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Líderes mulheres assumem papel de transformadoras

Solange Calvo

09/11/2017 às 13h55

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Dados de pesquisas globais revelam que serão necessários cerca de 170 anos para que as mulheres consigam a tão sonhada equidade com os homens no mercado de trabalho. O alinhamento com o universo masculino passa por condições iguais de salário, benefícios, reconhecimento, ascensão na carreira, entre outros aspectos.

“Por mais que o quadro venha apresentando melhora, apenas 5% dos presidentes de empresas no Brasil são mulheres. De acordo com a consultoria Korn Ferry, há dez anos, apenas 9% das mulheres ocupavam cargos de liderança. Hoje, essa marca cresceu para 16%, mas ainda é muito pouco. Precisamos de mais”, destacou Lúcia Bulhões, vice-presidente da Veritas para América Latina.

O debate aconteceu ontem (8/11), no último dia do IT fórum Expo 2017, realizado pela IT Mídia, mediado por Déborah Oliveira, editora e gerente de conteúdo da empresa.

Lúcia disse que para quebrar variados paradigmas nessa jornada é de fundamental importância que os homens entendam e valorizem a questão. E agradeceu a presença masculina na plateia. “Uma prova de que é de interesse de vocês também. Parabéns”, comemorou a executiva.

Simone Okudi (foto, ao microfone), diretora de TI da Avon, concorda que essa integração é necessária e destacou também a participação de homens que entendem e contribuem para a ascensão profissional feminina.

“O melhor para nós é nos cercarmos de homens que nos coloquem pra cima”, disse Cíntia Barcelos, CTO da área de Finanças da IBM, destacando que desde muito jovem contou com o incentivo do pai e depois com o do marido para ascender profissionalmente. “Sempre somaram”, reiterou.

Existem líderes homens de visão. “Eu mesma tive a sorte de ter sido reconhecida por um comandante de uma significativa multinacional de software como uma profissional, formada em Letras, com grande potencial técnico”, revelou Lúcia. “Sou muito grata.”

Exorcizando rótulos

Simone lembra perplexa de quando foi abordada certa vez por um profissional na empresa em que trabalhava. “Ele me disse que faturamento era coisa para macho”, como competência fosse uma questão ligada ao gênero.

De acordo com Adriana Maia, diretora de Comunicação da Sage, desde a infância as mulheres sofrem com preconceitos e rótulos de variados tipos. “Área como a de tecnologia, predominantemente masculina, a situação fica mais pesada, mas as empresas estão hoje valorizando a diversidade e descobrindo o quanto isso pode trazer de benefício para o seu crescimento”, ressaltou.

O mais triste é que com tudo isso há a formação de um sentimento que acaba impedindo que as mulheres avancem em profissões dominadas pelo universo masculino, avaliou Cristiane Massari Vargas, IT Leader da Serasa Experian.

“Temos hoje grande dificuldade em recrutar meninas na área de TI. É uma movimentação importante para que possamos trabalhar com elas desde o início”, pontuou a executiva. “As mulheres acabam não se arriscando às vagas porque não se sentem à altura.”

Por isso a importância de ter coragem e força para enfrentar desafios. “Minha sugestão é: sonhe grande e voe alto”, ensinou Paula Araújo, fundadora da Mulheres Corporativas.

“Por isso temos de fazer a nossa parte, como referências de mulheres que conquistaram cargos de liderança. Aqui na Avon, procuramos trazer para recrutamento cerca de 50% de candidatas mulheres”, provocou Simone.

O importante é não retroceder. “Nada de se lamentar diante do não reconhecimento, de uma batalha perdida. Bola pra frente! Nada de choro, nada de recuar!”, ensinou Lúcia. “Não tentem ser perfeitas e sejam corajosas.” Adriana alertou: “Não podemos deixar barato nem mesmo nas piadinhas relacionadas às competências das mulheres”. “Somos transformadoras desse cenário!”, credenciou Paula.

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