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Mudanças no setor financeiro devem ir além das fintechs, diz estudo

Relatório indica oito forças que têm potencial para mudar o setor

Diversas fintechs têm trazido novas opções de produtos e serviços para o setor financeiro. O fato dá a entender que essas disrupções poderiam mudar a paisagem competitiva do setor. Não é o que conclui o estudo “Além das Fintechs: uma avaliação pragmática do potencial disruptivo nos serviços financeiros”, divulgado pelo Fórum Econômico Mundial e pela Deloitte.

O estudo explora os principais fatores que projetam mudanças nessa área, indicando que as fintechs representam a primeira onda em uma série de forças transformadoras que provavelmente moldarão o futuro da indústria. O relatório representa o ponto culminante de três anos de pesquisas sobre o papel transformador das fintechs.

Segundo o levantamento, as startups do setor financeiro de fato mudaram o ritmo de inovação e remodelaram as expectativas dos clientes em todo o ecossistema de serviços financeiros, criando as bases para futuras disrupções na indústria. O sucesso das fintechs na mudança da base da concorrência, bem como o ritmo crescente do uso da tecnologia, significa que os operadores tradicionais têm potencial para melhorar rapidamente, mas também enfrentarão novas disrupções no futuro. No entanto, muitas fintechs, desafiadas pelo consumidor, têm se esforçado para alcançar escala face aos altos custos das mudanças.

O relatório identifica oito forças que têm potencial de transformar a paisagem dos serviços financeiros.

Expansão das plataformas

O aumento de ofertas permitindo escolha ao consumidor terá profundas implicações na concepção e distribuição de produtos, e provavelmente irá forçar as empresas a adotar mudanças de papéis. As plataformas que oferecem soluções que permitem envolver ofertas vindas de diferentes instituições financeiras em um único canal podem se tornar o modelo dominante para a entrega de serviços no setor.

O avanço dessas plataformas, como o banco aberto, provavelmente irá levar à reformulação dos serviços financeiros, passando das atuais organizações claramente definidas para entidades intercambiáveis. Isso pode exigir que os proprietários da plataforma sejam gerenciadores de ecossistemas eficientes, equilibrando as necessidades dos que oferecem produtos com a demanda do cliente.

Regionalização financeira

Diferentes prioridades regulatórias, capacidades tecnológicas e necessidades do cliente têm desafiado a narrativa que aponta para o avanço da globalização financeira, abrindo caminho para modelos regionais de serviços financeiros adequados às condições locais. Mesmo as empresas globais podem precisar de estratégias distintas para conquistar vantagens competitivas regionais e se integrar aos ecossistemas locais. Enquanto isso, as fintechs provavelmente enfrentarão sérios obstáculos para se estabelecer em múltiplas jurisdições, mesmo que a tecnologia reduza barreiras a essa entrada. Operadores podem se tornar parceiros atraentes para fintechs que procuram entrar em novos mercados, à medida em que procuram oportunidades para adquirir rapidamente escala de atuação.

·Tecnologias de importância sistêmica

Os esforços das instituições financeiras tradicionais para imitar as principais capacidades das empresas de alta tecnologia provavelmente levarão a uma dependência cada vez maior em relação a essas últimas. Por exemplo, à medida que as instituições financeiras buscam aprimorar as experiências digitais de seus consumidores, elas dependerão cada vez mais da infraestrutura baseada em nuvem de alta tecnologia para ganhar escala, implantar processos e aproveitar a Inteligência Artificial como um serviço. À medida que as instituições financeiras buscam novas vantagens para aumentar sua pegada competitiva, terão portanto de fazer escolhas difíceis: se tornar dependentes de empresas de alta tecnologia, ou correr o risco de se atrasar em relação às ofertas tecnológicas, caso minimizem o engajamento para proteger sua independência.

Comoditização de custos

As instituições financeiras podem comoditizar agressivamente suas bases de custos, removendo-a da lista de itens de competição para criar novos campos de diferenciação.

Redistribuição de recursos

A tecnologia provavelmente permitirá que as organizações ignorem as cadeias de valor tradicionais, permitindo a redistribuição de lucros.

Propriedade da experiência

O poder será provavelmente transferido para o proprietário da interface de atendimento ao cliente; os provedores de serviços devem, portanto, se tornar hiperdimensionados ou hiperfocados.

Monetização de dados

As informações podem se tornar cada vez mais importantes para a diferenciação, mas os conjuntos de dados estáticos provavelmente serão substituídos por fluxos de dados de múltiplas fontes combinadas e usadas em tempo real.

Mão de obra biônica

Como a capacidade das máquinas para replicar os comportamentos humanos continua a evoluir, as instituições financeiras provavelmente precisarão administrar a mão de obra e o capital como um único conjunto de capacidades.

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