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Humanos podem criar empatia com robôs? Segundo pesquisadora, sim

Kate Darling, do MIT, falou sobre o tema na abertura do IT Forum Latam, realizado de 7 a 10 de junho, em Miami

Déborah Oliveira

08/06/2018 às 7h55

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Robôs serão cada vez mais parte da vida das pessoas, tanto na vida pessoal quanto profissional. Mas será que humanos podem criar empatia com máquinas que parecem como nós? Para Kate Darling, pesquisadora do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT) e especialista em robótica, a resposta é sim.

A executiva, que abriu o IT Forum Latam, que acontece de 7 a 10 de junho, em Miami (EUA), apontou que os robôs já estão presentes nas fábricas e até atrás de paredes. Eles avançam agora para transportes e casas, interagindo com as pessoas. “Muitos estão preocupados que os robôs vão tomar conta do mundo e nos matar. É interessante as pessoas tentarem antecipar situações antes que elas aconteçam, mas isso nos distrai dos problemas reais”, alertou ela.

Por enquanto, segundo Kate, não precisamos nos atentar ao fato de robôs dominando humanos. Afinal, eles andam devagar e na maioria das vezes até caem. “Eles, definitivamente, não estão preparados para nos matar. É um futuro muito distante e até irreal. A inteligência artificial (AI, na sigla em inglês) terá impacto no mercado de trabalho, mas não é comparável à inteligência do humano. Robôs podem lembrar de tudo, fazer contas, reconhecer padrões e dados que pessoas não veem. Podem até competir xadrez, mas são mais estúpidos do que nós”, contou.

Essa sensação de domínio surge não só em função da indústria de entretenimento, que mostra máquinas matando pessoas, mas se prolifera em qualquer busca pela internet usando as palavras “robôs, inteligência artificial”. Faça o teste e você irá se deparar com robôs com aparência de humanos. O verdadeiro sentido da inteligência artificial, disse, é complementar os humanos e não dominá-los.

Mas o fato de eles serem parecidos com o homem causa o efeito de empatia. Kate levou ao IT Forum Latam uma série de exemplos para endossar a questão. Você se lembra do hitchBOT? O robô canadense, que viajava pelos Estados Unidos com a ajuda de caronas, foi encontrado completamente destruído duas semanas depois de iniciar sua jornada. Quando souberam o que aconteceu, norte-americanos passaram a se desculpar nas redes sociais. “É a prova de que vamos tratar os robôs como se eles estivessem vivos, mesmo sabendo que são máquinas”, refletiu.

É o verdadeiro sentido da empatia. Em 2007, Kate queria testar a teoria. Ela, então, fez um experimento. Comprou com Pleo, máquina que reage a estímulos externos e tem a forma de bebês-dinossauros, e pediu que algumas pessoas dessem um nome e brincassem com ele por um tempo. Depois, ela solicitou que eles torturassem e matassem as máquinas. A maioria não quis. “Não vejo pessoas desenvolvendo empatia com nanorobôs, porque não são físicos. Pessoas são suscetíveis ao design e isso faz diferença.”

No laboratório do MIT, Kate replicou a situação em um ambiente controlado para obter uma conclusão científica. Foram usados nesse contexto hexbugs, pequenos robôs em forma de barata que podem se movimentar autonomamente. “Vimos que as pessoas com menos empatia batiam no hexbugs. As com mais empatia, desistiam da tortura”, observou.

Além do uso

Durante sua apresentação no IT Forum Latam, Kate relevou também certa preocupação com determinados usos de robôs. “Uma das questões mais óbvias é com privacidade e segurança de dados. Claro que isso vai muito além dos robôs, está relacionado à web e internet das coisas (IoT). Mas preocupa porque AI e a forma como usamos machine learning demanda muitos dados para aprender”, alertou.

Além disso, prosseguiu, por mais que os robôs hoje sejam ‘bobos’, eles podem também manipular e até mesmo ter sentimentos, bem ao estilo Westworld, série da HBO, que traz em seu enredo um parque no qual humanos podem matar robôs, que, por sua vez, ganham memórias e querem vingança. “A boa notícia é que muitas empresas estão trabalhando para nos proteger desses problemas.” “Não acho que máquinas serão desenvolvidas da mesma forma que nosso cérebro, mas serão igualmente complexas”, finalizou.

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