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FaceApp: apps falsos miram popularidade para fazer dinheiro com adware

Caso do FaceApp lembra até mesmo o Flappy Bird, que fazia uma bela grana por dia ao seu criador. Aqui, seus dados e fotos também podem valer uma nota.

Wellington Arruda

19/07/2019 às 15h07

Foto: FaceApp/Divulgação

O aplicativo russo FaceApp se tornou viral. De novo. Em 2017, ele já era considerado bem engraçadinho por fazer as "transformações". Mas, desde aquela época, já existiam diversas questões a respeito da privacidade. Não somente, a conduta racista do aplicativo já era duramente criticada.

O CEO do FaceApp, Yaroslav Goncharov chegou a pedir desculpas aos usuários porque o aplicativo "clareava" a pele. Ele disse que era um efeito causado pelo machine learning, "e não pelo comportamento pretendido." Pode-se dizer, então, que o FaceApp foi "treinado". E continua sendo.

Nesta sexta-feira (19), o FaceApp configura como o app mais baixado da Google Play brasileira. No total, são mais de 100 milhões de downloads e 1 milhão de avaliações, e isso lhe rendeu nota 4,4. Na App Store brasileira ele também é o primeiro, com 336 mil avaliações e nota 4,8.

A popularidade do aplicativo em 2019 está em alta. No Applyzer, já consta que ele é o primeiro lugar não somente no Brasil, como nos EUA, Argentina, China, Chile, Espanha e outros.

"Seus" dados?

Lá em 2017, à reportagem da ABC, David Vaile, presidente da Australian Privacy Foundation, disse: "a resposta curta é: não use". Isso porque "eles [criadores do app e termos de uso] pedem mais direitos do que precisam para oferecer o serviço a você".

Hoje, em 2019, os Termos de Uso e a Política de Privacidade do aplicativo continuam vagos. Como detalhado no Tecfront, o usuário concede "uma licença perpétua, irrevogável, não exclusiva, isenta de royalties, global". Eles, inclusive, podem fazer dinheiro com suas imagens.

Ao usá-lo, você ainda possui propriedade sobre suas fotos, mas à empresa por trás do FaceApp você autoriza que faça o que bem entender. E, olha, não faltaram celebridades e pessoas que monetizam sua imagem usando ele.

Em nota divulgada pelo TechCrunch, a empresa afirma que "a maior parte das imagens são deletadas dos nossos servidores em 48 horas". O período considera a data de upload das fotos. Com isto, a empresa afirma que as fotos armazenadas são para que os usuários não façam um novo upload da mesma imagem.

O uso da Inteligência Artificial feito pelo aplicativo, basicamente, altera o rosto dos usuários. As técnicas de machine learning aprimoram a compatibilidade e melhoram os efeitos. Mas, para isto, ele requer as seguintes permissões no Android – nem todas são obrigatórias:

  • Câmera: tirar fotos e gravar vídeos;
  • Armazenamento: 1) ler conteúdo; 2) modificar ou excluir conteúdo;
  • Outras: 1) acesso total à rede; 2) ver conexões de rede; 3) impedir modo de inatividade do celular; 4) API de referência do Google Play; 5) faturamento da Google Play; 6) receber dados da internet; 7) ler a configuração de serviço do Google.

Leis brasileiras

Em relação ao Marco Civil da Internet, o app seria considerado "ilegal". O FaceApp tem essa liberdade de usar as fotos porque sua política de uso e privacidade é vasta e pouco coesa. A Lei Geral de Proteção de Dados também invalidaria o aplicativo, pois não há certezas sobre a utilização dos dados. A LGPD visa o consentimento total dos usuários sobre seus dados.

A nota divulgada no fim da quinta-feira (18) pelo Procon-SP cita que FaceApp, Apple e Google devem explicações. As três companhias foram notificadas. Nela, o órgão indica a licença de uso invasiva, além de que "essas permissões [de uso] não estão disponíveis em língua portuguesa".

FaceApp definitivamente não é o único...

Se você não tá muito naquela vibe de fornecer seus dados e imagens, o recomendado é, de fato, não usar o FaceApp. Mas ele não é o único que faz uma coleta abusiva de dados. Ou, no caso, também não é o único com políticas de uso e privacidade escancaradas.

Milhares de outros aplicativos também fazem a mesma coisa. Inclusive, não vamos nos esquecer do Facebook e suas várias polêmicas.

Lembram do popular joguinho Flappy Birds? Em fevereiro de 2014, o desenvolvedor vietnamita Dong Nguyen chegou a faturar US$ 50 mil por dia. Não durou praticamente nada até que outros desenvolvedores publicassem cópias do game para, óbvio, faturar.

Pois, bem. O ano é 2019. O FaceApp faz sucesso. E pesquisadores da Kaspersky descobrem um app falso que pode injetar um malware de adware chamado MobiDash. Ele faz com que um monte de anúncios aleatórios apareçam no seu smartphone. É destacado que o Brasil é o terceiro país mais infectado por esse adware no mundo – Rússia e Índia são os primeiros.

Os dados da Kaspersky afirmam que "cerca de 500 usuários encontraram o problema nos últimos dias", e que as primeiras detecções aconteceram em 7 de julho.

O sucesso do FaceApp tem sido amplamente debatido na rede. De um lado, pessoas que não se importam; do outro, a galera que não curte mais essa esquisitice que as empresas fazem com os dados. Mas o primeiro a ter esse tipo de cuidado é o próprio usuário. Disso, não devemos nos esquecer.

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