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HPE abre supercomputador para criar comunidade de desenvolvedores

Empresa aposta em computação baseada em memória para conduzir era do big data

A Hewlett Packard Enterprise (HPE) está dando mais um passo em sua estratégia voltada à computação baseada em memória como arquitetura. O supercomputador The Machine, fruto do principal programa de pesquisa da história da empresa, com pelo menos cinco anos de desenvolvimento, foi lançado durante o mês de maio e tem como objetivo criar um novo paradigma chamado de computação centrada em memória, arquitetura customizada para conduzir a era do big data. Com o protótipo lançado, agora a empresa está abrindo a solução para desenvolvedores e quer criar uma verdadeira comunidade em torno da máquina.

“Estamos anunciando um grupo em que queremos reunir uma série de pessoas com desenvolvimentos relacionados à computação em memória. Daremos as ferramentas para que eles criem com esse tipo de arquitetura”, comenta Rodrigo Guercio, diretor de soluções e tecnologia da HPE, durante conversa com jornalistas na sede da empresa, em São Paulo (SP).

Guercio explica que, nesse novo modelo, a HPE será uma espécie de moderadora, dando suporte para a comunidade e incentivando o desenvolvimento de aplicações com esse modelo de arquitetura, o qual a companhia está apostando suas fichas.

Ricardo Brognoli, presidente da empresa no Brasil, foi além. Para ele, a evolução da comunidade ocorrerá de forma semelhante a plataformas consolidadas como iOS e Android. “Estamos criando um ecossistema para que os usuários possam desenvolver soluções em torno dele”, pontua.

O público-alvo é amplo. No Brasil, por exemplo, a HPE já tem parceria com diversas universidades e insituições, de onde já saem boas contribuições. Esses locais serão as primeiras apostas no País para buscar novos adeptos ao desenvolvimento com computação baseada em memória. O principal polo tem sido a PUC-RS, em Porto Alegre (RS), onde a companhia tem um centro de inovação. Outros exemplos apontados pelos executivos são a Universidade de Campina Grande, Universidade de São Paulo (USP) e CNPq.

A máquina
O grande foco da HPE é permitir que a enorme quantidade de dados possa ser gerenciada em uma máquina como essa – rápida e em tempo real. O avanço da internet das coisas, com um futuro cada vez mais conectado, exigirá poder computacional robusto como o que o The Machine se propõe.

Os números são enormes.  O protótipo contém 160 terabytes (TB) de memória, o que lhe permite trabalhar simultaneamente com os dados contidos em cinco vezes o total de livros da Biblioteca do Congresso Norte Americano — ou seja, cerca de 160 milhões de livros. A empresa espera também que a arquitetura possa ser expandida para um sistema de memória única na escala dos exabytes e, além disso, para um pool quase ilimitado de memória — 4.096 yottabytes, que equivale a 1 mil vezes todo o universo digital existente hoje no mundo.

Com essa quantidade de memória, seria possível trabalhar com os registros digitais de saúde de todas as pessoas do mundo, todos os dados do Facebook e todas as viagens dos veículos autônomos do Google.

“Um carro autônomo gera terabyte de dados por segundo. É preciso ter capacidade computacional e capacidade de escalar para tomar decisões. O carro precisa decidir se vai frear ou não. É preciso uma arquitetura que responda rapidamente. O futuro da computação talvez não seja baseado no processador, mas em memória”, diz Guercio, que cita o SAP Hana, que é centrado em memória.

Na prática
Um exemplo prático apontado pelos executivos são os danos que a máquina poderia evitar com o recente mega ataque ransomware WannaCry. Na ocasião, cerca de 230 mil computadores em 150 países foram contaminados e diversos serviços públicos e empresas privadas foram paralisadas.

Guercio comenta que a capacidade do maior supercomputador hoje instalado suporta análises de 50 mil eventos (ameaças) por segundo gerados em um período de 5 minutos. Com o protótipo The Machine, seria possível analisar 10 milhões de eventos gerados em um período de 14 dias.

“Se tivéssemos uma arquitetura como o The Machine trabalhando de forma proativa, teríamos identificado o WannaCry em 15 segundos. Conseguiria correlacionar a massa de dados muito mais rápido com uma escala que só essa máquina é capaz de dar”, finaliza Guercio.

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