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Na Era da Conveniência, clientes estão no centro, revela Gil Giardelli

Professor e difusor de conceitos ligados à inovação mergulha no conceito, que será discutido nos eventos da IT Mídia em 2020

Déborah Oliveira

07/08/2019 às 8h02

Foto: Reprodução

Globotics. Muito em breve, veremos a ascensão desse universo, que fomenta a imigração virtual. Profissionais que moram em um país trabalharão em outro graças ao uso intensivo de tecnologia. Nesse modelo, robôs vão operar aviões autônomos e seus controladores estarão na Índia. Um exemplo de alto grau de globalização em uma era em que a tecnologia é caminho sem volta.

“O conceito de espaço e tempo não cabe mais”, provocou Gil Giardelli, professor e difusor de conceitos ligados à inovação, em apresentação para discutir o tema que a IT Mídia levará para seus eventos em 2020: “O Império da Conveniência”.

Nessa nova realidade, de pura conveniência, o mundo vive uma profunda transformação. O carro, por exemplo, em breve não será mais um patrimônio e isso interfere no valor do bem, impactando no financiamento, mudando completamente o modelo de negócio dos bancos, que passam a mirar os frotistas.

O Império da Conveniência posiciona o cliente sempre no centro, não importando mais o contexto de competidores. “A L’Óreal usou 10 mil imagens para analisar o rosto de clientes e indicar, a partir de inteligência artificial, o tratamento ideal. E se a empresa não tem o produto adequado, não tem problema. Ela indica o da concorrência, porque esse é o verdadeiro Império da Conveniência”, comentou Giardelli.

O especialista citou outro exemplo: a Apple, que pela primeira vez em sete anos tem menos de 50% de receitas baseadas no iPhone. O motivo? “A empresa não quer vender produtos, quer vender conveniência. É um verdadeiro desafio para o império Amazon”, provocou.

Nesse novo universo, revelou ele, sai a tão falada e desejada estratégia omnichannel e entram experiências imersivas. “Já há restaurantes na China que por acaso vendem comida, mas inicialmente mexem com o sentido dos consumidores”, disse, destacando a linha tenue que existirá entre experiência e espetáculo.

Bens duráveis, saúde e trabalho

A nova sociedade, portanto, comentou ele, não é mais baseada em bens duráveis, que tinham uma expectativa de dez anos de existência, mas de seis meses.

Já quando o assunto é trabalho, Giardelli diz que o medo latente de perder empregos para robôs será dissipado. “Quem já entrou na nova economia vive o pleno emprego. Afinal, mais automação é igual a mais emprego”, sentenciou.

A automação ganha força todos os dias, destacou ele. Só em 2019 houve aumento de mais de 18% do fundo composto por 90 empresas de ponta na indústria de robótica, automação e inteligência artificial – o ROBO Global's Robotics and Automation Index ETF, primeiro índice de benchmark do mundo a rastrear empresas do segmento. A previsão é de que 20 milhões de robôs estejam em uso industrial até 2030. Sem contar os robôs sociais, que leem histórias e ajudam crianças a entender quanto precisam economizar para comprar um determinado produto.

A Ford, por exemplo, já conta com exoesqueletos na produção, reduzindo o tempo de trabalho de seus talentos de 8h para 3h. A Petz, loja nacional para produtos para pets, lançou um sistema de reconhecimento facial para cachorros que identifica, com base em cada pet, qual produto mais agrada ao animal, fomentando o interesse de compra.

Outro exemplo citado pelo especialista está na saúde. “A personalização será cada vez mais normal. É a ‘data age’. As pessoas não terão plano de saúde, mas um convênio com uma startup. É a conveniência com o cliente no centro”, finalizou ele.

 

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