COMUNIDADE
Parque Tecnológico UFRJ

Parque Tecnológico UFRJ é reduto de PMEs

Mais de 78% das empresas instaladas no parque são de pequeno e médio portes

A inovação carioca tem endereço certo: Parque Tecnológico UFRJ, na Cidade Universitária, Ilha do Fundão. Localizado dentro do complexo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), desde 2003, quando foi inaugurado, promove a interação entre universidade e empresas com o objetivo de oferecer serviços inovadores à sociedade.

Os 350 mil metros quadrados que ocupa abrigam 70 empresas, das quais 55 são de pequenos e médio portes, incluindo startups, representando mais de 78% da força motora de projetos disruptivos do parque. Até o momento, todas as companhias residentes firmaram mais de 400 contratos com laboratórios, unidades e docentes da universidade, movimentando R$ 150 milhões em atividades com a UFRJ nos últimos seis anos. As parcerias já resultaram em 112 depósitos de propriedade intelectual.

José Carlos Pinto, diretor do Parque Tecnológico UFRJ desde 2015 e professor da universidade há 30 anos, diz que um dos grandes desafios é enfrentar a crise econômica que se abateu sobre o País, o que também estimulou o crescimento de startups, um dos ícones do empreendedorismo. “O Parque tem sido o reduto dessas empresas e temos proporcionado um ambiente para o seu crescimento. É muito importante também a presença de grandes empresas para fortalecer esse ecossistema.”

Essa conexão do conhecimento e pesquisa com a base tecnológica por meio de empresas forma um círculo virtuoso girando em ritmo constante no parque. “Temos alunos e ex-alunos trabalhando aqui, em centros de pesquisas e nas companhias”, diz. São 1,2 mil pessoas ocupando postos de trabalho no centro tecnológico. Cerca de 85% delas possuem graduação, das quais 35% têm algum título de pós-graduação.

O parque possui centros de pesquisa de 16 empresas de grande porte nacionais e multinacionais, nove pequenas e médias, nove startups do programa CrowdRio, 28 residentes da Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ, além de nove laboratórios da própria UFRJ.

Parque Tecnológico, do pré-sal à diversificação

Entre as grandes companhias, a GE e a L’Oréal estão localizadas na Ilha de Bom Jesus, também na Ilha da Cidade Universitária. O Centro de Referência Nacional em Farmoquímica, do Instituto de Tecnologia em Fármacos (Farmanguinhos/Fiocruz), também chegou ao Parque para fortalecer as diferentes interações com a Universidade Federal do Rio de Janeiro.

A Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ abriga 28 startups e já formou outras 87 empresas de base tecnológica. Foi projetada para estimular a criação de novas companhias baseadas no conhecimento tecnológico gerado em grupos de pesquisa. Ela é responsável pela geração de mais de 1.380 postos de trabalho altamente qualificados.

O aquecimento da movimentação em direção ao Parque Tecnológico da UFRJ teve início em 2009, quando grandes empresas começaram a chegar,  impulsionadas, inicialmente, pela descoberta do pré-sal. Diversas multinacionais direcionaram seus investimentos para o desenvolvimento de novas tecnologias que pudessem atender a esse novo desafio.

Neste mesmo ano, a PAM Membranas, pioneira na fabricação de membranas de microfiltração (tecnologia de ponta para reuso da água), tornou-se a primeira empresa de médio porte a se instalar no Parque. Ela é oriunda da Incubadora de Empresas da COPPE/UFRJ.

Em 2010, foi a vez da multinacional Schlumberger, primeira companhia de grande porte que o Parque Tecnológico recebeu. Maior prestadora de serviços para campos de petróleo do mundo. O Centro Brasileiro de Pesquisas e Geociências da Schlumberger (BRGC) ocupa uma área de 8,7 mil metros quadrados do Parque Tecnológico e foi projetado para promover a integração entre geociências e engenharia.

PAM Membranas e Schlumberger puxaram a fila das outras empresas que habitam o campus da UFRJ, que recebe unidades de pesquisas de novas companhias das mais diversas áreas de atuação. GE, Baker Huges, L’Oréal, Tenaris, EMC e Siemens são alguns exemplos.

Do Rio para o mundo

No ano passado, o Parque Tecnológico elaborou seu Planejamento Estratégico 2016-2045, em conjunto com consultores, especialistas e parceiros, que inclui sua expansão para além das fronteiras físicas e a diversificação das suas atividades.

Os primeiros passos aconteceram por meio de parcerias, firmadas já em 2016, com o Parque Científico e Tecnológico da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (Tecnopuc) e o Porto Digital, em Recife (PE), para intercâmbio de organizações residentes e com o TusPark (Tsinghua University Science Park) da Universidade de Tsinghua, China. Esta última permitir ao Parque instalar uma base física permanente em território chinês. “Queremos conexão com o globo”, avisa Carlos Pinto.

A unidade Rio de Janeiro do Instituto Der Partner acaba de anunciar sua chegada ao Parque. É uma instituição que promove modelos de cooperação de transferência tecnológica com a Alemanha nas áreas de energias renováveis e eficiência energética. O Instituto já possui unidades em outros parques tecnológicos em solo nacional, como o TecnoPUC, no Rio Grande do Sul. Essa iniciativa vai estimular as relações entre a instituição alemã e a UFRJ.

O objetivo é implementar ações com ênfase em energia renovável, eficiência energética, armazenamento e energia inteligente, por meio de projetos escalonáveis e descentralizados em parceria com empresas alemãs e brasileiras para a execução dos projetos.

Segundo o diretor, o novo compromisso do Parque é fortalecer a capacidade de inovação do ecossistema para a criação de riqueza e bem-estar da sociedade, em um ambiente de conexões de iniciativas empreendedoras e geração de conhecimento.

“Queremos evoluir tecnologicamente, mas também humanizar o Parque. Tenho o sonho de torná-lo um espaço onde as pessoas possam ficar o máximo de tempo dentro dele. Para isso, vamos buscar parcerias para colocarmos aqui restaurantes, cinemas, lojas, academia, enfim, tudo o que for necessário para que essa comunidade não queira mais sair daqui e se sinta bem”, revela o executivo.

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