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6 aspectos da transformação digital que impactarão as operações e a vida das pessoas

Computação cognitiva e inteligência artificial são as disrupções do momento

Todo início de ano apresenta um verdadeiro rali de conferências ao redor do mundo para nós, players das indústrias de TI e Telecom, e provedores de serviços de comunicação (CSPs). São tendências e novas tecnologias que estão saindo do papel, e que, nos meses seguintes, marcarão presença nas grandes operações e também na vida das pessoas.

Após a principal leva de eventos do primeiro semestre, que inclui a CES, em Las Vegas (EUA) e o MWC, em Barcelona (Espanha), reuni aqui seis aspectos da transformação digital que já começaram e impactarão ainda mais fortemente toda a economia global desde já.

1. Cognição e Inteligência Artificial são as disrupções do momento
A computação cognitiva não é necessariamente uma nova tecnologia, mas a chegada de IBM, Microsoft, Amazon e Google a este mercado, com plataformas e produtos próprios, e a disponibilização de poder computacional sem par na história, tornaram a inteligência artificial real e efetiva.

A aplicação dessas tecnologias em conjunto com tecnologias de automação, estão mudando o panorama da indústria. O uso de uma interface homem-máquina baseada em linguagem natural e a utilização de dados não estruturados habilitam novos casos de uso.

Essas disrupções afetam as organizações em diversas frentes, inclusive o que elas criam e o seu processo de inovação. A habilidade de aplicar essas tecnologias de forma efetiva para resolver problemas reais será, agora, um diferencial. E, provavelmente em pouco tempo, se tornará questão de sobrevivência.

2. Analytics e Machine Learning chegaram pra valer à gestão de redes
A aplicação de analytics e machine learning nas operações dos CSPs (Communications Service Providers, em inglês), incluindo atividades de monitoração e reparo de redes, atendimento a clientes, e serviços de campo, tem ganhado cada vez mais visibilidade e importância.

A capacidade de identificar padrões de comportamento, e desvios de padrões, além da recomendação de ações em sistemas de suporte a tomada de decisões, trarão grande impacto na operação, custos e qualidade de serviço dos CSPs.

3. IoT gerando transformação em diferentes indústrias

Indústrias como moda, saúde e automotiva, por exemplo, estão gerando cada vez mais casos de uso de IoT (internet das coisas).

Os sistemas de telemetria utilizados em carros de corrida, como nos da Fórmula 1, são um caso de uso conhecido e consolidado de IoT. Estes já estão disponíveis para carros de rua através de aplicativos, que permitem que o proprietário do veículo realize diagnósticos (através de múltiplos sensores), interaja e até mesmo manobre seu veículo utilizando apenas seu smartphone. Além disso, carros de condução semiautônoma e autônoma já estão entre nós. Montadoras como Volvo e BMW já vendem carros no mercado brasileiro com tecnologias de condução semiautônoma, e em cidades como Boston, Las Vegas e Chandler, nos Estados Unidos, já se encontra, ainda que em testes, carros e ônibus autônomos rodando nas ruas.

Além de serem os fornecedores naturais dos meios para IoT, os CSPs também poderão se beneficiar desta tecnologia e das capacidades de sensorização e atuação, tanto na oferta de novos produtos, como na forma em que presta os serviços atuais.

4. Embora incipiente, o 5G está entre nós
Apesar das apostas no 5G apontarem apenas para 2020, a tecnologia de internet de quinta geração se mostra neste momento mais madura. Os aspectos tecnológicos foram mais desenvolvidos, mas ainda estamos procurando casos de sucesso que justifiquem o uso dessa novidade.

Alguns estudos apontam que a tecnologia deverá se basear na experiência do usuário, na melhoria dos serviços e em novos modelos de negócio. Neste sentido, a maior promessa é a aplicação da internet ultrarrápida em Realidade Virtual/Realidade Aumentada (VR/AR, nas siglas em inglês).

Além disso, Machine-to-Machine (M2M) e Internet das Coisas deverão ter papel central no desenvolvimento desta tecnologia – alguns já dizem que o uso de vídeo atrelado a IoT será o gatilho para os requerimentos desta nova banda, ao demandar confiabilidade e latência reduzida.

5. Virtualização e Convergência de Infraestrutura Tecnológica
No mundo de TI, termos como virtualização e nuvem são uma realidade amplamente difundida. A novidade está na previsão de que redes definidas por software e infraestruturas virtualizadas deverão “puxar a fila” dos novos investimentos dos CSPs. O objetivo é aumentar a flexibilidade, a resiliência e a agilidade e, com isto, a similaridade entre as infraestruturas de Telecom e TI deve aumentar, possibilitando maiores convergência e sinergias no futuro.

Além disto, para um uso mais efetivo desta infraestrutura, práticas como DevOps serão necessárias. No entanto, os sistemas atuais continuam em operação sem data no horizonte para a descontinuação, o que resulta em ambientes ainda mais heterogêneos e deverá ser considerado na evolução do modelo operacional.

6. Transformação digital e a jornada do consumidor
Todo este contexto nos direciona a uma nova discussão: como os provedores de serviços de comunicação evoluirão para se tornarem, cada vez mais, empresas de tecnologia e software? E como prover a experiência que seus clientes/usuários esperam?

Isso faz parte da transformação digital, um processo já em curso no mercado de telecomunicações. Porém, para permitir que o cliente tenha uma boa experiência, há ainda um outro aspecto que muitas vezes é negligenciado: como a transformação digital deve impactar as operações para que elas evoluam e sustentem uma boa experiência para os clientes?

Todo este processo e toda essa transformação precisam ser internalizados pelas operações e trazem consigo, além das tecnologias mencionadas aqui, uma mudança estrutural na organização dos CSPs. O que inclui uma mudança no perfil de seus profissionais e nas capacidades dos fornecedores contratados. Automação, IoT, cognição, inteligência artificial, analytics e software como diferenciação estão entre os tópicos que devem ter maior atenção para que a transformação ocorra de ponta a ponta nas operações.

E, para quebrar os paradigmas e silos atuais, devemos nos lembrar que o centro de tudo isto não é somente a experiência, mas sim toda a jornada do usuário (Customer Journey). Ela deve ser simples, personalizada, agradável e realmente digital, e isto também deve constar nas discussões sobre a transformação digital.

O mercado de telecom está novamente no centro das atenções
Apesar de estar em evidência, isto não significa que a vida dos profissionais dessa indústria será mais fácil. A Era Digital começa a requerer capacidades ainda não existentes. Empresas e profissionais que forem mais ágeis e efetivos terão a oportunidade de liderar este processo de disrupção e inovação.

E quer você queira ou não, quer você seja um profissional da área ou um usuário dos serviços e produtos dessas indústrias, uma coisa é fato: a transformação digital é muito mais real do que pode parecer, e você já está inserido nela. Portanto, estejamos atentos!

*Laerte Sabino é Chief Operation Officer da Icaro Tech

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