir nesse sentido. Uma pesquisa da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) aponta que o investimento das empresas em TI em 2016 foi, em média, 7,6% do faturamento líquido dessas companhias. No entanto, não basta apenas aplicar mais e mais dinheiro em tecnologia. É preciso planejar e traçar rotas claras em direção à Era Digital para que a transformação não fique apenas no discurso, como é o caso de muitas companhias.

Adotar modelos de desenvolvimento ágeis não é suficiente. Para estar verdadeiramente na Era Digital é essencial ir ao cerne de cada fase dentro da cadeia de valor da empresa – começando pela área de Tecnologia da Informação, a base de todo negócio digital. Ao inserir o setor dentro do novo modelo, toda a organização passa a ter a velocidade necessária para mudar e tornar os processos de negócio mais eficientes. O mapa do tesouro para transformar a TI envolve quatro grandes planos de ação relacionados a Redes, Segurança, Dados e Aplicações.

Foco na rede

O primeiro passo é o foco na Rede. É necessário simplificar a topologia de telecomunicações. Uma boa maneira de fazer isso é investir na interconexão a ecossistemas. Ligar sua infraestrutura a um grande hub de empresas, nuvens e prestadores de serviço, faz com que você dependa menos da internet pública ao mesmo tempo em que conquista parcerias com mais segurança e estabilidade de conexão. Essa interconexão também apoia a adoção de múltiplas nuvens totalmente integradas ao ambiente principal. O último passo desta etapa é se aproximar da digital edge, a borda de rede, onde estão todos os dados, dispositivos e pessoas.

Segurança como prioridade

Finalizada a etapa da rede, haverá um desafio iminente: a segurança. Aproximar-se da digital edge aumenta as vulnerabilidades das companhias, por ser a camada mais externa da rede. No entanto, o primeiro passo em direção à segurança já foi dado – o investimento em interconexão. É chegado o momento, portanto, de estabelecer o controle de limites a partir de plataformas de firewall, VPN, anti-malware e anti-DDoS, criar políticas de monitoramento, gerenciar senhas e identidades, além de integrar soluções de segurança lógica e analítica.

Atenção para a distribuição e análise de dados

O terceiro passo diz respeito aos Dados. É necessário mantê-los distribuídos geograficamente, sempre próximos aos usuários. Se uma empresa for multinacional, por exemplo, ela deve manter as informações de cada região hospedada localmente, interconectar esses ambientes e investir na análise dessas informações na edge. Ao manter os dados perto dos clientes, você garante uma análise mais rápida, eficiente e um tempo de resposta muito melhor. Afinal, a informação não precisará cruzar o mundo para chegar ao usuário que necessita dela.

Camada de aplicação e APIs

A última fase está relacionada à camada de Aplicação. Esta é a hora de implementar uma gestão de APIs. A ideia aqui é criar os APIs, caso sua empresa ainda não possua, integrá-los aos de clientes e parceiros, torná-los públicos, se necessário, e gerenciar tudo isso. Também é o momento de automatizar a análise de dados a ponto de torná-la preditiva. A plataforma, nesse caso, será capaz de prever eventos complexos e apoiar os negócios na correção de rotas e tomada de decisão antes de qualquer problema.

Ao fim dessa jornada, você terá uma fundação bem estruturada e preparada para a Era Digital. A partir daí as mudanças fluem para os negócios de forma rápida e natural, colocando toda a corporação em linha com esse novo mundo. Deu para notar que a estrada é longa e nada fácil, mas também a única possível para quem deseja chegar à Era Digital com mais flexibilidade e capacidade de inovação, num contexto em que tudo muda à velocidade da luz.

*Eduardo Carvalho é presidente da Equinix no Brasil

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