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IT Forum: CEOs e CIOs discutem produção de inovação e futuro da educação

Líderes também revelaram suas visões sobre a era da personalização, de olho na satisfação máxima do cliente

Déborah Oliveira

18/04/2019 às 0h24

Foto: YUCA

Dados da Associação Brasileira das Empresas de Software (Abes) de 2018 indicam que o Brasil ocupa o 9º lugar em investimentos em tecnologia da informação (TI) em todo o mundo. Apesar da quantia direcionada para projetos de TI, o País perde na produção local de alta tecnologia. Como lidar com esse paradoxo? Foi com essa provocação que Adelson de Sousa, presidente da IT Mídia, iniciou o painel de discussões sobre o tema no IT Forum 2019, que reúne líderes da indústria de TI de 17 a 21 de abril, na Praia do Forte (BA).

A conversa contou com a participação de Ricardo Guerra, CIO do Itaú, Pablo Di Si, presidente e CEO da Volkswagen região América do Sul e Brasil, Daniel Castanho, presidente do conselho da Anima Educação, Denise Santos, CEO da BP – A Beneficência Portuguesa, e José Luiz Rossi, CEO da Serasa Experian Brasil.

Para Guerra, a evolução do mundo está acelerada e o líder da TI deve entender os sinais dos tempos e liderar essa discussão. “O profissional de tecnologia precisa sair do data center e levar valor para a gestão da empresa. Está na hora de assumirmos essa responsabilidade e mudança de papel”, sentenciou.

Já Denise, da BP, acredita que a discussão deve ser ampliada para todos os C-Levels e não apenas para o CIO. Nesse cenário, prosseguiu, a colaboração é a chave, como amplamente falado por Yoko Ishikura, professora emérita da Universidade Hitotsubashi, em Tóquio, e consultora independente em estratégia global e talentos, na abertura do IT Forum.

“Muitas vezes, projetos viram do CIO. Não dá para ser assim. Na BP, acabamos com o posto do CIO. Agora é CTOO, porque não basta entregar tecnologia, é preciso ir além. Nosso processo de cocriação é intenso”, revelou. Castanho engrossa o coro e diz que o CIO tem a obrigação e ‘chutar as canelas dos CEOs’ e, de fato, provocar mudanças para inovar.

A indústria automotiva, por sua vez, que é bastante automatizada há anos e vem evoluindo nos últimos tempos com o digital batendo à porta e ainda carros autônomos, o virtual chegou com força total e no Brasil, Di Si tem orgulho de dizer que há muita pesquisa e desenvolvimento (P&D) local. “Posso citar o primeiro carro com inteligência artificial, com IBM Watson, e a concessionário digital. São conhecimentos desenvolvidos no Brasil.”

E a educação?

Outro tema importante que entrou na discussão dos participantes foi o futuro da educação. Com a evolução do conceito de aprendizado constante, ou life long learning, Castanho, da Anima Educação, defendeu que as universidades terão de se reinventar, promovendo cursos mais rápidos. Ele propôs ainda uma ‘empresa universitária’, modelo corporativo no qual se aprende o tempo todo. “Na escola, a principal mudança vai ser incentivar alunos a terem postura empreendedora. A de ter atitude e propósito.”

Guerra, do Itaú, concordou e acrescentou que se o profissional não aprender sempre, não se adequará às necessidades das empresas e, especialmente, do consumidor. O Itaú, de olho nesse cenário, decidiu há três anos reformular completamente seu processo seletivo na TI.

“Fazemos um hackathon e avaliamos colaboração. Se temos 80 candidatos e todos passam, contratamos todos. Se ninguém passa, não contratamos ninguém”, explicou, revelando que, em média de cinco a seis talentos são contratados. “Precisamos aumentar a barra da qualidade, o que exige talentos autodidata, que gostam de aprender e colaborar”, comentou o executivo que tem em seu time 11 mil talentos, sendo 8 mil diretos e 3 mil indiretos.

Núcleo de inovação

Uma das frentes citadas por Yoko na abertura do evento foi a criação de núcleos de inovação, que ela chamou de “Dejima Strategy”. Rossi, da Serasa, não só concorda com essa abordagem, como lançou mão dessa estratégia há algum tempo, criando uma cultura do tipo.

Em 2016, com o objetivo de se aproximar do consumidor final e de criar uma ilha de excelência digital, a Serasa criou o conceito de fintech, o Serasa Consumidor. A startup tem a missão de levar o crédito para todos os brasileiros, com transparência e personalização na comparação de taxas de juros, facilidade e oportunidade na quitação de dívidas, prevenção a fraudes e, principalmente, educação financeira. O desafio, indica Rossi, foi criar uma unidade com uma forma de trabalhar totalmente diferente. Deu certo.

“Começamos a mostrar para a empresa que havia uma forma diferente de fazer as coisas e isso foi contaminando positivamente as áreas. Conseguimos fomentar colaboração e entendimento. Hoje, toda a empresa trabalha de forma ágil”, indicou.

Era da personalização

Para Castanho, da Anima, a palavra da vez na sociedade é personalização. “Na educação, por exemplo, o grande desafio é como fazer com que cada pessoa seja única, personalizando a educação”, contou.

Guerra completou dizendo que servir genuinamente o consumidor é uma busca constante do Itaú. “Não temos vergonha de dizer que queremos mudar de liga. Queremos jogar na liga do cliente. Essa transformação é processual e mexe com todo o banco. Temos de ser voltados para clientes”, finalizou.

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