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iFood, Vtex e Webmotors: três exemplos do poder elástico da nuvem

Guilherme Borini

01/12/2017 às 13h51

cloud
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Uma das principais vantagens da adoção de infraestrutura de computação em nuvem, frequentemente citada por especialistas, é a elasticidade. Esse poder flexível, que permite uso de capacidades sob demanda, torna-se peça essencial para empresas em franca evolução.

São os casos de três empresas brasileiras que têm registrado crescimento acentuado nos últimos anos e classificam cloud como preponderante para suportar o avanço dos negócios. São elas: iFood, Webmotors e Vtex.

O iFood, por exemplo, ao contrário do que muitos pensam, não nasceu no mundo de cloud. Apesar de jovem - foi criado em 2011 -, sua origem foi em um call center, onde iniciou seus serviços.

Gabriel Pinto, CTO do iFood, conta que, quando a empresa começou de fato a ganhar mercado, sentiu necessidade de adotar cloud. Após um período com infraestrutura híbrida, em meio a migração de seu antigo data center, a companhia concluiu a implementação há um ano e meio e desde então roda toda sua infraestrutura na nuvem da AWS. "O dia que conseguimos desligar o data center foi maravilhoso", lembra Pinto, que participa nesta semana do re:Invent, conferência anual da AWS em Las Vegas (EUA).

O executivo comenta que a empresa tem crescido três dígitos a cada ano e que seria impossível comportar essa evolução sem a elasticidade da nuvem.

Em termos de demanda de serviços, a plataforma iFood chega a registrar 50 pedidos por segundo em seu pico semanal, nas noites de domingo. "É um volume acima de Black Friday", comenta.

Independência

Para a plataforma de compra e venda de veículos Webmotors, a nuvem foi uma espécie de marco de independência. Há quatro anos, quando a empresa deixou as instalações físicas do Santander - grupo dono da marca -, era preciso ter uma infraestrutura própria para rodar os negócios.

Bruno Henrique dos Santos, senior developer da Webmotors, lembra que, até então, toda equipe de desenvolvimento e a infraestrutura ficavam no Santander, mas o modelo não trazia a velocidade necessária para operação de uma empresa como a Webmotors, com desafios no dinâmico mundo da web. A partir de então, a companhia deixou o local e passou a busca por infraestrutura de cloud. Foi quando decidiu migrar para a AWS.

"A princípio chegamos à AWS por questão de custos. Era muito mais barato do que as outras. Mas também vimos uma tendência maior da Amazon em relação a tecnologias", explica. Só no primeiro ano, segundo Santos, a companhia economizou US$ 30 mil.

Neste ano, a Webmotos estruturou sua soluções de data lake e big data. "Temos 22 anos de dados, gerados da venda de carros, principalmente em grandes cidades. Atualmente são 300 mil veículos anunciados, 22 milhões de visitantes únicos por ano e 10 mil lojas e concessionárias como clientes. Para suportar tudo isso, tínhamos cerca de 20 máquinas. Hoje já temos 230 EC2 (Elastic Compute Cloud)", comenta o executivo, exemplificando a possibilidade de escala com a infraestrutura de cloud.

E-commerce poderoso

A história da plataforma de e-commerce Vtex é semelhante. A companhia iniciou as operações em 2006, com data center próprio. Conforme os negócios foram crescendo, o rack do data center encheu e a companhia começou a pesquisar preços de um segundo. Ao analisar custos e riscos, decidiu apostar em cloud, em 2011, quando a computação em nuvem começava a de fato surgir no Brasil, sobretudo com a chegada da AWS.

"Os racks continuam existindo, mas estão dentro da AWS e não preciso me preocupar", destaca Marcelo Couto, diretor de produtos da Vtex.

Couto, que está na companhia desde a fundação, lembra de um episódio, antes da migração, em que o servidor tinha caído e, como ele ficava a apenas 10 minutos do local, decidiu checar fisicamente o que tinha acontecido. Quando chegou ao prédio, foi informado que o edifício estava sem energia e ele não poderia chegar até o data center. "Isso ocorreu bem próximo da decisão de ir para a nuvem. Tínhamos a sensação de segurança de colocar a mão na máquina e quando precisamos não conseguimos."

A empresa migrou toda a infraeasutrura para cloud e, segundo Couto, momentos de pico como a black friday mostram o quanto a decisão foi acertada. Na última sexta-feira, na edição da grande promoção deste ano, foram 23 milhões de sessões de usuários na sexta-feira. "Transacionamos 17% do GMV (volume bruto de transações) da black friday do Brasil, com pico de 540 pedidos por minuto"

"Na Vtex, não temos ninguém focado em infraestrutura ou DBAs (administradores de banco de dados). O desenvolvedor é responsável pelo desenvolvimento, deploy e acompanhamento. Fazemos cerca de 60 atualizações por dia", completa.

*O jornalista viajou a Las Vegas (EUA) a convite da Amazon Web Services

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