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Liderança e amizade podem andar juntos?

A liderança, ao longo dos tempos, sempre esteve associada a autoridade

Lucia Quintino*

01/07/2019 às 8h03

Foto: Shutterstock

chefe mandava e os liderados obedeciam, sem questionar a qualidade ou eficácia dos serviços. Esse modelo de liderança caiu em desuso, entretanto, mesmo na atualidade, ainda muitos líderes questionam se é possível ter relacionamento de amizade com seus liderados, se isso ajuda ou prejudica dentro do contexto profissional.

Em meus processos de coaching, mentoria e treinamentos é comum ouvir questionamentos como:

“Eu não sei como lidar, eu era amigo deles. Agora sou o chefe.”
“Quero que cumpram as metas, mas não quero que eles digam o que o cargo subiu na
cabeça.”
“Preciso que eles entendam que as cobranças não são pessoais.”
“O sucesso da nossa área depende que eles sejam mais profissionais e menos amiguinhos’.”

A questão principal parece estar centrada na dificuldade que as pessoas têm em discernir as responsabilidades inerentes ao seu papel social e profissional e no estabelecimento dos limites apropriados para harmonia profissional. A empresa americana Globoforce realizou, em 2014, uma pesquisa que trouxe números
surpreendentes ao mercado empresarial. De acordo com o relatório, produzido em parceria com a MarketTools, foram ouvidos 700 profissionais, e concluiu-se que:

– 78% dos entrevistados, passam de 30 a 50 horas semanais com seus colegas de trabalho;
– 95% já fez pelo menos uma amizade no ambiente de trabalho;
– 61% conta com o apoio de seus colegas de trabalho para lidar com as situações difíceis
da vida;
– 89% considera que os relacionamentos no trabalho afetam sua qualidade de vida;
– 71% dos entrevistados que têm mais de 25 amigos no trabalho; gostam da empresa em
que estão;
– 50% dos entrevistados que têm mais de 25 amigos no trabalho, sentem orgulho de seu
empregador;
– 21% dos colaboradores que têm mais de 25 amigos no trabalho, aceitariam outra proposta
de emprego.

Números como estes nos colocam a pensar sobre como é importante manter laços de amizade, por onde quer que passemos. A existência de amizade entre pessoas que convivem mais tempo no trabalho do que em suas próprias casas é uma característica mais do que normal, ela é natural. O principal papel do líder é manter a equipe motivada para alcançar os objetivos que a empresa almeja.

O dia a dia de trabalho fica ainda mais leve e os objetivos são alcançados de forma muito mais acelerada quando desenvolvemos confiança e credibilidade, melhora na comunicação e isso, consequentemente, faz gerar laços de amizade entre líderes e liderados.

O primeiro exemplo de liderança que temos na nossa vida são nossos pais. Bons pais são amigos de seus filhos, sem com isso deixar de ter a responsabilidade de orientá-los com rigor, quando necessário. Por que será que nossos gestores não conseguem fazer o mesmo? Quando um colaborador se torna seu amigo é bom que fique claro a ambos que amizade não pode se confundir com liberdade. E o gestor deve também saber dosar a amizade, não concedendo privilégio em relação aos outros colaboradores. Transparência e integridade na comunicação é fundamental.

Líderes maduros e seguros de sua posição e responsabilidade conseguem desenvolver relacionamentos de amizade com sua equipe, sem com isso prejudicar o seu papel na gestão dos resultados. Caso tenha dificuldade em estabelecer proximidade e limites, procure um profissional (coach ou mentor) para direcioná-lo no desenvolvimento dessa habilidade que trará um retorno gratificante para todos, além de um ambiente agradável de trabalho.

Saber manter laços de amizade com seus liderados é saudável, desde que haja clareza de divisão de papéis.

Lucia Quintino é especialista em liderança e terapeuta sistêmica de empreendedorismo

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