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Inteligência artificial protagoniza reinvenção digital na Volkswagen

Manual digital e interativo da montadora é exemplo de como computação cognitiva da IBM tem transformado negócios

Solange Calvo

07/06/2018 às 12h33

Fábio Rabelo da Volkswagen
Foto:

Durante o evento Think Brasil, da IBM, realizado ontem (06/06) em São Paulo, a empresa reiterou a importância da inteligência artificial (IA) na reinvenção digital em curso no planeta. E seu uso, de acordo com Alexandre Dietrich, Watson & Data Executive da IBM Brasil, depende de uma arquitetura que extraia o máximo de suas possibilidades. O Watson, ele afirmou, é a inteligência artificial para negócios, empresas e profissionais e já está na Volkswagen (VW).

O executivo, em sua apresentação, destacou que a quebra de paradigmas vem com o machine learning, que potencializa outros de seus recursos, além de apresentar um campo importante, as redes neurais, que estão revolucionando aplicações nos últimos três anos.

“E a maneira de trazer todo esse conjunto de tecnologias disruptivas para dentro da empresa é por meio de talentos de diferentes qualificações como matemáticos, estatísticos, cientistas de dados... Afinal, a evolução acontece pela soma de dados + algoritmos + talentos. É por onde é possível extrair insights para os desafios do mundo digital. Mas para isso, é necessária infraestrutura”, explicou.

Segundo ele, à medida que o volume de dados, a transformação digital e o ritmo das mudanças tecnológicas se aceleram, a capacidade de organizações e profissionais de acompanhar e de capitalizar a oportunidade está se tornando mais desafiadora.

Nesse cenário, ressaltou Dietrich, o Watson está sendo incorporado em workflows, enriquecendo as interações, acelerando pesquisas e descobertas, atenuando risco, antecipando e evitando interrupções e ainda escalando a aprendizagem e conhecimento. “Além disso, consegue elevar a marca, aumentar a inteligência das empresas, aprender com datasets menores e proteger dados e insights.”

Reinvenção na Volkswagen

Fábio Rabelo (foto), gerente-executivo de Digitalização e Novos Modelos de Negócios, Região América do Sul da Volkswagen disse que é preciso estar aberto para a transformação e o que facilita esse processo é o fato de a montadora ser voltada à popularização e à democratização da tecnologia. “Nós lançamos o primeiro automóvel flex do mundo, o Gol”, relembrou o feito.

Segundo ele, inovar para a Volkswagen é olhar para o cliente. “Ele nos dá o norte da estratégia, por meio do seu comportamento, das suas expectativas, dúvidas e sugestões. Ex: “Puxa, é difícil fazer baliza”, nos chegou essa informação. Então criamos recursos para facilitar isso...tudo nasce de uma demanda e então é preciso estar próximo do cliente, conhecê-lo. “Os clientes hoje são hiperconectados e querem muita conveniência.”

Na Volkswagen, a meta é transformar experiências analógicas em digitais. Rabelo questionou a plateia: “Quantos aqui costumam consultar os manuais dos seus carros? Estudos revelam que apenas 17%”. “Isso porque é algo chato, difícil de encontrar as informações com facilidade.”

O executivo entende que é preciso um empenho constante para suprir as necessidades dos clientes e garantir uma melhor experiência. “É necessário facilitar a vida dos nossos usuários, reinventar interações e criar disrupções. “Novas experiências digitais mudam as expectativas dos nossos clientes.”

“Então, por que não tornar o manual digital? Com a IBM, por meio do Watson, criamos o “Meu Volkswagen”, um manual cognitivo do Virtus e do Tiguan (ambos automóveis da VW), que abriga vários elementos de inteligência artificial.  E mais: permite a realização de perguntas dos usuários, por voz, utilizando linguagem natural, além da interação por meio de imagens e de textos. Assim é o aplicativo “Meu Volkswagen”, apontou.

O Meu Wolksvagen possibilita ao usuário enviar, por exemplo, uma foto do painel, para perguntar por que aquela determinada luz está acesa, indicando um alerta. E a resposta acontece por meio de recurso de reconhecimento de imagem. Além disso, é possível interagir com esse assistente fazendo perguntas sobre a literatura de bordo: “Como faço para trocar o pneu?” e “Não consigo conectar o celular no rádio?”.

Outras facilidades também acontecem nessa interação como informações sobre agendamento de revisão, contatos de emergência (VW Services, seguro etc), ofertas exclusivas da VW e alertas recorrentes para revisões, por exemplo.

Para todas essas conveniências disruptivas, que sentenciam o tradicional e ultrapassado uso do manual em papel, recursos de inteligência artificial são chave. Segundo ele, hoje já existem mais de 10 mil perguntas cadastradas. A partir das interações, é possível extrair informações importantes para detectar falhas e criar alertas. “São nada menos do que uma média de 800 perguntas por dia e nossa precisão já passa de 90%”, garantiu.

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